A Paraíba é um dos três estados selecionados como região-piloto para implementar o Centro de Desenvolvimento Regional (CDR). Trata-se de um esforço para alavancar o setor produtivo e a economia no interior. Sete projetos acadêmicos serão implementados na Região ancorada por Campina Grande, os quais somam um investimento de R$ 3,6 milhões oriundos de convênio entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Governo do Estado.
O CDR integra o conhecimento acadêmico e a capacidade produtiva local para implementar
estratégias inovadoras em atividades econômicas corriqueiras. São projetos voltados para o uso sustentável de recursos hídricos, geração de energias renováveis, recuperação da vegetação degradada, apoio à agricultura familiar e economia local.
O CDR está em fase de implementação na Paraíba com o apoio do Governo do Estado, pela
Secretaria Executiva de Ciência e Tecnologia (SEECT) e a Fundação de Apoio à Pesquisa da
Paraíba (Fapesq). É uma iniciativa do Ministério da Educação e coordenado nacionalmente pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).
“A ideia dos CDR é usar os conhecimentos existentes nas instituições de ensino superior e nos institutos de ciência e tecnologia para tratar os desafios do desenvolvimento nos territórios. A Paraíba é caracterizada por ser um celeiro de pessoas que pensam o Estado e a Nação brasileira”, afirma a coordenadora nacional do Programa CDR, Betina Ferraz, pelo CGEE.
Ferraz continua explicando que o projeto é alinhado às diretrizes da Agenda 2030 promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU): “O CDR tem um pé na ciência e tecnologia e o outro na promoção do desenvolvimento sustentável. Esse desenvolvimento precisa ser inclusivo. Fazemos isso quando colocamos comunidades, poderes públicos e setores da economia para dialogar em torno de uma carteira conjunta”.
Segundo o Secretário Executivo da Ciência e Tecnologia, Cláudio Furtado, a implantação do CDR reflete o conceito da Tríplice Hélice, um um modelo de desenvolvimento reconhecido
internacionalmente que reúne universidade-indústria-governo.
“A formação da agenda do CDR teve início na Paraíba em 2018, quando representantes da sociedade civil, do governo e das universidades de municípios da região de Campina Grande se reuniram em fóruns. Os participantes identificaram as necessidades para uma produção mais eficiente, com menos desperdício e melhores resultados”, informou Furtado.
A experiência-piloto será feita também no interior do Rio Grande do Sul e em São Paulo para dimensionar a ação em territórios com características sociais e econômicas diversas.
“O CDR trará mudanças estruturais para a Paraíba. As instituições de educação superior da Paraíba irão prover instrumentos inovadores para o desenvolvimento de novas atividades econômicas, novas políticas públicas, além de outros insumos para o desenvolvimento regional. Pensando sempre nas características de cada localidade, e não de uma forma homogênea, como normalmente são as políticas públicas”, afirma Paulo Barone, assessor da comissão de desenvolvimento regional do Senado Federal e idealizador do projeto.
Conforme o coordenador do CDR na Paraíba, Gesinaldo Ataíde Cândido, professor na
Universidade Federal de Campina Grande, os projetos paraibanos melhores posicionados no
ranking foram aqueles com alto retorno social. Dentre eles, o projeto “Disseminação do uso de energia solar de forma comunitária e compartilhada”, que visa à capacitação técnica, aplicação e articulação política para o uso descentralizado de energia solar fotovoltaica, coordenado pelo professor do IFPB, Walmeran Trindade.
“O projeto se estrutura em três bases de conhecimento para fazer a instalação de pequenos sistemas de geração de energia em propriedades rurais familiares, pequenos empreendedores, escolas; em cooperativas de compartilhamento de energia a serem criadas. E a fase final é buscar o envolvimento de prefeituras de pequenos municípios para que façam a adesão a esses sistemas de geração de energia”, explicou o professor Walderan Trindade.
A coordenação na Paraíba do CDR analisou mais de 450 projetos acadêmicos afins a tais
demandas e pré-selecionou as propostas. Sete projetos foram aprovados pela coordenação
nacional, juntamente com o governo da Paraíba, com foco em:
– Disseminação do uso da energia solar fotovoltaica descentralizada em áreas rurais e
urbanas
– Práticas de conservação e recuperação de áreas degradadas através do uso de
tecnologias alternativas
– Desenvolvimento de sistema simplificado de irrigação localizada por capilaridade para a
agricultura familiar no semiárido
– Reuso da água proveniente de esgoto doméstico tratado para a produção agrícola em
comunidades rurais
– Construção de um Sistema Interativo para os empreendimentos agroindustriais da
Agricultura Familiar da 3ª Região Geoadministrativa do Estado da Paraíba.
– Filtro de Água UV+G (Ultravioleta + Gravidade)
– Sistema de produção de biogás e biofertilizantes em empreendimentos agroindustriais 3ª Região Geoadministrativa do Estado da Paraíba