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Resumo da ?pera

O Brasil – e os brasileiros – gastam tanta energia com eleições que acabam esquecendo que o verdadeiro desafio começa agora com a gestão dos eleitos.

E o País seguramente terá, nesta segunda etapa do governo de Dilma Rousseff, desafios colossais para enfrentar.

Entre eles está a superação do pessimismo que já contamina os setores produtivos e o estancamento da inflação (que ultrapassou o teto da meta em setembro, atingindo 6,75% no acumulado dos últimos doze meses).

Pessimismo, no mercado, não é pouca coisa. Quem não acredita, não investe.

A inflação, por sua vez, é ainda mais temerária.

As novas gerações não conseguem mensurar a letalidade de uma moeda corroída, mas quem tem mais de 30 anos e viveu a era pré-real entende bem a extensão do medo que a inflação suscita.

Paralelo a isso, temos um PIB que não engorda. E é minado pela dívida pública, de novo em ascensão (pulando dos 33,8% registrados no final de 2013 para 35,9% nesta reta final de 2014).

Temos, também, o aumento das taxas de juros como instrumento de controle inflacionário – um remédio eficiente no primeiro momento e viciante nas etapas seguintes do tratamento, com efeito colateral sobre o Custo Brasil.

Analistas do mercado não apostam na modificação do cenário em 2015. Endividado, o Governo terá pouca margem para fazer concessões fiscais e impulsionar o crescimento.

Nem ampliar nossa capacidade competitiva. Até mesmo as commodities, vedetes da pauta de exportação, estão com preços em queda.

O conjunto da obra pode render, no próximo ano, o rebaixamento da nota do Brasil pelas agências internacionais de avaliação de risco – leitura obrigatória dos potenciais investidores.

Se os gargalos econômicos não fossem suficientes, o governo tem pela frente a missão de acalmar a nação, assustada com uma suposta onda bolivariana que estaria avançando sobre a nação.

Ondas que arrebentam e revelam desejos nada secretos – em orbita no entorno do Planalto – de controlar a comunicação e a mídia sob o manto eufemista da regulamentação.

Ondas que estariam se transformado, também, em decretos que içam movimentos sociais para o epicentro do poder. E transfere para os “companheiros” atribuições que a República brasileira institucionalizou constitucionalmente com os poderes autônomos.

Ondas que a oposição, com musculatura revigorada pelas urnas eleitorais, certamente tentarão transformar em tsunamis.

Mas, a despeito do encacifamento da oposição, e dos percalços que vêm na esteira do desgaste de um partido que caminha para emplacar doze anos no poder, o maior desafio do novo velho governo é fazer as pazes com o mercado.

E, ao contrário do que prega a filosofia dos catedráticos petistas, o mercado não torce pelo desastre.

Até porque o mercado somos todos nós – da dona de casa que quer encontrar fartura e preços estáveis nas prateleiras dos supermercados até conglomerados financeiros que também são vitaminados pela saúde econômica do País.

Como se faz isso? Fazendo o dever de casa.

E ele é quilométrico.

É preciso provar competência para equacionar a economia.

É preciso sepultar, de vez, os temores e rumores de que este governo pretende ressuscitar o projeto político fracassado de Bolívar.

E é preciso zerar a permissividade em relação aos escândalos. Pois quando dois bilhões somem, não se pode alegar que se tratou de um furto feito à revelia, em um cochilo dos gestores de plantão. É roubo com arma em punho contra o País.

O resumo da ópera mexe, de um lado, com o bolso do brasileiro. E, do outro, com o formato de nação que construímos ao longo desses 500 anos de história.

E que lapidamos nos últimos 26 anos de democracia – período em que, com altos e baixos, erros e acertos, construímos a duras penas a estabilidade econômica e solidez institucional do Brasil.

Conquistas preciosas demais para deixarmos escapar neste desafiador 2015.

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