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Sexo forte

Tem muito homem besta que acredita ser parte forte dos gêneros. E que as mulheres (vejam que tolice) são o sexo frágil.

Não poderiam estar mais enganados.

Este é um engano, aliás, facilmente desmistificado.

Não vou pinçar aqui retóricas feministas intangíveis para contrariar o senso comum machista. A têmpera feminina é plenamente mensurável. E os números provam esta fortaleza.

Elas, por exemplo, vivem mais que os homens.

Verdade. De cada dez brasileiros que ultrapassaram a casa dos cem anos, pelo menos sete são mulheres.

O Censo 2010 do IBGE comprovou o fenômeno: naquele ano haviam 24 mil 236 brasileiros com mais de cem anos. Sabem quantas eram mulheres? Mais de dezesseis mil (exatamente 16 mil 989 contra 7 mil 247 homens). Como diziam lá no Derby, elas dão uma surra de capote.

A performance se repete entre os não tão longevos. No geral, as mulheres vivem em média sete anos a mais do que homens.

Sabe por quê?

Porque são mais espertas.

Não sou eu que digo. É Darwin e sua teoria da evolução, quando aponta que só os mais espertos e adaptáveis resistem.

A verdade é que as mulheres se cuidam mais. Se alimentam melhor. Vão com mais regularidade ao médico. Fogem sabiamente de confusões que envolvam armas.

Por todas estas razões são maioria entre os centenários.

E isto não significa que tenham uma vida plácida. Não se encontram dondocas entre as longevas.

Muito pelo contrário.

Uma das características básicas do perfil das mulheres centenárias é de que são sobreviventes emocionais.

A maioria delas viveu situações adversas – perderam seus maridos muito cedo; cuidaram sozinhas de prole extensa; viveram momentos de dores e aflições.

O Nordeste também comprova a têmpera e o poder de adaptação das mulheres. Em uma das regiões mais pobres e sofridas – onde estão 28% da população brasileira – 42% dos centenários são mulheres.

Estamos falando de mulheres que nasceram no início do século passado. Naquela época, a expectativa de vida era de apenas 40 anos. E conseguiram viver muito além da expectativa atual, que é de 70 anos.

Também naquela época, a mão de obra feminina respondia por apenas 15% da força de trabalho. Hoje estão ombro a ombro, vivendo as tensões e distensões do mercado. E se é verdade que na pressão elas se fortalecem, imaginem o que vem pela frente…

De uma coisa tenho certeza: não é possível confundi-las com fragilidades.

Eu conheço de perto essa força.

E entre todas essas milhares de longevas, me concedo o direito de pinçar uma que exemplifica, com cem por cento de justeza, a têmpera feminina.

Minha escolhida é a amiga Dona Hermosa, a quem já havia dedicado artigo publicado na edição de 22 de fevereiro de 2015 do Jornal Correio. Relembre aqui.

Hoje com 103 anos, Dona Hermosa é a prova próxima, fraterna e inequívoca de que a longevidade exige superação. E a capacidade de enfrentar, com coragem, as tristezas inevitáveis em uma vida tão longa.

Na força de Dona Hermosa, meu reconhecimento de que, se há elo frágil nessa cadeia humana, a fragilidade vive deste lado de cá, machucando o ego masculino.

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