Supermercado de JP retira 201 kg de carnes suspeitas; órgãos reforçam ações

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O Carrefour informou nesta quarta-feira (22) que retirou das unidades de João Pessoa mercadorias de duas das 21 fábricas investigadas na Operação Carne Fraca da Polícia Federal. Segundo a rede, foram retirados 102 quilos na unidade dos Bancários e 99 quilos na unidade do Bessa. A informação foi divulgada pelos Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público da Paraíba (MP-Procon) e Procon de João Pessoa, que realizaram audiência nesta quarta. Veja abaixo orientações e cuidados alertados pelas autoridades.

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O diretor do Carrefour nos Bancários, João Emanuel Silva, informou que as lojas Carrefour receberam, na segunda-feira (20), uma orientação da matriz para que fossem segregadas todas as mercadorias das fábricas investigadas Ainda segundo o diretor, a identificação das fábricas ocorreu pelo Selo de Inspeção Federal (SIF). Os produtos eram das fábricas BRP, em Mineiros, no estado de Goiás, e da JBS, no município de Lapa, no Paraná. Ele ressaltou que, até o momento, não houve determinação para a retirada dos produtos, mas o Carrefour já fez a retirada preventiva. Além disso, o Carrefour bloqueou preventivamente o recebimento de produtos das fábricas investigadas nos seus centros de distribuição.

Quanto ao procedimento de segregação, foi explicado que o produto é separado, ainda dentro do frigorífico da loja e identificado como mercadoria impossibilitada de venda. O diretor informou ainda que o único fornecedor local de produtos de origem animal é a fábrica Mauricéa, com sede em Pedras de Fogo (PB) e em Pernambuco. Que os produtos bovinos, carpinos e suínos vêm de outros estados.

Ainda de acordo com o diretor, o Carrefour tem um meio de comunicação de recall próprio, no qual é feito um monitoramento de qualquer indício de comercialização de mercadoria que possa ser nociva à saúde pública. Quando isso é identificado, as unidades recebem o alerta da matriz e têm duas horas para saber se a loja tem o produto e fazer a retirada dele, se encontrado. Segundo o diretor, as lojas têm 24 horas para quantificar a mercadoria e informar a matriz. Caso esses prazos não sejam cumpridos, as unidades recebem uma notificação interna.

Ele explicou também que a identificação do produto pontuado é feito in loco tanto na área de venda quanto no depósito. “Tanto na loja quanto no depósito existe uma separação por segmento de mercadoria, facilitando a identificação”, declarou João Emanuel.

O diretor-geral do MP-Procon, Glauberto Bezerra, requisitou uma cópia da documentação recebida pelas lojas Carrefour, com a determinação da segregação dos produtos investigados na Operação Carne Fraca.

Glauberto Bezerra disse ainda que o MP-Procon já oficiou à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério das Justiça, para que informe quais lotes nos quais foram encontradas irregularidades. Ele disse ainda que a rede Extra de supermercados vai encaminhar ao MP-Procon ofício ainda hoje informando a retirada dos produtos que possam ter das fábricas investigadas.

O promotor destacou ainda que há presteza por parte das redes de supermercados em adotar medidas preventivas assim que houve a operação da Policial Federal.

Agevisa

Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) informou nesta quarta-feira (22) que vai intensificar as ações fiscalizatórias para ampliar a segurança sanitária da população no consumo de carnes e derivados em todo o estado. A informação é da diretora-geral Maria Eunice Kehrle dos Guimarães.

Ela informou que, em observância à legislação vigente, a Vigilância Sanitária é responsável pela fiscalização em estabelecimentos que comercializam esses produtos, tais como frigoríficos, supermercados, distribuidoras etc., sendo as áreas de abate e produção de responsabilidade dos órgãos da Agricultura.

Durante as fiscalizações de responsabilidade da Vigilância Sanitária, Tatiane Lucena disse que, uma vez constatadas irregularidades nos produtos, estes são retirados imediatamente de circulação, e, a depender das irregularidades identificadas, são aplicadas sanções administrativas, previstas na legislação sanitárias, que vão da advertência, multa, apreensão e inutilização dos produtos até a interdição dos estabelecimentos.

No caso de infrações como, por exemplo, adulteração na data de validade, reembalagem irregular, acondicionamento em temperatura inadequada e venda de produtos sem comprovação de procedência, as responsabilidades recaem sobre os estabelecimentos que comercializam (supermercado, frigorífico, por exemplo).

Com relação às alterações derivadas do processo industrial, como os apontados pela Operação Carne Fraca, estas são comunicadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e demais órgãos competentes, para que estes tomem as medidas cabíveis.

Orientações

Segundo o diretor-técnico de Medicamentos e Alimentos da Agevisa, César Santos, em face da gravidade das denúncias feitas pela Polícia Federal, a orientação na Paraíba é que tanto a Agevisa quanto as Visas Municipais intensifiquem as fiscalizações em suas respectivas áreas territoriais de competência.

Quanto aos cuidados que devem ser tomados pela população, ele observa que as pessoas devem consumir produtos de procedência segura, ou seja, que possuam certificação dos órgãos da agricultura. “Além disso, é de suma importância que se observe no momento da compra se os produtos apresentam indícios de avaria, como por exemplo: alteração da cor, de textura ou de odor”, ressaltou. E acrescentou: “As carnes íntegras devem possuir coloração avermelhada, textura não pegajosa, além de não possuírem cheiro desagradável”.

Neste momento, a orientação da Vigilância Sanitária é no sentido de que sejam priorizados produtos in natura, evitando-se produtos embalados e, sobretudo, aqueles ultraprocessados, a exemplo de salsichas e linguiças.

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