Dez minutos de conversa e os ressentimentos contra Dilma e o PT afloram, evidenciando a fragilidade dos apoios ainda declarados por conveniência ou estratégia. Como Termer, os paraibanos têm queixas.
Lembram que foi o PMDB paraibano, tendo à frente Roberto Paulino e José Maranhão, o primeiro do País a apoiar o candidato Lula, em momento decisivo da campanha que o levou à Presidência pela primeira vez. Insistem que esse gesto nunca foi devidamente retribuído, mas que a convivência era respeitosa, o que mudaria com Dilma.
Entre os episódios que destacam, o tratamento dispensado à José Maranhão na campanha de 2010. Enquanto o peemedebista cedeu a vice ao PT e colocou toda sua estrutura a favor de Dilma, ela fez ‘mágica’ para não vir à Paraíba apoiar o ‘aliado’ e não gravou uma só chamada pedindo votos para ele porque queria também o apoio de Ricardo Coutinho, na época aliado do tucano Cássio Cunha Lima.
O PMDB não tem dúvida de que a presença de Dilma poderia ter mudado a história da eleição. Ela também não fez gesto significativo para José Maranhão, após a derrota. Contudo, assim que ele conquistou um novo mandato no Senado, cuidou de restabelecer a relação.
Com Vital do Rêgo não foi diferente. Indicado pelas bancadas do Senado e da Câmara para o ministério da Integração, ficou exposto por seis meses e foi descartado. Recentemente Manoel Júnior também entrou em lista da bancada da Câmara para o ministério da Saúde e foi preterido.
Ainda lembram os rompimentos do PT nas eleições de 2012 em Campina Grande e no pleito estadual de 2014, quando passou a apoiar Ricardo Coutinho, em meio a críticas pesadas aos peemedebistas. Deixam claro que a relação está muito desgastada, mas não admitem troco. A vitória da oposição na primeira decisão sobre o impeachment na Câmara dos Deputados, ontem, pode conduzi-los noutra direção.
Torpedo
” A carta surpreende pela ausência de críticas à grave situação que o governo do PT levou o país. Choca pelo excesso de reclamações de caráter pessoal e partidário”.
Do líder do PSDB, senador Cássio Cunha Lima, sobre a carta de Michel Temer a Dilma Rousseff.
Na comissão
Tem um paraibano como titular na Comissão de Impeachment. O deputado Manoel Júnior é um dos que integraram, pelo PMDB, a chapa alternativa que saiu vitoriosa – 272 a199 votos – no plenário da Câmara.
Balança
De um congressista do PMDB: “Não temos o que perder. O que Dilma pode oferecer que Michel Temer não possa? Não é assim que vamos decidir. Temos que pensar no Brasil. A decisão vai impactar todos”.
Por aclamação
Cássio Cunha Lima foi reconduzido à liderança do PSDB no Senado. Por mais um ano, comandará bancada que tem José Serra, Antonio Anastasia, Flexa Ribeiro, Aloysio Nunes, Tasso Jereissati, Álvaro Dias e Aécio Neves.
Prioridade
O processo de impeachment está sendo muito bom para os prefeitos que podem disputar a reeleição. Reduziu substancialmente os espaços sobre a próxima campanha, os adversários e o ataque as suas administracões.
Zigue-Zague
Caiu de 16% para 15% a reserva total de água da Paraíba, de novembro para dezembro. Dos 124 acudes estratégicos, 23 já estão secos e nove com menos de 1%.
Na região de Taperoá restam 2,5%; na de Santa Luzia, 3,1%; os que atendem Sousa e Cajazeiras, 7%; em Boqueirão, que abastece Campina, restam 13,1%.