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Vagabundagem nacional

Virando a página do calendário, me deparei com outubro. E não acreditei no que vi.
Contem comigo:

Cinco sábados, quatro domingos, quatro feriados (12 Dia das Crianças/Nossa Senhora Aparecida; 15 Dia do Professor; 19 Dia do Comerciário; 30 Dia do Servidor Público).

O saldo dessa conta é – nada mais nada menos – do que treze dias de paralisação de setores produtivos brasileiros.

Diante dos números, não sobra margem para dúvida: definitivamente, não somos um País sério.

Qualquer nação do mundo, em situação análoga a do Brasil, adotaria como primeiro ato governamental o disciplinamento da vagabundagem nacional.

Mas nem mesmo a recessão que promete encolher 3 por cento do PIB, acelerar a escalada das demissões e o encarecimento do custo de vida consegue a façanha de estancar a farra instalada no nosso calendário.

Somente este ano, os feriados causarão prejuízos da ordem de 92 bilhões de reais ao comércio varejista.

Não é pouca coisa.

Aliás, por nossas chuteiras penduradas pelos excessos de feriados escoa rombo superior ao previsto no orçamento de 2016.

Se ao invés de vagabundar o País resolvesse trabalhar, talvez pudéssemos cobrir o déficit de R$ 70 bilhões estimados na peça orçamentária enviada mês passado para o Congresso Nacional.

Aliás, até tentei dar minha contribuição para o disciplinamento quando estive no Senado Federal, criando projeto de lei que transfere para as segundas-feiras os feriados que caem ao longo da semana.

O propósito, evidentemente, é evitar um fenômeno que pega carona nos feriados: os dias imprensados.

Até hoje, porém, o projeto repousa na gaveta de alguma comissão temática, a espera de uma decisão.

E a tal decisão não chega porque, do Palácio do Planalto até a mais humilde residência desse País, todos comemoram os feriados, ignorando solenemente os prejuízos que causam a nação. Ou seja: a nós mesmos.

Nossa disposição para feriar é tão escandalosa que até mesmo quem tira longas “férias” – como é o caso dos professores e servidores universitários (em greve há mais de quatro meses -, sai da paralisação dispostos a imprensar a semana.

Afinal, sabe como é, ninguém é de ferro…e na segunda tem o feriado do Dia das Crianças.

Devem estar de brincadeira! Mas não estão: a vagabundagem está institucionalizada – contamina desde os doutores das academias até a mais simplória mão de obra do País.

Neste embalo, seguimos todos para o precipício.

Vagabundos até se recuperam, mas só quando absorvem a consciência do trabalho.

Outubro, porém, não nos deixa enganar: as datas em vermelho formam um quadro digno de entrar para o anedotário mundial.

De feriado em feriado, viramos uma piada!

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