Ricardo pediu votos para Marina, que pediu votos para Ricardo. Fosse apenas isso, estava tudo bem. Mas o governador atacou o governo Dilma, acusou o PT de está usando o “medo” como arma contra a ex-senadora, e ironizou, afirmando que o Brasil tem medo é dos resultados do seu governo no que diz respeito ao PIB, emprego e inflação. Nesse ponto, tocou no calo dos petistas, com quem está aliado na Paraíba.
Pelo que repetiram os dirigentes ao justificarem a aliança com o PSB-PB, haveria um compromisso de neutralidade na disputa presidencial, da parte de Ricardo Coutinho. E fora uma ou outra declaração sem sal, ele ainda não tinha marcado presença nessa disputa. Agora, entrou de vez.
Para Ricardo Coutinho, não seria inteligente ignorar a perspectiva de vitória de Marina Silva e a possibilidade dela transferir votos, especialmente no eleitorado mais politizado e grupos evangélicos, os mesmos que desalojaram Aécio Neves do 2º lugar nas pesquisas. E ele precisa crescer bem nesta reta final, para assegurar 2º turno. Já não pode esperar que a Justiça barre Cássio. O TSE, por maioria, indicou que o tucano é elegível. E também não pode descartar a hipótese de perder a aliança com o PT, em processo que será decidido pela mesma Corte.
Esse quadro explica porque Ricardo não economizou ao fazer apelo aos paraibanos, para que usem a internet para anular a campanha do PT: “Nos ajudem, mas nos ajudem mesmo. Combatam essa tentativa de construir ao redor de Marina uma personalidade que na verdade não existe. Porque essa mulher aqui é madeira de lei que cupim não rói, já dizia Ariano Suasuna. Não se iludam. Eles (os petistas) tentam de todas as formas desviar a atenção. É desviando a atenção que querem encobrir os graves problemas da nossa nação”.
Ricardo Coutinho pode até ter constrangido Luciano Cartaxo, maior avalista da aliança PT-PSB, e seu irmão, o candidato a senador, Lucélio, mas dificilmente ao ponto de comprometer o acordo deles, que interessa ao projeto de 2016. Devem continuar empenhados pela sua vitória, para que não seja o Cássio do ano da reeleição municipal.
A história muda no que diz respeito ao comando nacional e aos militantes estaduais, dos quais Anselmo Castilho é exemplo. Ele já avisou que vai escolher outro candidato, por considerar “inadmissível ter aliado adversário”. É o mesmo recado enviado por Brasília, que hoje deve se pronunciar sobre o caso Paraíba.