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Alargamento da Orla de João Pessoa: o que já existe e o que ainda é um plano

Plano foi anunciado em outubro de 2021, mas projeto para obras ainda não foi elaborado. Prefeitura diz que contratou estudo sobre particularidades do litoral pessoense
Praia do Cabo Branco (Foto: Acervo/Jornal Correio da Paraíba)

A Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) promove nesta segunda-feira (6) uma audiência pública para debater o projeto de alargamento da faixa de areia da orla. A audiência ocorreria no último dia 1º, mas foi adiada após a morte do prefeito de Pedras de Fogo, Manoel Junior.

A discussão foi proposta pelos deputados estaduais Cida Ramos (PT) e Chió (Rede) e está programada para ocorrer no plenário da ALPB, às 14h.

“Nós queremos a discussão com técnicos, com especialistas. Estamos convocando diversos profissionais da área para discutir. Queremos a presença da prefeitura para apresentar o projeto e para ouvir o que os especialistas pensam sobre isso”, disse a parlamentar.

Nesta publicação, o Portal Correio reúne o que já se sabe sobre a proposta de intervenção nas praias da Capital.

O anúncio

Cícero Lucena anunciou o alargamento da faixa de areia nas praias de João Pessoa em outubro de 2021. O objetivo, segundo ele, seria proteger a falésia do Cabo Branco e conter o avanço do mar sobre a Orla da Capital.

O prefeito falou que, na sua gestão anterior, de 1997 a 2004, já tinha pensado em fazer a obra, mas o projeto foi abandonado pelas administrações seguintes.

“Estou tentando resgatar. O mais importante é que existem novas tecnologias e avanços nessa área. Já mandei uma equipe para ver a engorda que está sendo feita em Balneário Camboriú-SC e na Praia de Iracema, em Fortaleza. O Brasil como um todo está trabalhando nessa área. Nós estamos, inclusive, trazendo o escritório que fez esse projeto em Camboriú para que já na próxima semana possa fazer levantamento e emitir opinião sobre a possibilidade de engorda para proteção da falésia, mas também para a orla de Manaíra”, disse Cícero.

Visita a Santa Catarina

Em março de 2022, o prefeito visitou as obras em Balneário Camboriú (SC). Ele foi acompanhado pelo secretário municipal de Planejamento, José William Montenegro, e o secretário executivo de Infraestrutura, Luciano da Nóbrega. O arquiteto responsável pela engorda de Balneário Camboriú, Sérgio Gollnick, recebeu a comitiva paraibana.

Cícero Lucena esteve em Balneário Camboriú (Foto: Divulgação/Secom-JP)

“Nos mostraram os pontos que devem ganhar urbanização e detalhes técnicos de como tudo é feito. Isso vai nos permitir que possamos traçar o projeto de João Pessoa, que já está todo em estudo”, disse Cícero Lucena, após o encontro.

Por quase um ano, o assunto não foi mais abordado publicamente pela administração municipal.

No vídeo abaixo, uma entrevista do prefeito à TV Correio, na qual ele fala sobre o projeto.

Previsão de investimentos e início das obras

No início do mês passado, o secretário de infraestrutura de João Pessoa, Rubens Falcão, disse, em entrevista a uma emissora de rádio da Capital, o alargamento da faixa de areia nas praias de João Pessoa deve custar cerca de R$ 200 milhões. Conforme Falcão, a expectativa é de que a prefeitura consiga licenciamento e realize licitação para a obra até outubro.

Ainda no início de fevereiro, Cícero Lucena disse que a ideia é iniciar as obras em dezembro deste ano. Ele adiantou que o projeto em elaboração prevê uma pista viária ligando o Cabo Branco à Ponta do Seixas, contornando a falésia.

Também estaria em estudo a construção de uma terceira via na avenida paralela à Praia de Manaíra, com alargamento da calçadinha e transferência da ciclovia para depois da calçada.

Estariam entre os planos do prefeito, ainda, a instalação de uma marina na Praia de Tambaú e uma “reurbanização de toda a Orla de João Pessoa”.

Pressão popular

O plano de intervenção na obra desagradou parte da população pessoense. O movimento popular Minha Jampa lançou um abaixo-assinado online para pressionar a administração municipal a desistir da obra.

A iniciativa ‘Alargamento, não!’ pede que o montante a ser empenhado para o projeto seja investido em outros setores, como transporte público e saúde. Até a publicação desta matéria, mais de 22 mil pessoas haviam assinado o documento.

Procurador cobra projeto e autorizações legais

Em 14 de fevereiro, o procurador-chefe da Força-Tarefa do Patrimônio Cultural do Ministério Público de Contas, Marcílio Toscano Franca Filho, pediu que a Prefeitura Municipal de João Pessoa apresente ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) todos os projetos e autorizações legais referentes à obra de alargamento de praias de João Pessoa e à pista contornando a Falésia do Cabo Branco.

Na representação, o procurador cita que que o Cabo Branco e a Praia do Seixas são considerados patrimônio histórico da Paraíba pela constituição estadual, mesma norma que determinou o tombamento do Altiplano do Cabo Branco, a Ponta e a Praia do Seixas para fins de preservação e conservação.

O texto acrescenta que, além da constituição federal, a área do Cabo Branco e Seixas são amparadas por tombamento provisório federal, promovido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Praia do Seixas (Foto: Arquivo/Jornal Correio da Paraíba)

Segundo Marcílio Toscano Franca Filho, a administração municipal deve fornecer as informações antes de iniciar qualquer obra, a fim de se mitigar o risco de dano irreparável ao patrimônio ambiental, cultural, paisagístico, histórico e ecológico no Litoral.

O procurador-chefe da Força-Tarefa do Patrimônio Cultural do Ministério Público de Contas também pediu que o TCE-PB exerça controle externo de eventuais obras.

“Os princípios jurídicos da prevenção e da precaução orientam a tomada de decisões políticas, econômicas, judiciais, administrativas, legislativas, científicas etc. O princípio da prevenção lida com as consequências danosas conhecidas e antecipáveis. O princípio da precaução, por sua vez, lida com a incerteza decorrente da impossibilidade de se antecipar as consequências de uma atividade humana. Aplicando-se ambos os princípios e a fim de se evitar danos irreparáveis a bens tombados na esfera estadual e federal, é oportuno que o Tribunal de Contas exerça um controle externo preventivo sobre as obras anunciadas pela Prefeitura de João Pessoa”, justificou o procurador.

Prefeito reage a críticas e diz que ainda não há projeto

Na segunda-feira (27), Cícero Lucena disse que ainda não há projeto definido e criticou a antecipação do debate na sociedade e na Assembleia Legislativa.

O prefeito falou que contratou um estudo sobre as especificidades da Orla de João Pessoa, mas que o levantamento ainda não foi concluído. Sem divulgar nome, o gestor falou que a empresa é a mesma responsável pela execução de um procedimento semelhante em Florianópolis-SC.

“Não é momento de discutir. Isso é perda de tempo. É uma ignorância discutir isso porque não tem projeto. Na hora que eu tiver o projeto, eu já disse ao Ministério Público, minha primeira reunião será com eles para apresentar esse projeto. Depois, nós vamos apresentá-lo em audiências públicas”, disse.

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