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Todos os Homens da Presidente

Quando determinado órgão ou empresa reúne seus principais líderes, em
caráter emergencial, para discutir soluções diante de algum grande
problema, têm-se instalado o que se costuma chamar de “Gabinete de
Crise”. Os ‘GCs’ são ativados excepcionalmente e, na maioria das vezes,
têm curta duração; salvo quando a situação exige um prazo maior. Pois
bem, a situação do Governo Federal é tão crítica, com o país vivenciando
crises endêmicas que se retroalimentam toda semana, que o ‘GC’ da
presidente Dilma Vânia, vem funcionando de forma ‘on line’, nos últimos
tempos, aqui em Brasília.

Não existem mais feriados e fins de semana, todo dia é dia de
administrar uma nova crise. E, embora os membros do GC da Dilma tenham
conseguido finalmente, na reunião de ontem, avançar na proposta de
cortes de gastos e de Ministérios – na ordem de R$20 bilhões – (a se
confirmar a partir de hoje), cada um dos ‘Homens da Presidente’ começam,
agora, a ter as suas próprias crises. Nenhum está sendo poupado:
Joaquim Levy, Ministro da Fazenda, que sempre foi contestado pelo PT,
ficou enfraquecido com as ultimas decisões da presidente e começa a ter
seu mandato questionado pela indústria e pela grande imprensa.

Da mesma forma José Eduardo Cardozo, Ministro da Justiça. Em que pese já
ter colocado seu cargo à disposição uma vez, enfrenta agora a ira de
hostes do PT que o acusam de não ter nenhum controle sobre a Polícia
Federal e que, embora subordinada ao seu cargo, acaba de requerer ao STF
que o ex-presidente Lula seja ouvido no processo da Lava Jato. Edinho
Silva, Ministro Chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência foi
indiciado pela Procuradoria Geral da República, ao STF, também na
Operação Lava Jato, por responsabilidades na coordenação financeira da
última campanha da presidente. Aloizio Mercadante, sempre contestado
pelo PMDB, e pivô do afastamento do vice Michel Temer da articulação
política do Planalto, também foi denunciado semana passada pela PGR ao
STF, embora, ainda, sem vinculação direta com a Lava Jato.

E o seu sempre porto seguro, o ex Presidente Lula, até aqui blindado das
investigações, terá que cuidar de sua defesa caso a PGR e o STF aceitem
o pedido da Polícia Federal para que ele seja ouvido sobre o
‘Petrolão’.‘Taí’ o núcleo da coordenação do atual Governo, caro leitor.
Os membros do GC da Dilma estão com enormes dificuldades de ajuda-la a
transpor as crises coletivas de seu gestão – cada vez mais intensas e
agudas – por que cada qual tem, agora, sua própria crise pessoal. Não
está fácil. Agosto passou, setembro veio pior e o horizonte aponta um
outubro sem precedentes. O que se comenta é que o dia 15 de novembro
seja a data limite para a presidente estabilizar o país e,
consequentemente, sua manutenção no cargo. Ou um ou outro…

Questão de Ordem

A oposição deve iniciar amanhã no plenário da Câmara dos Deputados os
pedidos de “questão de ordem” ao presidente Eduardo Cunha, sobre os 13
pedidos de impeachment na Mesa Diretora. A “questão de ordem” é
suscitada sempre que um assunto se revele mais urgente e importante que
os demais constantes da pauta.

Estratégia

Como já revelado, se provocado pelo plenário, o presidente Eduardo Cunha
deverá negar provimento aos pedidos de impeachment, decidindo pelos
seus arquivamentos. Mas, os deputados poderão recorrer de sua decisão e
votar, por maioria simples, a abertura da análise dos pedidos de
impeachment.

Estratégia 2

Se os recursos forem aprovados, Eduardo Cunha deverá, então, criar uma
Comissão Especial formada por representantes dos 28 partidos na Câmara,
para que se apresente um relatório sobre os pedidos. O prazo a ser dado
deverá ser de 30 dias, suficientes para o TCU concluir, por sua vez, o
relatório das pedaladas fiscais.

Estratégia 3

De posse do relatório, o Plenário da Câmara votaria pela abertura ou não
do processo de impeachment propriamente dito. Passando, a bola vai ao
Senado onde, em sessão presidida pelo presidente do STF, seria
executado, efetivamente, o processo de afastamento – ou não – da
Presidente.

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