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Tempo de UTI

Ninguém gosta de Unidade de Terapia Intensiva. E é compreensível o porquê:

UTI é lugar de gravidade. De riscos. De privações.

E quando enfrentamos o dissabor de necessitar de cuidados intensivos (seja para recuperar a própria saúde ou de amigos e parentes), a grande pergunta é: quando sairemos dela?

Porém, dure o tempo que durar, não vemos parentes ou pacientes fazerem protestos para abreviar os dias de UTI. Todos sabem que essa decisão cabe exclusivamente à equipe médica.

Já pensou se isso ocorresse? O desastre, com certeza, estava feito. Teríamos UTI’s apinhadas de parentes, exigindo a alta a qualquer custo.

Se a moda pegasse, leitos seriam ocupados em protesto, impedindo o uso para salvar vidas e recuperar a saúde de mais pacientes.

Felizmente, nunca tive o desprazer de testemunhar nada parecido.

Assim como não vi protestos nem ocupações quando acompanhei – como empresário, economista e curioso – as enfermidades financeiras dos Estados Unidos.

Em 2008, a bolha imobiliária que deteriorou todo o sistema econômico do País de fato levou a América para a UTI. E medidas muito amargas foram necessárias para tirar o gigante do leito.

Medidas que surtiram efeito. De lá pra cá tenho acompanhado a recuperação fantástica dos EUA.

Um restabelecimento que, em nenhum momento, envolveu milagres econômicos. Pelo contrário.

Pé no chão, encarando a realidade e o pacote de sacrifícios que ela demandava, o povo americano mostrou sua imensa capacidade de enfrentar e administrar seu tempo de UTI.

A cada ano que lá retorno tenho a satisfação de constatar a franca recuperação da economia do País, embora eles ainda não tenham alcançado as dimensões que tinham antes da crise.

Passados oito anos, os EUA saíram da Unidade de Terapia Intensiva. Mas ainda estão em convalescença.

E o nosso Brasil?

Como – e em quanto tempo – vamos nos recuperar economicamente?

Diferente dos Estados Unidos, não temos a mesma pujança. Ou seja: nossa enfermidade financeira é ainda mais grave do que a americana.

E nossa jurisprudência de crise atesta que não temos, também, a mesma tenacidade e disposição para enfrentar os cuidados intensivos.

Somos uma nação de pagadores de promessas de milagres econômicos.

Para piorar o que já é bastante ruim, assistimos minorias despreparadas e sindicalistas ideologicamente comprometidos tramando contra o País e contra a nossa recuperação.

E o que ainda é mais temerário: usando táticas das décadas de 50/60, de mobilização dos jovens, menores de idade, como massa de manobra.

Ou já não vimos esse filme antes? É uma xerox perfeita dos meus tempos de secundarista.

Passados mais de 50 anos, não se renovam.

Será que não têm a mínima noção da evolução dos tempos?

Será que não veem, com suas visões limitadas, que o mundo contemporâneo não permite mais este equívoco?

Rogo a Deus que ilumine nossa nação. E que o Brasil consiga alta dessa UTI com brevidade.

Vamos dar as mãos. Unir as forças do patriotismo. Pois pelo visto não vai ser fácil.

Direto de algum túnel da história (que deveria ter ficado no passado), eles demonstram que ainda não basta. E que ainda não foi o suficiente tudo o que já fizeram contra o nosso País.

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