Em um endereço incrustado em uma área bucólica da zona sul de João Pessoa, um renomado profissional paraibano tirava pelo menos duas sonecas diárias, embalado por farfalhar de plantas e gorjeios de pássaros.
Tirava.
Esta semana, ele me confidenciou – muito contrariado – que seus repousos diários têm sido atrapalhados pelo barulho de uma certa Lamborghini que passa, uma infinidade de vezes ao longo do dia, acelerada.
– A gente começa a ouvir o ronco do motor logo às 7 horas da manhã!, se queixou, completando em seguida:
– Às 14 horas, quando costumava descansar do almoço, lá vem ele de novo, me sacudindo da cama.
E eu fiquei a me perguntar: na cama depois das 7 horas? E de novo nela às 14?
Quem trabalha – e produz mesmo neste País – já tem que estar com os “motores” roncando muito antes disso – a exemplo do barulhento condutor da Lamborghini.
À quem não trabalha, o sucesso realmente incomoda. O barulho do sucesso, incomoda mais ainda. E o condutor dessa Lamborghini faz um sucesso ensurdecedor.
Muitos paraibanos sabem a quem estou me referindo. Pois quem está atrás desse volante é um empresário que tem grande empreendimento na zona norte da Capital e agora empreende outro mega investimento na zona sul. E que a despeito do sucesso que amealhou nos últimos anos, ainda conserva – segundo o testemunho contrariado do meu confidente – uma rotina recheada com muito trabalho.
O barulho de sua Lamborghini – símbolo do seu ruidoso sucesso – realmente incomoda. Mas só aos que não estão acostumados a viver próximo de gente trabalhadora.
No acelerar desse enredo, acabo comprovando, de forma ensurdecedora, um entendimento que construí e consolidei ao longo da vida: não se deve apostar na intelectualidade sonolenta.
O talento acomodado, estancado pelo ócio, jamais produzirá o barulho do sucesso, que tanto incomoda. Mas que poucos têm coragem para conquistar.
Este é raciocínio que devemos passar para filhos e netos: a inteligência bocejante rodopia em torno de si mesma e se queixa de quem faz barulho lá fora – onde outro tipo de talento está verdadeiramente em curso: aquele que também é movido a neurônios funcionais, mas que não dispensa a transpiração.