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Tudo contra

Quando a teoria do tempo aponta para o arrefecimento do escândalo da Petrobras, eis que surge um fato novo para reacender a crise política. O doleiro Alberto Youssef, o que está preso por lavar o dinheiro desviado da estatal, reafirmou para os deputados da CPI que apura o caso o que já tinha dito nos depoimentos à Justiça Federal: que o Planalto sabia de tudo.

O doleiro citou episódio do racha no PP para ilustrar a convicção de que tanto a presidente Dilma como o ex-presidente Lula tinham conhecimento do que ocorria na Petrobras. Contou que após mudança nos cargos chaves do partido, o ex-diretor Paulo Roberto Costa disse que iria aguardar instruções do Planalto. E quando lida uma lista, confirmou que Ideli Salvatti, Gilberto Carvalho, Gleisi Hoffmann, Edison Lobão e Antonio Palocci também sabiam.

Yousseff também disse que o ex-ministro das Comunicações, Paulo Bernardo pediu dinheiro para a campanha de Gleisi Hoffmann, sua esposa e ex-ministra da Casa Civil, que teria sido escolha pessoal da Presidente para o cargo que ocupou no governo Lula.

Na tentativa de evitar mal-entendidos, os deputados insitiram na pergunta se Dilma e Lula sabiam dos desvios. Ele respondeu que “sim”, mas completando que não tinha provas. No depoimento, ainda detalhou como pagoucontas da campanha de 2010 do PT, por orientação de Paulo Roberto Costa, que estaria cumprindo ordem.

A CPI, que muitos apostavam que iria terminar em pizza, assim como a sua antecessora, está provocando danos fortes ao governo e ao partido da presidente, graças principalmente a dois fatores: a nova postura do PMDB, que apoia os requerimentos da posição, e o fato de todos os depoimentos serem abertos, com transmissão ao vivo.

O programa do PT, com 10 minutos de duração e em rede nacional, levado ao ar semana passada, não deu nem para iniciar a recuperação da sua imagem. O panelaço nas principais cidades do país mostrou que não pode concorrer com horas seguidas de depoimentos de delatores que contam tudo com detalhes e que estão devolvendo dinheiro de propinas.

Estamos a 12 meses das convenções que escolherão os candidatos a prefeito e vereador, mas a menos de cinco meses para o fim do prazo de filiação. O desafio do PT é se reinventar até lá. Por enquanto, tudo está contra o partido.

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