Clássico
Estádio Amigão (Foto: Divulgação/Campanelli)

Clássico dos Maiorais marca reabertura do Amigão

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Nesta quarta-feira (19), às 20h30, Campinense e Treze se enfrentarão numa partida amistosa, mas nenhum pouco amigável. Trata-se do Clássico dos Maiorais, um dos maiores do Brasil. O jogo celebrará a inauguração do novo gramado do Estádio Amigão, que trocou completamente a grama pela primeira vez em 43 anos de existência e está pronto para novamente sediar jogos oficiais. Alvinegros de um lado, rubro-negros do outro. É assim que dois dos maiores arquirrivais do futebol nacional vão escrever um novo capítulo dessa história de muitas batalhas, nascida em 1955.

O novo ‘piso’ do Amigão não poderia ser inaugurado de outra forma. Por isso, nada mais justo que um clássico que carrega tantas histórias e emoções vivenciadas no estádio ao longo dessas décadas. Não é por acaso que o Maiorais é o maior clássico do interior do Brasil e está entre os dez do Brasil.

O primeiro Maiorais da história também foi um amistoso e aconteceu no dia 27 de novembro de 1955, no antigo Estádio Plínio Lemos, com uma vitória do Galo por 3 a 0. No Amigão, o primeiro jogo entre Campinense e Treze não foi na inauguração, que teve um duelo entre Campinense e Botafogo-RJ, mas tem uma lembrança muito especial. É que com o 0 a 0 entre paraibanos e cariocas, em 16 de março de 1975 (oito dias após a inauguração), Raposa e Galo empataram em 1 a 1, com o primeiro gol sendo marcado por Pedrinho Cangula para o Campinense, sendo este o primeiro a balançar as redes no novo estádio.

O Maiorais já decidiu 14 edições do Campeonato Paraibano, onde o Campinense levou a melhor em 10 oportunidades e já disputou mais de 400 partidas, o que é suficiente para que ele seja reconhecido como o maior do interior. A denominação do confronto foi dada pelo radialista e narrador esportivo Joselito Lucena (in memorian).

A maior goleada da história foi em uma partida da Taça ACDCG, realizada em 1969, quando a Raposa venceu o Galo por 6 a 2. A maior invencibilidade também é do rubro-negro, que venceu 25 jogos consecutivos entre os anos de 1972 e 1974.

Numa história mais recente, o Campinense passou quatro anos invicto para o Treze, com uma sequência que se alternou entre vitórias e empates. A invencibilidade foi derrubada em janeiro de 2018, quando o Galo venceu por 1 a 0 e quebrou o tabu rubro-negro.

Grandes ídolos já viveram histórias nos dois clubes, a exemplo de Rodrigo Tabata, Adelino e Warley. Uma das maiores conquistas recentes do Alvinegro do São José foi o acesso à Série C de 2019. Já o rubro-negro tem como maior objetivo atingido em sua história o título de campeão da Copa do Nordeste de 2013.

Uma marca de pai para filho

Um novo gramado e um novo encontro entre Campinense e Treze, obviamente precisaria ser coroado com uma grande homenagem a dois ídolos da história desse estádio e, consequentemente, do futebol paraibano. Pedrinho Cangula e Marcelinho Paraíba, pai e filho, serão homenageados nesta quarta-feira, em Campina Grande. Este é apenas mais um dos ingredientes do Clássico dos Maiorais número 405.

A história do gramado que durou 43 anos começou com Pedrinho Cangula, quando vestia a camisa do Campinense e acabou com Marcelinho Paraíba, que marcou o último gol antes da reforma do ‘palco’ de jogo da Rainha da Borborema.

Quando o Amigão foi inaugurado em 1975, no jogo entre Campinense e Botafogo-RJ, os 22 mil torcedores que foram ao estádio não viram as redes balançarem, afinal o duelo acabou com um empate em 0 a 0. Entre tantos craques que na época atuavam na Raposa, Pedrinho Cangula foi o responsável por entrar para a história com o primeiro gol marcado no novo estádio. O jogo terminou em 1 a 1, com Fernando Canguru empatando para o Galo da Borborema.

Quatro décadas depois, o seu filho Marcelinho Paraíba acaba tendo o mesmo destino do pai, deixando uma marca na história do futebol de Campina Grande. O experiente atacante balançou as redes no gramado antigo do Amigão. Parecia que era algo para fechar com chave de ouro a última partida, antes da reforma e instalação da nova grama na praça esportiva.

Para a história ser ainda mais perfeita, mostrando que a rivalidade entre Campinense e Treze existe em tudo, o último gol foi em um jogo onde o Galo da Borborema foi o paraibano protagonista. No episódio, quem estava do outro lado era o Ferroviário-CE, em jogo válido pela Série D do Campeonato Brasileiro.

Revelado pelo Campinense na década de 90, Marcelinho Paraíba jogou pouco pela Raposa, pois aos 17 anos foi negociado e partiu para o Rio Branco-SP. Logo após defendeu clubes como Santos-SP, São Paulo-SP, Flamengo-RJ, Grêmio-RS, além do Hertha Berlim (Alemanha) e vestiu até a camisa da Seleção Brasileira. Nas duas últimas temporadas voltou ao futebol paraibano, se tornando ídolo do Treze e ajudando o time a chegar à Série C do Brasileiro. Agora, Marcelinho está atuando pela Perilima, também de Campina Grande.

“Recebi o convite, fiquei muito feliz e estarei lá para receber esta homenagem, ao lado do meu pai. Espero que o Amigão esteja lotado e tudo eu agradeço às torcidas de Treze e Campinense, que sempre torceram por mim e pelo meu pai. Será uma grande festa, pois os dois times estão se preparando para o próximo campeonato e nenhum torcedor vai querer perder esse momento”, disse Marcelinho.

*Texto de Franco Ferreira e Lídice Pegado, do Jornal Correio

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