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Vila dos Atletas cria cidade universitária cosmopolita em Taipei

Em um dia abafado, australianos enchem piscinas de plástico e se refrescam na calçada sob o prédio que dividem com os canadenses na Vila dos Atletas da Universíade de Taipei. No restaurante, mexicanos abraçados fazem uma oração antes da refeição perto do local onde, um dia antes, um irlandês e um polonês disputaram quem fazia mais flexões de braço.

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Por toda a parte, atletas trocam broches dos seus países por outros para deixarem seus crachás mais coloridos. Mais conhecidos como pins, os adereços são o principal incentivo à interação entre pessoas que nem falam a mesma língua.

Competidora do lançamento de dardo e estudante de engenharia mecânica, Piyumi Ahinsa, do Sri Lanka, foi sem os famosos pins para a vila e mesmo assim exibe com orgulho os quatro broches de outros países que conseguiu.

“Eu esqueci os meus em casa e as pessoas foram muito generosas. Só consegui quatro porque sou um pouco tímida e não consegui pedir para muitas pessoas. É a minha primeira experiência em uma Universíade e tem sido muito boa”.

Os 23 prédios de apartamentos da Vila dos Atletas reúnem jovens de 140 países e, com eles, uma coleção de hábitos particulares de sua terra natal. Sob a sombra do prédio do Uruguai, atletas tomam chimarrão e ouvem música latina. No edifício que o Brasil divide com a França, é fácil cruzar com um aluno-atleta ouvindo sertanejo universitário. Mesmo mais introspectivos, os vizinhos franceses não deixam de responder com um bonjour (bom dia, em francês).

Estudante de perfomance atlética e membro da delegação anfitriã de Taipei Chinesa, Jin Cheng Woo já esteve em uma Universíade, mas conta que essa é um pouco diferente.

“O restaurante é muito bom!”, diz ele, demonstrando o orgulho dos taiwaneses, que se consideram do Reino da Comida.

A vila tem um restaurante com capacidade para servir até 3,5 mil refeições diárias por vez, totalizando até 40 mil, nos dias de maior movimento. No cardápio, é possível encontrar desde sabores universais como pizza e ovo mexido até pratos da culinária halal e pratos típicos dos taiwaneses. Para o nadador sueco Isak Eliasson, a comida local surpreendeu:

“Provei comida taiwanesa e foi surpreendentemente boa. Tem sido muito interessante ver o que as pessoas de outros países comem no restaurante”, conta o estudante de economia, que interrompe a resposta para cumprimentar um atleta da Finlândia que conheceu no dia anterior: “Competimos ontem e agora sempre que nos encontramos, falamos um com o outro. Já fiz muitos amigos aqui, mas especialmente do meu país, conhecendo pessoas de outros esportes”.

Com um boné, a atleta da Zâmbia Bertha Maseka se protegia do sol forte de Taipei enquanto voltava do restaurante. Para a competidora do atletismo e estudante de educação ambiental, o mais impressionante até agora foi a cerimônia de abertura dos jogos: “Amei a criatividade das pessoas daqui. Elas me tocaram. Não esperei que fosse assim. Eu realmente amei”, lembra ela, que gostaria de fazer amizade com atletas do México: “Eles sempre interagem e nos cumprimentam quando passamos. São bem amigáveis”.

Um grupo de atletas dos Emirados Árabes Unidos passa correndo por Bertha e, mais à frente, pela piscina onde o australiano Willian White se refrescava sob olhares curiosos. Na água, pedras de gelo para ajudar na recuperação pós-treino. “É bem quente aqui, então é muito bom vir e deitar depois de uma manhã de treino”, diz White, estudante de educação física e nutrição que vai disputar medalhas no lançamento de dardo. Se alguém mais se interessar pela piscina, o aviso é curto: “É só para os australianos”, responde quando perguntado se estrangeiros já pediram para entrar.

Mesmo assim, para o brasileiro Bruno Spinelli, do salto com vara, os australianos são os mais simpáticos. O aluno de engenharia civil na Unip conta ter feito amigos do país oceânico durante os treinos de atletismo e elogia também os voluntários de Taipei: “Encontrei duas [voluntárias] que fizeram intercâmbio no Brasil e falam português. Um português bom”,

Mateus de Sá, do salto triplo, concorda com os elogios aos voluntários: “eles estão abraçando a gente. Isso tem me deixado surpreso”.

O estudante de educação física da Unisantanna veio pela primeira vez para uma competição com tantos estrangeiros, e conta que essa diversidade torna tudo uma surpresa: “Até a lanvaderia. As coisas mais simples têm sido surpreendentes. Espero voltar mais vezes”, diz ele, que vê na variedade do cardápio do restaurante uma possibilidade de alívio para o paladar de quem mantém uma dieta rigorosa: “Isso é bom para o atleta. Às vezes, a gente também quer comer uma pizza”.

Taipei Chinesa

O vai e vem dos atletas na vila ocorre no movimentado distrito de Linkou, onde prédios residenciais de mais de 20 pavimentos estão por toda a parte. Das janelas, é possível ver bandeiras taiwanesas penduradas nas varandas. Taiwan revindica ser reconhecido como um país independente da China, mas o governo de Pequim considera a ilha uma parte de seu terrirtório.

Poucos países do mundo reconhecem Taiwan como uma nação e, para disputar competições como a Universíade, a delegação local precisa se identificar como Taipei Chinesa, o que vem sendo motivo de protesto por parte da população durante os jogos. Na cerimônia de abertura, a presidente Tsai Ing-wen se uniu ao coro ao declarar: “Bem vindos a Taiwan!”.

De frente para o restaurante da vila, um arranha-céu de arquitetura moderna mantém o recado exposto para as delegações de todo o planeta: “Taiwan não é Taipei Chinesa. Deixem Taiwan ser Taiwan”.

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