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Vis?es distorcidas do Brasil

Estava visitando a pequena e encantadora San Gimignano, a Nova Iorque italiana da Idade Média com suas torres resistentes aos séculos, quando me deparei com um cartaz anunciando uma exposição do Brasil.

Vibrei.

Uma exposição brasileira em plena região da Toscana?

Um desfile de brasilidade em uma das rotas turísticas mais seletas da Europa?

Minha alegria, porém, durou pouco. E minha vibração passou a operar em outra freqüência: a do profundo desgosto, embalada pela revolta.

A exposição em cartaz na Galleria Continua, em San Gimignano, reúne um trabalho de três jovens “artistas”: Marcelo Cidade, Jonathas de Andrade e André Homatsu.

Sim, são todos brasileiros.

E sim, na mostra eles usam como foco suas visões sobre o Brasil.

E ele – o foco – não poderia ser pior. Ou mais desonesto.

Para começo de conversa, o visitante é recebido com uma informação enganosa: a de que não haverá Copa do Mundo de Futebol no Brasil. Para não permitir dúvidas sobre o que prega, a exposição – apresentada em português – recebe uma tradução em inglês: “there Will be no world cup”.

E se o visitante teimar em vir ao Brasil conferir os jogos – para os quais o País fez investimentos milionários, aguardando o retorno turístico – a sequência da exposição é estrategicamente elaborada para desestimular até o mais intrépido dos viajantes.

Os brasileiros são retratados como uma “massa de infelicidade bruta”.

As cidades como campos de guerra, onde a polícia despeja balas e bombas de forma indiscriminada.

E os vetos aos “rolezinhos” como a consagração do apartheid made in Brasil.

Do começo ao fim, a mostra dos brasileiros maltrata o Brasil. E apresenta aos toscanos e ao restante do planeta – pois a região, tombada pela Unesco, é uma das principais rotas turísticas do mundo – os piores matizes da nossa pátria.

Trata-se de uma estratégia de marketing ao contrário.

Verdade que enfrentamos tempos de conturbação social. E que nem tudo é felicidade, mar, samba, gols e sol na pátria mãe gentil.

Mas também é verdade que os “artistas” brasileiros expõem visões de um Brasil isolado na miséria total – diferente da nação que figura com destaque entre os emergentes e que é uma das maiores economias do mundo.

Com esta visão do Brasil, acabam dirigindo o olhar do mundo para nossa pior face.

Com dentes trincados pela revolta e o coração abarrotado de desgosto, eu com certeza assisti naquela galeria – tendo as torres seculares da San Gimignano como testemunha – o ângulo mais desfavorável do Brasil.

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