
As profissões como as conhecemos hoje nem sempre foram do mesmo jeito. E não só no sentido tecnológico, mas na segmentação de várias áreas. Com tanto desenvolvimento científico e com a otimização de várias práticas, podemos observar que diferentes áreas abrangeram seus campos de atuação. Por exemplo, no âmbito da saúde há incontáveis possibilidades de se especializar, inclusive na medicina veterinária. Mas, como essa profissão chegou ao Brasil?
As condições sanitárias do Brasil de início do século XX eram precárias. As mortes de equinos por mormo (zoonose infectocontagiosa causada pela bactéria Burkholderia mallei) e de pessoas em contato direto com animais afetados eram numerosas. E, nessa época, a quantidade de animais dessa família era grande no exército, o que fez alarmar o problema, segundo a coordenadora do curso de Medicina Veterinária do Unipê, Profa. Dra. Meire Silva.
A médica veterinária conta que oficiais da área de saúde junto a João Moniz Barreto de Aragão, médico militar sanitarista, mostraram às autoridades governamentais a importância da criação do ensino de medicina veterinária. Assim, Dom João VI e Dom Pedro II simpatizaram com a possibilidade de criar no país o ensino dessa área, mas não tomaram medidas para concretizar o que havia sido esboçado.
“Contudo, logo após entendimentos de representantes do governo brasileiro e do Instituto Pasteur em Paris, vieram ao Brasil médicos veterinários do exército francês que trabalharam na organização de sistemas de defesa sanitária no combate ao mormo em equinos. Após um decreto de 6 de janeiro de 1910, foi criada a Escola de Veterinária do Exército”, pontua Dra. Meire.
Em todas as etapas desse processo, os oficiais veterinários do exército francês orientaram e prestaram colaboração, culminando com a inauguração das instalações da escola em 17 de julho de 1914, no Rio de Janeiro. “Assim como as primeiras escolas francesas serviram de modelo para o ensino veterinário em outros países, o Brasil também seguiu os parâmetros da Escola de Veterinária do Exército Francês. E na década de 1970, houve, no país, uma proliferação de cursos de medicina veterinária, onde esse crescimento continua até os dias de hoje.”
Atuação no início
Naquela época, os médicos veterinários atuavam mais com animais agrários. Depois, os pets foram ganhando espaço nos campos de atuação brasileiros. Hoje as possibilidades são cada vez mais amplas. E não só para atuação direta com animais, mas com o reconhecimento da necessidade de participação desses profissionais para assegurar a saúde humana.
“O novo conceito amplamente divulgado no mundo atualmente é o de ‘uma só medicina, uma única saúde’ ou ‘um só mundo, uma única saúde’ (one world, one health). Dentro dessa concepção, ficam ampliadas as atividades do médico veterinário e sua responsabilidade na manutenção e cuidados na saúde humana e animal”, finaliza Dra. Meire.
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