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Tempo de fazer amigos

O tempo de fazer amigos é na infância.

A teoria, verdadeira lenda urbana, tem lá seus fundamentos: de fato, as amizades da infância têm um valor qualitativo inquestionável: a pureza, o desinteresse, o gostar pelo gostar regido pela empatia, consolidado na vizinhança da carteira escolar, na divisão do lanche no recreio…

Quando não pesa o que você tem ou deixa de ter. E não importa o que você vai ser quando crescer.

Quando conveniência não tem significado algum. E o senso de oportunidade se resume a ter tempo para brincar juntos.

Quem, como eu, tem amizades construídas na maternidade – que o diga Abraão, dois dias mais novo e amigo desde então – sabe mensurar com exatidão a grandeza das relações construídas na inocência da infância.

Mas na medida em que o tempo passa – e a maturidade nos lapida emocionalmente – começamos a enxergar o valor da amizade em qualquer tempo – de preferência o tempo todo, em todas as fases da vida.

E posso atestar, com a chancela de uma vida dedicada a construir amigos: o culto à amizade é uma ação das mais poderosas que conheço.

É, sem dúvida, transformadora. Engrandecedora.

É, talvez, nosso traço mais humano.

Abro aqui um parêntese para uma ponderação: amigo e amizade não são – embora pareçam – a mesma coisa.

Porque amigo – aquele do peito e para sempre – é seletivo. Acontece e só permanece forjado nas experiências compartilhadas e no tempo – criaturas que jamais irão mudar, esteja você na opulência ou na decadência.

Não sem razão, eles são contados na palma da mão.

A amizade, por outro lado, é plural. Irrestrita. Só depende da nossa disposição.

Para fazer amizade é preciso estar disposto, por exemplo, a tratar bem.

A conhecer o outro, a entendê-lo, valorizá-lo.

E essa disposição – quem me conhece sabe disso – eu tenho desde o berço.

Por temperamento e graça divina, conservo este hábito desde que me entendo por gente. O que me faz seguir nesta eterna semeadura do bem, colhendo amizades onde quer que vá.

Os novos amigos são sempre bem vindos. Os antigos, trabalho para que permaneçam.

E mesmo aqueles que desgarraram no tempo-espaço da vida, levados pelas circunstâncias para mais longe, um dia descobrirão que estou à porta, numa missão de resgate e de apego.

Pois se tem uma circunstância que não admito é a perda de amigo – nem pra lonjuras; nem tampouco por vicissitudes da vida.

Amizade feita é amizade mantida.

Costumo dizer que sou um colecionador de amigos. E – acredite – esta é uma coleção vasta.

É, também, eclética.

Tenho amigos de várias nacionalidades. Credos. Condições sociais.

Tenho amigos de todas as idades – de Dona Hermosa, com seus 104 anos, e

Teotônio Neto, 98, à garotada que aderi e incorporei das amizades com meus filhos e netos.

E me enriqueço – como ser humano – com todos eles.

Porque, como disse e repito, amizade é uma força poderosa; prima em primeiro grau do amor, com uma função muito especial:

Afugentar a solidão e nos ajudar a ser felizes!

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