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Sertanejos paraibanos driblam crise da seca com venda informal de artigos da Copa

A Copa do Mundo não está movimentando só as cidades-sedes ou os grandes centros urbanos do País. O entusiasmo, a animação e o envolvimento dos brasileiros diante do grande espetáculo esportivo estão em todos os lugares, aquecendo principalmente um dos setores mais importantes para a economia popular, o comércio informal.

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Em cidades pequenas do interior, encravadas no Sertão da Paraíba, é impressionante como os artigos voltados para os torcedores como bandeirinhas, camisetas, bonés e cornetas estão vendendo e fazendo a alegria daqueles que buscam na informalidade uma fonte de renda para alimentar a família.

No município de Itaporanga, distante 420 quilômetros de João Pessoa, e com uma população de cerca de 22 mil habitantes, o comércio informal de vendas de artigos para a Copa do Mundo tem ajudado e muito aqueles que sofrem com a estiagem e a falta de recursos financeiros para o sustento da casa, por contra da crise proporcionada pela seca.

Um dos defensores dos sertanejos e que luta contra o sofrimento causado pelo clima do semiárido nordestino, o padre Djacy Brasileiro, pároco do município de Pedra Branca, a 5 quilômetros de Itaporanga, disse ao Portal Correio que está entusiasmado com o que está vendo nas ruas dos municípios do Sertão.

Vendas aquecidas fazem a alegria dos vendedores

Foto: Vendas aquecidas fazem a alegria dos vendedores
Créditos: Reprodução/ Facebook/ Padre Djacy 

“Desde o início de maio, quando a Copa do Mundo se aproximava, a movimentação nos municípios começava a mudar. O próprio povo começou a ver que a paixão pelo futebol e pela Seleção Brasileira iria extravasar de qualquer jeito e a venda de artigos da Copa começava a se mostrar como uma fonte de renda e seria uma ótima oportunidade para ganhar um dinheirinho para alimentar a família”, contou o padre.

Pelas ruas de Itaporanga, o vendedor ambulante conhecido como Jonatas não consegue esconder a alegria. “Graças a Deus as vendas estão muito boas. Pelo menos enquanto estiver acontecendo a Copa do Mundo, o apurado está dando para ajudar nas despesas de casa. Depois de tanto aperreio por conta da crise da seca, agora temos condições de aliviar a barra um pouco”, disse, entusiasmado.

Após deixar o roçado de lado por conta da irregularidade das chuvas dessa época, ele não se arrependeu de trocar a enxada momentaneamente por um banquinho na principal avenida da cidade.

“A gente gosta da roça, mas no momento a melhor coisa é procurar uma forma alternativa de ganhar dinheiro e nessa temporada de Copa, sem dúvida, a venda desses artigos tem sido a melhor opção”, explicou.

Nas pequenas cidades da Paraíba, vem sendo comum encontrar ruas ornamentadas e decoradas com os artigos da Copa do Mundo. A decoração também está estampada nas fachadas das casas, dentro dos imóveis e nas vestimentas de cada torcedor.

“É uma alegria contagiante e todo mundo fica empolgado, tanto na cidade mesmo, como nos povoados e comunidades rurais”, contou padre Djacy que costuma visitar os municípios do Sertão da Paraíba e através das redes sociais mostrar as condições de vida do sertanejo que vive no semiárido.

 

No Interior, ruas são enfeitadas pela torcida brasileira

Foto: No Sertão, ruas são enfeitadas pela torcida brasileira
Créditos: Reprodução/ Uiraúna net 

 

Além do aumento na procura dos artigos oferecidos pelos vendedores ambulantes que se instalam nas ruas centrais das cidades, há quem utilize a própria residência e a transforme em um ponto de vendas. Nesse caso, a festa proporcionada pela Copa faz com que aumente as vendas até de itens de produção doméstica como picolés de saquinho, sorvete, água mineral, água de coco, cocadas e outros doces.

“Para mim, é uma felicidade muito grande vê que o povo sofrido vem encontrando uma maneira de melhorar a situação financeira e aliviar o sofrimento. Mesmo com tanta crítica e muita gente se posicionando contra a Copa do Mundo aqui no Brasil, eu percebo que o evento vem mostrando um outro lado da questão, o lado do brasileiro pobre e batalhador, que está encontrando um meio de sobrevivência e de ganhar um dinheirinho para alimentar a família”, analisou.

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