
A última semana de esforço concentrado na Câmara dos Deputados antes das eleições municipais pode ter dois temas econômicos votados no plenário: a reoneração gradual da folha de pagamento e a regulamentação da reforma tributária. Nesta segunda (9), a Câmara aprovou regime de urgência para à proposta da reoneração da folha. Com isso, a análise do projeto será acelerada na Casa, podendo ser votada diretamente no plenário sem a necessidade de tramitar por comissões. As informações são do R7, parceiro nacional do Portal Correio.
A pauta de votação desta semana será definida em reunião entre os líderes e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), nesta terça-feira (10). Além disso, a semana será marcada por negociações sobre a sucessão de Lira na Presidência da Câmara e por votações de propostas que miram os poderes do STF (Supremo Tribunal Federal) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
A proposta que regulamenta a reforma tributária, PLP 108/2024, já teve o texto-base aprovado pelos deputados. Agora, falta analisar os destaques, que são sugestões de alteração ao texto. A proposta define o funcionamento do Comitê Gestor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a distribuição desse imposto, que substituirá os atuais ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e ISS (Imposto sobre Serviços).
O texto ainda aborda outros aspectos da nova estrutura tributária, como o julgamento das infrações tributárias e a devolução de créditos para o setor exportador.
Um dos destaques que devem ser analisados é o trecho do relatório que regulamenta o ITCMD, que é um imposto estadual cobrado sobre doações e heranças. A proposta inclui os planos de previdência PGBL e VGBL como parte do cálculo desse imposto. No entanto, há uma emenda que sugere isentar esses planos do ITCMD.
Outra proposta que pode ser votada nesta semana é o PL 1744/2024, que estabelece um processo de transição para encerrar a desoneração da folha de pagamentos. A proposta prevê um período de transição de três anos para substituir a desoneração de 17 setores da economia pela aplicação da alíquota completa do INSS em cidades com até 156 mil habitantes.
Em julho, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin deu prazo até 11 de setembro para que o Congresso e o governo chegassem a um acordo sobre a proposta e indicassem as fontes de compensação financeira da União para a desoneração dos setores. O projeto já foi aprovado no Senado em 20 de agosto.
Pelo projeto aprovado no Senado, a reoneração gradual da folha de pagamento acontecerá ao longo de três anos, de 2025 a 2027. Em 2024, a desoneração continuará total, mas a partir de 2025 a tributação começará a ser retomada, começando com uma alíquota de 5% sobre a folha de pagamento.
Em 2026, a taxa aumentará para 10%, e em 2027, chegará a 20%, quando a desoneração será totalmente encerrada. Durante toda essa transição, o 13º salário permanecerá completamente desonerado.
O projeto também propõe uma redução gradual do adicional de 1% sobre a Cofins-Importação, criado para compensar a desoneração da folha de pagamento. Esse adicional será reduzido para 0,8% em 2025, 0,6% em 2026, e 0,4% em 2027.