As propostas de voto de repúdio e de interpelação judicial, apresentadas ontem, na Assembleia Legislativa, contra o governador Ricardo Coutinho, são parte de uma reação que demorou, já que não foi a primeira vez que rotulou os deputados, dando a entender que são venais. Em 2013, por exemplo, chamou-os de golpistas e chantagistas.
A pergunta que não quer calar é: por que o governador, em plena campanha, declara guerra aos deputados e aos prefeitos, denunciando a existência de “balcão de negócios”, que pelo que disse, vai de apoio eleitoral a apoio no Legislativo, quando desde 2013 vinha festejando apoios de prefeitos de várias legendas ao seu projeto de reeleição?
A resposta é: estratégia eleitoral. Em todo começo de campanha, os políticos trabalham para persuadir os eleitores. Do meio para o fim, são os eleitores que influenciam os políticos. Quando esses identificam uma tendência forte no eleitorado a favor de um candidato, fica mais fácil seguir a correnteza do que remar contra. E começa o pula-pula.
Ao invés de tentar conter a deserção de políticos, o que é muito difícil depois de iniciada uma onda, Ricardo Coutinho trabalha a opinião do eleitor, descredenciando os que seriam os intermediários na conquista de votos. E faz isso falando de práticas sobre as quais todos já ouvimos falar, mas que nunca foram formal- mente apresentadas contra nenhum político da Paraíba.
Se na época do debate sobre aval do Governo a empréstimo da Cagepa, no valor de R$ 150 milhões, os deputados calaram quando chamados de chantagistas e golpistas, agora decidiram reagir ao que o deputado Janduhy Carneiro (PTN) chamou de “falta de respeito” ao Legislativo.
Como presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Janduhy anunciou que vai provocar o Ministério Público Eleitoral para que investigue o caso. Defende que Ricardo Coutinho seja interpelado judicialmente para que aponte os deputados que quiseram se vender.
Os deputados sabem que debate ético, agora, coloca Ricardo em sintonia com o discurso de Marina Silva, a candidata a presidente do PSB, que prega uma nova política e está seduzindo eleitores pelo país. Por isso, optaram por investigação. Ao invés de alimentar o conflito, querem descredenciá-lo.