Como presidente estadual do PSD, articulador da criação do PL e portador da credencial extra de amigo do líder nacional das duas legendas, o deputado federal Rômulo Gouveia garante que o governador Ricardo Coutinho não foi convidado para o novo partido que o ministro Gilberto Kassab pretende incorporar ao que já comanda, transformando-os numa força capaz de destronar o PMDB da condição de 2º maior na Câmara Federal.
Quem Kassab convidou, de fato, segundo Rômulo, foi o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, que está no PSDB, o partido de Cássio Cunha Lima. E o tucano estaria analisando a proposta. Mas, fez questão de esclarecer que não é porque deseje os benefícios concedidos aos partidos da base da presidente Dilma Rousseff. O atrativo seria o estilo de Kassab, que permite aos aliados acesso ao comando partidário.
Rômulo explica que o senador Cássio conseguiu romper a barreira no PSDB e hoje é vice-presidente nacional, muito prestigiado pelo presidente Aécio Neves. Mas vê seu status como exceção. Os paulistas, que ocupam os principais cargos de comando, não seriam tão camaradas como Gilberto Kassab.
Ele contou que já está convidando lideranças municipais e estaduais para filiação ao novo PL, e tem um filho na comissão Executiva. Com a experiência adquirida com a criação do PSD, que já levou a 201 dos 223 municípios paraibanos, prevê que a nova legenda terá peso político na Paraíba.
Por enquanto, em relação aos planos para 2016, fala sobre o PSD. Independente da filiação de Romero Rodrigues, vai defender sua reeleição. Aliás, não poupou elogios a sua gestão em Campina, onde só enxerga um defeito: enquanto outros gestores fazem propaganda até das intenções, o tucano tem realizações, mas não cuida da divulgação.
O petista Luciano Cartaxo também pode contar com o PSD na aliança para sua reeleição, em João Pessoa. Rômulo, que na campanha passada já votou no irmão do prefeito, Lucélio Cartaxo, para senador. Ele disse que a parceria está consolidada.
Sem alarde, Rômulo solidifica seu espaço na política: já foi apadrinhado da família Cunha Lima, ascendeu a presidente de um partido de expressão nacional, e como avalista do audacioso projeto de Gilberto Kassab, tem novas perspectivas no horizonte.