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Seis em cada 10 empresárias evitam empréstimos na hora de abrir um negócio, diz pesquisa

Conforme a pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, algumas apelam para cartão de crédito pessoa física (17%) ou empréstimo familiar (15%)
Pequenos negócios, Empresas
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Um estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), aponta que, para iniciar o novo negócio, aproximadamente 6 em cada 10 empresárias utilizaram capital próprio (59%).

Conforme a pesquisa, algumas apelam para o cartão de crédito pessoa física (17%) ou empréstimo familiar (15%). Para dar o pontapé inicial, as empresárias investem, em média, R$ 3 mil.

A pesquisa também revelou que ao se tratar de empréstimo financeiro, as mulheres buscam essa alternativa quando há a necessidade de incrementar o capital de giro (38%), para o pagamento de dívidas (35%), para ampliação do negócio (35%) e compra de estoque e insumos (25%).

Equilíbrio nas contas

A empreendedora Pamella Veríssimo, por exemplo, lançou pelas redes sociais uma marca de moda praia em abril de 2021. Sem o propósito de partir para o empréstimo bancário, fez as primeiras compras usando o limite do cartão de crédito.

Foram R$ 1 mil em compras para iniciar. A mercadoria foi recebida, vendida e o cartão de crédito pago para que fossem feitos mais pedidos. Na segunda remessa, ela investiu mais R$ 1 mil. E assim todo o dinheiro de entrada era reinvestido 100% em novas peças. Foram oito meses investindo todo o lucro.

“A empresa completou um ano em abril. Eu sempre quis empreender e a moda praia era sonho da adolescência, então aproveitei o cenário da pandemia, que revolucionou a forma como as pessoas compram, de presencial a online, e tirei o sonho do papel”, conta a empreendedora.

Atualmente, Pamella também faz curso de marketing digital, onde recebe mentoria e assistência voltada para o marketing em Instagram. Em um ano, o negócio que começou com um cartão de crédito cresceu 500% e hoje além de maiôs e biquínis, oferece chapéus, bolsas, saídas de praia e interação com as clientes por meio das redes sociais. A loja virtual aceita encomendas para todo o Brasil.

Sócia e diretora financeira de uma empresa do ramo de energia renovável que começou com investimento familiar de R$ 10 mil, Emanuelle Medeiros diz que o negócio só faz empréstimo bancário quando há necessidade de alcançar novas metas.

“Em 2015, com apoio dos nossos pais, juntamos um capital familiar, economizamos no que dava e hoje, dos três sócios, eu sou a que controla as contas. Faço de tudo para não prejudicar as finanças, para mantermos a folha de pagamento em dia, os custos de manutenção e também o pagamento aos nossos fornecedores”.

Atualmente, o serviço é prestado tanto para pessoa física, quanto jurídica de pequeno e médio porte. “Para a empresa crescer, nós fizemos alguns empréstimos bancários, de forma consciente, por isso, estamos com o nosso financeiro em dia. Usamos os valores para fazer capital de giro e ampliar os negócios, observando o custo-benefício dessas ações, para isso nós pesquisamos mesmo, procuramos as melhores condições de pagamento e os menores juros do mercado à época”, explica Emanuelle Medeiros.

Planejamento é essencial

Segundo o especialista em empreendedorismo e gestão de empresas, Paulo Junior, mulheres têm se mostrado cada vez mais líderes do próprio negócio.

“Na minha empresa, presto um serviço onde pegamos na mão de cada empreendedor para traçarmos juntos as melhores estratégias e mapear as oportunidades de crescimento e expansão dos negócios e, aqui, já notamos como as mulheres lideram a busca por planejamento – hoje, cerca de 60% dos empreendedores que atendemos são mulheres”.

Ainda de acordo com o especialista, para iniciar um negócio ou para fortalecê-lo é necessário ter em mente e, em prática, valores que fazem as empresas prosperarem.

“Quando se fala em linhas de crédito, é preciso saber usar com sabedoria, atendendo às reais demandas do negócio. Usar um crédito maior que o necessário pode até parecer uma vantagem, mas na verdade não o é. Para calcular a real necessidade de capital de giro, a empresa precisa ter clareza em relação a sua situação atual e também ao seu futuro, com uma estratégia bem delineada, ressaltando a sua capacidade de inovação, sua cultura e seu compromisso com uma boa governança. Por isso, planejar é essencial e para iniciar essa jornada, papel e caneta é um bom exercício para que tudo esteja anotado e levado em consideração antes de avançar em próximos passos”, explica Paulo Junior.

Palavras Chave

Empreendedorismo

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