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Ministério da Segurança não vai resolver crise, dizem autoridades

O presidente Michel Temer anunciou na terça-feira (20) que pretende criar um Ministério Extraordinário da Segurança Pública, com intuito de combater a violência nos estados. Na Paraíba, a decisão não soou tão bem para algumas autoridades.

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No último domingo (18), o Portal Correio divulgou o resultado de uma enquete que revelou que 73% dos participantes avaliam a segurança pública no estado da Paraíba como ruim ou péssima. Das quase mil pessoas que deixaram sua opinião, apenas 12% dos votantes avaliaram a segurança como ótima ou boa.

Para o presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais, José Pereira Dantas, a criação do ministério não fará diferença na prática, visto que as mesmas polícias que eram submissas ao Ministério da Justiça, agora farão parte do Ministério da Segurança.

“Nós achamos que, como ele pretende utilizar as mesmas polícias que já existem também no Ministério da Justiça, já existem condições de combater essa violência, bastaria melhorar o efetivo dessas polícias, porque não é suficiente. Não é mudando de um ministério para outro que vai multiplicar os policiais”, disse.

O sindicalista ainda crê que a mudança deve acontecer também no Poder Judiciário. “Basta vontade política e disposição para resolver o problema, alterando as leis que são absurdas. A gente prende e no outro dia as pessoas saem para cometer crimes novamente. As leis no Brasil precisam aumentar a penalidade e dar pleno cumprimento a elas”, finalizou.

O Secretário de Segurança do Estado da Paraíba, Cláudio Lima, disse que o ministério em si não resolve os problemas da segurança, mas afirma que é necessário uma estrutura organizada para articulações entre as forças nacionais e locais.

“As diretrizes para segurança precisavam de uma estrutura organizacional para articular com os estados. Não adianta criar só o ministério, precisa financiamento para segurança”, garantiu o secretário.

Cláudio Lima ainda defendeu que a segurança tenha um orçamento fixo garantido, o que, segundo ele, não vem acontecendo ao longo dos anos. “A segurança não tem orçamento garantido. O problema é esse. É necessário um projeto de financiamento da segurança no país. Existe muita medida paliativa. As coisas precisam ser tratadas não só nos efeitos, mas nas causas”, disse.

Já o ex-policial federal, Deusimar Guedes, apontou a maneira como o novo ministério pode funcionar de maneira mais efetiva. “Acredito que esse ministério tem que ter duas coisas para ter sucesso: uma delas é que ele seja dirigido por um ministro com corpo técnico, e não um político como normalmente acontece no Ministério da Justiça. É um dos requisitos. Outro ponto é que ele consiga integrar as diversas instituições do aparelho do Estado, principalmente na área de inteligência, com uma coordenação nacional”, sugeriu o especialista.

Deusimar ainda comentou que a intervenção militar, conforme aconteceu no estado do Rio de Janeiro, talvez não seja a mais efetiva. “Não acredito nessa intervenção porque ela precisa de integração. A dificuldade  é porque a Polícia Militar não quer obedecer o comando do exército e vice-versa, então essa falta de entrosamento é o que dificulta o trabalho”, finalizou o ex-policial.

Ministério da Segurança

O presidente da República, Michel Temer (PMDB), anunciou a criação do Ministério da Segurança Pública. Ele não respondeu a perguntas da imprensa e não falou quem assumiria a nova pasta.

“Nós não vamos parar por aí. Muito brevemente, na próxima semana ou na outra no mais tardar, eu quero criar o Ministério Extraordinário da Segurança Pública, que vai coordenar a segurança pública em todo o país, evidentemente sem invadir as competências de cada estado federado”, disse o presidente.

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