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Tr?s fatos

No Senado,
filiados ao PSB, PP, PMDB, PSD e PDT retiraram assinaturas para inviabilizar
CPIs. Desistiram da que investigaria os fundos de pensão do Banco do Brasil,
Correios, Caixa e Petrobrás. Recuaram da que apuraria denúncia contra o BNDES.
Ambas foram engavetadas graças a articulação do vice-presidente, Michel Temer.

Na Câmara
Federal, o servidor comissionado Márcio Martins de Oliveira, contratado em
março com salário de R$ 2.300, foi demitido após soltar ratos em meio a sessão
da CPI da Petrobrás que ouvia o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que estava
protegido por decisão judicial que lhe permitia não revelar a verdade sobre o
maior escândalo de corrupção e desvio de recursos da história do Brasil.

Na Paraíba, duas
crianças, com oito e nove anos de idade, morrem em incêndio provocado por uma
vela, que foi acesa porque a mãe não teve condições de pagar a conta de
energia.

São três fatos
que não deveriam ocorrer: um governo trabalhar para evitar que denúncia de
corrupção seja investigada; que a indignação de um cidadão seja punida com
demissão enquanto se fala sobre bilhões desviados dos cofres públicos; e uma
mãe perder duas filhas em razão da pobreza.

Os ratos falaram
mais do que qualquer discurso dos que interrogaram o depoente da CPI da
Petrobrás. Pelo simbolismo, rapidamente estavam nas manchetes dos mais
importantes veículos de comunicação do país e estimularam debates nas redes
sociais.

É inegável que
foi uma ação imprópria, pelo local. Mas, foi julgada com a celeridade que o
Judiciário nega aos brasileiros. Enquanto os réus confessos do caso ainda não
têm ideia de quando enfrentarão uma Corte, a pena do servidor foi anunciada
ainda durante o depoimento de Vaccari: exonerado.

Discursos
bonitos sobre a democracia ( o “governo do povo, para o povo e pelo povo”, na
definição de Abraham Lincoln) e sobre a justiça não resistem a fatos concretos.
Fica a sensação que não avançamos da visão do ministro Joaquim Barbosa: “As
pessoas são tratadas de forma diferente de acordo com seu status, sua cor de
pele e o dinheiro que têm. Isso tem um papel enorme no sistema judicial e,
especialmente, na impunidade”.  E ainda
tem quem pergunte o que motiva os cidadãos que estão indo as ruas.

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