A importância da empatia na liderança

Em meio a um cenário de pandemia e diferentes crises associadas, competências de inteligência emocional e social ganharam destaque como meios de superar os desafios com equilíbrio e assertividade.

Dentre todas, a empatia, sem dúvida, foi carro-chefe (para utilizar um termo bem corporativo). Esteve no rol de palavras mais pesquisadas nos sites de busca no ano de 2020, mais utilizada e comentada em noticiários e redes sociais e tida como diferencial para o gerenciamento das mais diversas situações e funções, dentre elas a de liderança.

Sinônimo de afeição, identificação, compreensão e “do saber se colocar no lugar do outro”, a empatia é um exercício de afetividade e conexão. Mas, justamente por ser considerada uma habilidade atrelada à sensibilidade ou à suavidade do fazer, tende a ser desconsiderada no ambiente empresarial. O que soa extremamente contraditório, pois sendo o ato de liderar, antes de tudo, se relacionar, o exercício da empatia deveria ser compreendido como uma habilidade cognitiva essencial de comunicação, pois permite ouvir e entender de forma mais clara e coerente as pessoas e suas leituras contextuais, bem como de aprimoramento para geração de vínculos, o que, por sua vez, favorece mudanças nos ambientes organizacionais e na qualidade de vida dos colaboradores.

Ao utilizar a empatia, o líder demonstra interesse e apreço com as pessoas, mas ao mesmo tempo desenvolve seu autoconhecimento, pois amplia sua própria visão de mundo buscando assimilar e compreender como as pessoas à sua volta se sentem ou pensam diante de uma dada situação, que pode ser bem diferente da sua percepção inicial. Este exercício, se cotidiano, abre caminho para a construção de relacionamentos produtivos, pois tal capacidade estimula a criação de conexões humanas confiáveis, a abertura para o diálogo e feedback, aumentando as chances de sucesso e qualidade do trabalho.

Com empatia, podemos desenvolver relacionamentos mais sólidos, seguros e que favorecem o engajamento, a transparência e a motivação. E, se focar/atingir resultados é o grande objetivo do líder, não devemos esquecer que, em todos os níveis, a gestão é, antes de tudo, de pessoas e são elas que buscarão soluções, meios e alternativas para este fim.

Isto posto, é mais que essencial que os líderes voltem seus interesses aos indivíduos, importem-se pessoalmente com seus liderados, reservem tempo para perceber as especificidades de cada um, humanizem seu estilo de liderança, invistam na proximidade e transversalidade para criação de um ambiente saudável, com sensação de pertença e colaborativo que, como efeito, tornar-se-á favorável à obtenção de resultados positivos e esperados.

Afinal, conforme bem afirmou a executiva americana Kim Scott, autora do livro “Empatia Assertiva: como ser um líder incisivo sem perder a humanidade”, uma liderança de sucesso é mais sobre relacionamentos do que sobre poder, mais sobre diálogo do que controle, mais sobre escuta ativa e entendimento do que dizer o que fazer.

Liderança é cultivo diário de competências sociais e emocionais, dentre elas, a empatia, que ao ser aprendida precisa se tornar hábito e, sendo hábito, tornar-se exemplo, quiçá, inspiração, o que moverá pessoas.

*Mariana de Brito Barbosa, Reitora do Centro Universitário de João Pessoa (Unipê).

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