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Semi?rido paraibano j? tem 5 mil cisternas de polietileno, que atendem 30 mil pessoas

A universalização do acesso à água aos poucos vai tirando a poeira deixada pelo rastro da seca nas regiões mais cinzentas do estado da Paraíba. O cenário tórrido das comunidades castigadas pelos longos períodos de estiagem vai contrastando com a nova realidade de mais de 30 mil moradores das áreas rurais de nove cidades que estão sendo beneficiadas com 5 mil cisternas de polietileno, por meio do programa Água Para Todos, via Ministério da Integração Nacional (MIN). Os reservatórios são entregues pelo Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (DNOCS).

As cisternas captam a água da chuva – quando isso ocorrer, ou de carro-pipa desde que seja água potável – e permitem o armazenamento de 16 mil litros, garantindo condições para uma família de quatro a cinco pessoas se manter por até nove meses de estiagem. “Dentro da nossa área de atuação estão as cidades de Araruna, Areial, Cacimba de Dentro, Dona Inês, São Sebastião de Lagoa de Roça, Belém do Brejo do Cruz, Igaracy, Quixaba e Lagoa. Até agora, já temos mais de 3.100 instaladas. A meta é concluir tudo até março deste ano”, adiantou Lourdes Sousa, presidente da Comissão de Fiscalização do Água Para Todos, no DNOCS.

Distante 107 km da capital paraibana, está o pequeno município de São Sebastião de Lagoa de Roça, localizada no Agreste do estado, que foi beneficiado com 120 cisternas de polietileno para amenizar os reflexos causados pela estiagem e garantir armazenamento de água para consumo humano e produção de alimentos. “Receber essa cisterna foi uma bênção pra gente que vive no sítio. A dificuldade por água sempre foi grande e parece que cada ano que passa a seca fica pior e a gente sofre ainda mais. Era triste até quando chovia que ninguém tinha onde guardar água. Alguns têm uns reservatórios, mas tudo pequeno que não dá nem para passar um mês. Agora todo mundo ganhou uma dessa que cabe muita água. Pode chover que a gente já está preparada”, disse a dona Lenilza da Silva, 34, moradora do Sítio Santarém.

O benefício também chegou à casa do agricultor Aldenis Xavier, de 28 anos. “A vida da gente agora vai melhorar cem por cento. O sofrimento aqui é por água. Ninguém vai precisar mais andar por essas estradas para carregar lata, balde ou carroça de poço”, contou. O material utilizado na fabricação dos reservatórios é adequado à região.

A resina de polietileno somente pode fundir a uma temperatura de 147 graus centígrados, sendo que na região a temperatura máxima pode oscilar em torno de 50 centígrados em períodos de clima mais severo, o que desmistifica a informação incorreta de que as cisternas derretem no calor do sertão. “Além disso, essa é uma tecnologia consolidada internacionalmente e utilizada há mais de duas décadas em países com temperaturas semelhantes ou até mais críticas que as encontradas no Nordeste brasileiro”, explicou Amauri Ramos, diretor da Acqualimp, fabricante das cisternas.

O polietileno, por sua elasticidade, impede que os tanques apresentem fissuras e trincas. Seu uso também impede vazamentos da água, assim como a contaminação por outros líquidos e resíduos sólidos. Uma cisterna desse material pode durar até 30 anos.

Com a chegada das cisternas de polietileno a vida também vai ficar mais fácil para os moradores das áreas rurais de Igaracy, município distante 454 km de João Pessoa. “A gente aqui nessas bandas tem que andar dois quilômetros pra poder pegar água. Tudo é muito difícil. Essa cisterna com certeza vai ajudar muito a gente. Eu já cansei de carregar água por aí pra ter o que beber em casa”, disse o aposentado Valdemiro Sabino de Souza, 72, ao lado da esposa dona Maria Luiz de Souza, 71, moradores do Sítio Cabeludo, localizado na microrregião de Piancó.

A manutenção de uma cisterna de polietileno é de baixíssimo custo, necessitando apenas de limpeza interna uma vez por ano, a qual pode ser feita normalmente pelo próprio beneficiado. A fabricante disponibiliza uma linha gratuita para atender aos beneficiados, que podem contatar a companhia em caso de dúvidas e até pedir a troca do reservatório, que tem cinco anos de garantia para defeitos de fabricação, quando necessário. O telefone 0800-081-6060 está disponível de 2ª a 6ª das 8h às 17h.

Ataíde Aparecida: cisterna nova em casa

Foto: Ataíde Aparecida: cisterna nova em casa
Créditos: Divulgação

Como participar

Para ser atendido pelo programa é necessário que beneficiário esteja inscrito no Cadastro Social Único (CADÚnico) do Governo Federal e que a família apresente renda familiar per capita de até R$ 140 mensais. Na dúvida, é importante procurar o Comitê Gestor da cidade ou liderança comunitária da localidade. Na ausência deles, deve acionar a Secretaria de Agricultura ou Ação Social do município. Na Paraíba, o DNOCS atua nessa frente e está apto a tirar dúvidas e orientar quais procedimentos são necessários para ser beneficiado com o programa sem qualquer custo.

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