Nova Iorque é a capital do mundo, inquestionavelmente.
É, talvez, o retrato mais fidedigno da jornada humana – uma radiografia nua e crua, linda e extrema, de todos os nossos contrastes. No metro quadrado mais caro do mundo, polegadas separam mecas financeiras de moradores de rua; de multimilionários a pedintes.
Na minha imersão escolar, vivi por um mês nessa parafernália que nunca para e tudo oferece.
Óbvio, desfrutei: assisti aos seus melhores shows, comi nos seus bons restaurantes, me misturei entre seus 8 milhões de moradores – a gente privilegiada que habita Manhattan, a ilha onde pulsa o coração do planeta.
Tinha muito para contemplar, mas meu olhar treinado – viciado até – nas coisas da comunicação me levou para as bancas de revista. E o que vi lá me fortaleceu a convicção de que estamos certos.
Sim, acertamos quando decidimos manter vivo e pulsante o Jornal Correio.
Permanecendo nesta missão empresarial de levar para as ruas da Paraíba o único jornal privado de circulação diária do Estado.
A convicção vem de uma bíblia cosmopolita contemporânea – nada mais nada menos que o jornal The New York Times.
Trouxe alguns exemplares para mostrar aos amigos e colaboradores. E para manter ao alcance das mãos a prova viva e pujante da força da mídia impressa.
As edições de domingo são inacreditavelmente grandes. Entre os diversos cadernos, recheados de informações e repletos de anúncios, três boas revistas semanais são encartadas.
Como diria Caetano, quem lê tanta notícia?
O mundo.
Não podemos – claro – fechar os olhos para os problemas. O próprio The New York Times não esconde nem maquia suas perdas de assinantes em meio a forte concorrência dos diversos outros canais de informações – com destaque para a instantaneidade da web, com a qual ele mesmo concorre com sua versão online.
Mas diante dessas edições volumosas (recheadas – repito – de informações e abarrotada de publicidades), ouso provocar:
Calem os arautos que pregam contra a mídia impressa! Desmascarem os falsos marqueteiros do caos editorial!
Eles, sim, estão equivocados. Ou no mínimo distraídos pelo imediatismo das novas mídias.
E das páginas do NYT, mais uma vez, ergue-se a pá de cal definitiva desse delírio.
Na edição do domingo, 27 de setembro, uma das empresas mais profissionais e evoluídas do mundo (seja tecnologicamente; seja mercadologicamente) escolheu justo a mídia impressa para o lançamento mundial de seu novo produto.
Estou me referindo a ninguém menos que a Apple.
Em um caderno especial de quatro páginas, a multinacional norte-americana que comercializa produtos eletrônicos nos cinco continentes anuncia ao mundo a chegada do “the amazing Iphone7”.
Estamos falando de uma ação de marketing que certamente custou aos cofres da Apple muitos milhares de dólares – e que, com toda a certeza, foi definida com base em sondagens e números que referenciam o investimento.
A Apple – e não uma empresa aventureira, testando o mercado – é a prova dos nove; o atestado definitivo da necessidade de participação na mídia impressa.
Entre tantas plataformas disponíveis para escolher lançar seu novo produto (algumas, inclusive, de mais baixo custo), o veredicto da Apple foi o jornal impresso. E não podemos supor, nem de relance, que se trata de ação de amadores. Ou tampouco uma escolha aleatória.
A Apple fez esta escolha porque a mídia impressa tem força. Tem alcance. Tem conteúdo. Tem credibilidade e visibilidade.
Na capital do mundo, numa empresa do planeta, eu entendi, emocionado, que meu afeto pelo jornal tem muito mais fundamento e consistência do que esta latente – e nunca ausente – paixão.