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‘Senti a dor daqueles que eu atendia’, diz Mário Rosa

Chamo Mário Rosa de Wolverine. Na minha concepção, não há figura melhor para seu perfil que o personagem da Marvel: transita entre ‘heróis’ e ‘vilões’, evita exposição, fica na dele – mas mostra as garras quando é preciso ou é provocado. Apanha muito, porém cura suas feridas. “Não sou pistoleiro, sou seu guarda costas; eu morro por você, mas não mato por voe você”, fala para seus clientes. Revela isso em seu livro Entre a Glória e a Vergonha (Geração Editorial), lançado ano passado, em que se desnuda como homem e profissional. Pioneiro na consultoria e gestão de crises, a obra foi para salvar a própria imagem. Acostumado há décadas a transitar no bastidor, Mário virou personagem na Operação Acrônimo, da Polícia Federal, por suspeitas de recebimentos irregulares em contratos. Sua vida de aventuras virou um filme de terror.   Sofreu busca e apreensão em casa, e a PF apareceu na casa de mais 20 dos principais (e grandes) clientes. Seu casamento acabou, passou aperto nas contas, perdeu contratos, virou um leproso – refugiou-se 16 meses num quarto de hotel. Mas voltou a circular. “Eu saí da UTI e estou na enfermaria”, mas admite: “eu não tive alta”.

O Wolverine está na praça. Nesta entrevista concedida à equipe da Coluna Esplanada, em Brasília, ele revela que atende diretamente os irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, e deu conselhos à deputada Cristiane Brasil, massacrada pela mídia após ser barrada para o Ministério do Trabalho (sim, tem dedo dele naquele discurso de que ela foi vítima por ser mulher e houve perseguição). Jura que nunca cobrou um centavo de políticos ou recebeu dinheiro público, e que o trabalho está mudando com o avanço da convergência de mídias e redes sociais. “Gestão de crise é muito mais arquitetura que engenharia. Tem que arranjar um jeito de surfar num vento incontrolável que é essa mídia pulverizada”. E avalia que os clientes também passam por uma mutação: “Os clientes estão quebrando pactos de lealdade, de honestidade, pactos mafiosos, e se transformando em colaboradores judiciais”.

Há um trecho do livro no qual você cita as palavras de um de seus mestres: “A redação é um hospício, loucos os repórteres já são, o que eu posso fazer é servir o remédio”. Você sente isso hoje no seu trabalho de consultor? É um trabalho de dosar o remédio?

Sim. Eu acho que com a era digital as redações, sobretudo, tiveram uma grande transformação. O modelo fordista, de linha de produção de notícia que existia, e romântico, onde o padrão da notícia tinha aquele papel – grande fábrica de notícias como tinha nas linhas de produção de automóveis – isso acabou.

Quando eu comecei minha atividade de consultor de crises eu trabalhei com o ‘Cidadão Kane’ (filme de Orson Welles que conta estória de um magnata dono de jornal). O Cidadão Kane morreu; começaram a surgir centenas de cidadãos Kane, isso transforma muito a atividade nessa coisa de dar o remédio e não dar o remédio. Você tem centenas de enfermarias. O processo de desconcentração de poder da mídia e de proliferação de canais de informação muda um pouco o jogo. Tanto que eu lanço o meu livro via meio digital (publicou capítulos a priori no portal UOL). Isso foi a grande diferença que aconteceu até mesmo na gestão de crise: hoje ela está muito mais com posicionamento geral estratégico que você desenha para o seu cliente. É muito mais arquitetura que engenharia. Você tem que surfar no kitesurf, tem que arranjar um jeito de pegar o vento e tentar. Você não domina o vento, o vento é louco. Tem que arranjar um jeito de surfar num vento incontrolável que é essa mídia pulverizada. Você tem que se posicionar. É muito mais uma questão de posicionamento do que de interlocução.

Você que lida com o bastidor do Poder – de dentro – o que há de mais instigante? Você acabou virou personagem. O que ficou de tudo desse momento?

Acho que eu tive um privilégio. Existe uma figura, uma velha lenda que é o Triângulo das Bermudas. É um lugar no Caribe onde somem homens, somem navios. Eu acho que eu vi o Triângulo das Bermudas dos escândalos. Primeiro, como jornalista, eu era produtor de escândalos, produzia escândalos para os outros. Depois eu tive uma encarnação, segundo vértice desse escândalo onde eu era cuidador de escândalo; fui enfermeiro do escândalo dos outros. Me faltava a terceira página desse escândalo que era ser alvo de um escândalo e nesse Triângulo do escândalo, onde somem as reputações, as glórias, somem as carreiras. Eu vivenciei esses três lados. Me faltava isso, eu sentir e não apenas eu lidar sobre a dor, eu fui alvo de uma operação da PF (Acrônimo) em junho de 2015, fui acusado de receber propinas.

Fui acusado de tanta coisa durante o processo junto ao BNDES porque eu contratei a futura esposa do governador de Minas Gerais Fernando Pimentel, na época uma jornalista. Eu a contratei (Carolina Pimentel) para que ela fosse minha assistente no caso da briga entre o Casino (grupo francês) versus Abílio Diniz. Ela estava fora do Governo, namorada do então ministro Fernando Pimentel. Nós precisávamos de uma pessoa que tivesse muito acesso com a imprensa e ela estava fora da imprensa, ela era jornalista. Eu sugeri o nome dela um ano depois de já ter sido contratado, ela foi avaliada pelos meus clientes e eles falaram “tudo bem, beleza, coloca ela no seu contrato”. Trabalhou 30 meses comigo, em outubro de 2014 terminou o contrato, ela estava fora do governo. Ela foi um dos 30 contratos que eu tive no período de 5 anos. Nesse período eu trabalhei para OAS, para a CBF, para a FIFA, para gente muito mais polêmica. Nunca imaginei que eu ia ter um problema.

E no que deu?

A coisa foi evoluindo, houve as delações. Meu casamento acabou terminando por causa disso, acabei sofrendo a vergonha da exposição pública, 20 clientes meus sofreram buscas e apreensões, tive minha vida devastada no ponto de vista tributário. Não sofri nenhuma multa da Receita, tive a sorte, não foi uma escolha minha não. E aí quando isso aconteceu, o que sobrou o que para me acusar? Sobrou que eu tinha contratado legalmente uma jornalista e depois Fernando Pimentel (seu marido) foi escolhido pelo PT para ser candidato (e eleito). Essa moça vira sucessora da Sarah Kubitschek e da Risoleta Neves, e eu vivo uma experiência maravilhosa de viver a vergonha de ver a suspeição, de ter contratos suspensos, de ter a minha vida toda transformada de uma hora para outra. Ficar 16 meses em um quarto de hotel, sair de casa, ter um litígio conjugal, ter tido problemas de todas as formas inclusive econômicos e tal.

Teve problemas de saúde?

Não, graças a Deus. Da mesma maneira que as pessoas vão percorrer lá o caminho de Santiago e elas pegam tudo que precisam na vida e reduzem a uma mochila,  você vê o que realmente é essencial na sua vida. Tem excessos que realmente você diminui e vai para o que é essencial. Isso aconteceu comigo e eu não considero nenhuma dessas coisas que eu tive uma perda, eu considero um aumento da minha eficiência.

No livro, você diz que todos somos públicos, a pessoa comum acabou. Cita que ‘nunca nossos erros tiveram tão perto do rosto por causa dessa conexão digital’. Se essa sua crise se passasse anos atrás, sem esse poder de mídia online e redes sociais, você escreveria esse livro?

Não. Eu me senti forçado a escrever justamente por isso. Eu vejo o mundo no celular, eu vejo o mundo na televisão e tem a contramão da interatividade que é aquela coisa bacana, eu estou mais próximo do mundo, o mundo todo está mais próximo de mim. Então, tudo que está mais próximo fica maior, então a escala do erro mudou porque tá tudo mais próximo do outro e tudo que ta mais próximo, e fica necessariamente maior. A pequena falha virou a enorme contradição dentro desta proximidade.

Você é consultor há mais de 20 anos. Acha que seus clientes também evoluíram pessoalmente e profissionalmente, ou seja, estão preparados para ouvir a verdade? Ou só é preciso falar o que é necessário?

Eu acho que sim, o nível de pragmatismo é tão grande que os clientes estão se transformando… Quebrando pactos de lealdade, de honestidade, pactos mafiosos e se transformando em colaboradores judiciais, por exemplo. Antigamente eu trabalhava para acusados, depois passei a trabalhar para acusados de delação, hoje eu trabalho para delatores.

O meu primeiro delator que eu comecei a trabalhar em gestão de crise veio com a seguinte argumentação de conversão. ‘Nossa família tem trabalhado pelo Brasil há mais de 50 anos, mais de 100 anos, agora é a hora de continuar trabalhando pelo Brasil de outra forma’. Então ele via a guinada de 180 graus que ele estava dando, do ponto de vista de atitude como elite, como uma continuidade, não como uma quebra ou contradição: vou continuar colaborando, agora o meio de colaborar mudou.

A elite é muito pragmática e ela se adapta rapidamente.

Diz que o Renan Calheiros, que é um amigo seu, foi o seu maior aprendizado, pelos altos e baixos que ele passou e você conferiu de perto. Os seus clientes políticos também amadureceram?

Durante muitos anos houve um ‘fora Sarney’, como se você falasse assim: eu odeio todos os políticos. O Sarney era a cara da política tradicional. Durante algum tempo o Renan virou ‘fora Renan’, você podia pichar de Manaus até Porto Alegre que todo mundo ia entender isso como um desagravo da política. Você veja o que aconteceu com ele depois da queda da presidenta Dilma Rousseff: ele foi se tornando um crítico. Saiu (do Governo Temer). Não tem nenhum cargo no Governo, virou um cidadão de baixo clero, crítico do partido mais contestado (seu próprio partido, o MDB). Então este é uma metamorfose ambulante, então isso aí é uma beleza de aula como política.

Inevitável perguntar se tem dedo do Mário Rosa nessa guinada do Renan..

(risos) Não, acho que tem dedo do desespero da destituição política dele, de sobreviver. Assim como nós vamos lutar até o último segundo se tivermos dentro de um naufrágio para buscar a vida, o político tenta de tudo para não morrer. Ele é guiado pela intuição.

Já ventilou-se na praça que o consultor seria um amigo para um cliente político, quando este não tem apoio de ninguém.

O consultor assim… São 50 tons de consultor, não existe O Consultor. Para cada cliente você exerce um papel. Por exemplo, eu trabalho agora para o grupo JBS no caso dos irmãos Batista (Joesley e Wesley) da JBS, algo que muito honra. O que eu devo fazer? O que nós devemos fazer no ponto de vista de comunicação? Nada, absolutamente nada. Se fizermos qualquer coisa na área de comunicação nós estaremos prejudicando a área jurídica. Então devemos aguardar o encaminhamento jurídico e fazer absolutamente nenhuma marola. A empresa está funcionando muito bem, a defesa técnica jurídica tem que fluir. Qualquer coisa que nós fizermos na comunicação será algo que poderá causar prejuízo para a condução do processo. Então você veja que coisa difícil.

Evidentemente há angustia do cliente, às vezes: ‘puxa, será que nós podíamos fazer alguma coisa’; e eu quando sou consultado: ‘olha eu acho que devemos ficar quietos porque qualquer ruído que façamos pode ser prejudicial’. Então eu sou pago para dizer para o meu cliente que nós não devemos fazer nada. Se um dia eu for procurado pelo Ministério Público para comprovação do meu serviço, a comprovação do meu serviço vai ser um nada. Você ta entendendo, neste caso… o que você fez lá? Eu fiz nada. Em outros casos você tem uma produção muito ativa, uma produção muito grande de documentos, uma produção muito grande de textos e de teorias e de discursos e de notas e de e de respostas e tudo mais. Muitas vezes você é um trio elétrico na produção de conteúdo e muitas vezes você é um Bossa Nova, uma nota só, um banquinho, um violão, uma coisinha muito discreta. Depende de cada caso

E os clientes políticos?

Nunca atendi políticos profissionalmente, mas o político muitas das vezes está em uma situação… Por exemplo, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), que é minha amiga. Estava lá naquele enrosco com o Ministério (do Trabalho, para o qual foi indicada, mas não tomou posse) e tivemos uma conversa sobre o caso. A minha preocupação com ela era o seguinte: se a senhora virar ministra? Ajudei ela a elaborar uma série de linhas de discurso e tudo mais e coisas que ele ia fazer. Mas evidente que tinham dois traços ali que eram claros, que estavam claros que estavam impedindo ela que não era ela. Primeiro uma vingança contra o pai dela, uma vingança ideológica contra o pai dela pelo fato dele ter denunciado o PT. Havia um ranço e isso é algo que ela devia de alguma maneira, em algum momento expressar. Em segundo lugar, o episodio da lancha, onde apareciam aqueles homens. Aqueles eram amigos de infância. Mulher não pode ter uma lancha? Quer dizer que se ela estivesse dentro da cozinha ou lavando roupa e falasse aquela mesma coisa, homens com bata, batina aí não tinha problema nenhum…

Isso reflete um pouco sobre o que você falou no livro de nós termos torcedores e eleitores. Na relação sociedade-política, o que mais temos hoje: mais eleitores ou torcedores?

Acho que sinceramente esse mundo onde nós vivemos, os profissionais da imprensa e da opinião pública, vivemos em Versalles, mas não sabemos nada da França, nem de Paris. Me dá a sensação de que a gente vive em Sucupira eterna (cidade imaginária tema de novela). Nós vivemos nessa sucupira onde tem os haters e onde tem os que se posicionam a favor e tudo mais que é esse ambiente dos debates acalorados, e Sucupira às vezes declara guerra ao mundo e o mundo todo fica sabendo. Então eu acho que a gente vive em uma grande sucupira mental.

Você falou sobre a importância do Jurídico, que deve ser ouvido antes de decisões de comunicação. Como vivemos uma judicialização da política, isso mexeu com a relação do consultor de imagem com as empresas?

Tudo é a Justiça, então a gente tem que respeitar a questão jurídica. Na batalha de opinião pública, a gente tem que ficar vendo onde isso vai terminar e o alinhamento com o final é o jurídico que decide o que pode ser feito, mas você pode fazer o melhor alinhamento de relações públicas no dia seguinte sem que isso tenha divergência com a melhor estratégia do jurídico daqui a 10 anos. Como há muitos anos eu trabalho com criminalistas, eu tenho uma intuição jurídica. É mais uma questão de empacotar bem uma resposta, de produzir uma evasiva eloqüente, que é uma das funções de um consultor de crise, de maneira que pareça uma responda esclarecedora, mas que não seja uma resposta comprometedora.

O conceito de gestão de crise deve ser repensado?

Há o princípio de que as crises têm um padrão. A hora de pensar sobre crise é antes, a hora da crise é hora só de agir. Então você pode se planejar previamente: aconteceu isso aqui… o que agente vai fazer? Como é melhor dizer? Quando nós vamos dizer? Tem uma série de procedimentos sobre como agir para cada coisa. Ninguém acredita muito em prevenção. Ainda considera despesa. Veja como são as coisas: todo prédio tem uma escada de emergência, você faz uma escada de emergência que é uma despesa inútil. Se Deus quiser você nunca vai usar, mas todo mundo faz. No caso dos escândalos, o sujeito prefere pegar fogo, gastar com advogados, destruir a companhia. do que fazer a escada de emergência.

A gestão de crises que eu ajudei a topicalizar é uma gestão de condução de problemas criminais, escândalos, opinião pública. Tivemos que adaptar porque o maior empresário do País é o Estado e o maior ponto de negócio do Brasil é a fronteira entre o público privado. Então tivemos que trazer um caso assim, adaptar para esse tipo de fornecedor aonde é a faixa de Gaza dos escândalos do Brasil. É ali naquela fronteira onde acontece, onde eclode todos os escândalos de diferentes naturezas.

Pensou em desistir depois de tudo que aconteceu com você após a Operação Acrônimo? Conseguiu manter seus clientes ou os perdeu?

Não, eu fui descontinuado. Eu naturalmente entendo isso e as pessoas se afastam de problemas, e eu me tornei um problema. Tive que ter uma clareza de não me tornar um problema, assim como eu recomendei a vida inteira com os outros.

Vê um pouco de maldade ai da concorrência?

Pode ter havido isso, mas eu sinceramente, eu acredito que todos aqueles que deram um conselho de que se afastem de mim em um período em que eu estava sobre suspeição deram um bom conselho aos seus, porque era o conselho mais prático, pragmático. Então as pessoas não precisam carregar a cruz dos outros, elas já carregam a sua. É assim que é. Evidentemente eu fiquei muito vulnerável.

Você está revitalizado?

Eu saí da UTI e estou na enfermaria, eu não tive alta, mas assim já estou podendo comer já estou liberado da sopa, já posso comer uma canjinha.

Já recusou ofertas? Você é um consultor que escolhe seus cliente há muito tempo..

Já. Em geral eu não recusei convites. Eu nunca trabalhei com crimes de sangue, com questões de narcotráfico, com organizações criminosas. Eu vou até o colarinho branco, dali em diante eu paro. Eu não sou um advogado criminalista, vou até um ponto. Já recusei Isso é um namoro, isso tem que ter uma química. Nesse período que eu fiquei fragilizadíssimo vou confessar para você que meus critérios de ‘dizer não’ ficaram bem mais flexíveis, mas eu quando eu era exigente, eu era a menina da boate muito disputada, eu não saía com qualquer rapaz não, eu era chata e marrenta, eu escolhia.

Há um trecho em seu livro, a relação com sua mãe na adolescência. Numas férias ela o colocou de castigo e você ficou na janela vendo amigos brincarem. Citou o poder da observação. O consultor nasceu neste momento?

Acho que minha mãe foi o meu grande coach porque eu fui filho de uma mãe bipolar, tive um irmão bipolar. Minha mãe era uma pessoa que era maníaco-depressiva que acordava três horas da manhã para limpar a casa. Seus gritos, meu medo, as surras.. eu vivia trancado no armário o tempo todo, muitas vezes não podia ser visto, se fosse visto eu não sabia o que poderia acontecer comigo, então isso ela me treinou para estar em um estado de alerta permanente e entender qualquer mínimo sinal, para me posicionar. Eu não tive uma infância, tive uma gestão de crise. Aí quando eu me vejo em uma profissão que nem existia, eu estava lá em um negócio cheio de riscos e perigos e para ajudar pessoas nos seus piores momentos

Depois de ter vivido isso pessoalmente e ter experimentado a dor, e ter visto que a minha dor é nada perto da dor que muitos outros viveram, daquelas que tiveram a vida destruída, isso me deu a noção real de quanto amargas são as coisas na vida. Isso acabou me formando, me deformando, para que eu tivesse um tipo de qualidade que gostasse de conviver com pessoas desequilibradas e pudesse observar as coisas de fora, e pudesse ter prazer em viver, e eu tava acostumado desde cedo a viver situações de extrema imprevisibilidade, de medo, e eu já tinha vivido isso tão pessoalmente que qualquer outra experiência não me afetava tanto.

Seu o seu eu clone encontrasse você hoje, o que Mário Rosa falaria para Mário Rosa?

Me conhecendo ele não diria nada. Não me conhecendo ele falaria uma coisa não polemica e completamente superficial para evitar arestas. Faria um comentário diplomático para evitar polêmicas.

*Por Leandro Mazzini, com Walmor Parente e Maciel Neves

 

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