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Cientista da UFPB participa da descoberta de três novas espécies de peixe

Nomes científicos dos animais homenageiam cultura nordestina e professor aposentado da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
Peixe
Foto: Divulgação

O cientista e professor do Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Telton Ramos participou da descoberta de três novas espécies de peixe do gênero Eigenmannia. São estas: Eigenmannia cacuria, Eigenmannia bumbai e Eigenmannia robsoni. Os achados ocorreram na bacia do Rio Parnaíba, precisamente nos Estados do Maranhão e Piauí, no Nordeste brasileiro. 

Popularmente conhecidas como lampreia, sarapo, tuvira ou ituis, as espécies desse animal aquático integram o grupo dos peixes elétricos, a exemplo do poraquê amazônico. Com esses achados, agora, a ciência tem conhecimento de 30 espécies de peixe do gênero Eigenmannia.

Os nomes científicos de duas dessas novas espécies homenageiam a cultura nordestina. O epíteto da Eigenmannia cacuria remete à dança cacuriá, típica do Estado do Maranhão. O da Eigenmannia bumbai refere-se ao boi bumbá, famoso personagem do folclore do Norte e Nordeste do Brasil. E o da Eigenmannia robsoni condecora o professor aposentado da UFPB Robson Tamar da Costa Ramos por suas contribuições aos estudos dos peixes do Nordeste.

Segundo Telton Ramos, o Rio Parnaíba é o maior curso de água cuja bacia hidrográfica está inteiramente situada na região Nordeste brasileira. É, também, um dos poucos perenes e se encontra sob domínio predominante da Caatinga, com outra parte se estendendo na região do Cerrado.

Ele explica que o rio tem a sua ictiofauna [conjunto das espécies de peixes que existem em uma determinada região biogeográfica] ainda pouco conhecida. Por esse motivo, resolveu estudar os peixes desta bacia e descobriu cerca de 25 novas espécies durante seu doutorado, defendido em 2012. 

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“Descobri duas dessas novas espécies do gênero Eigenmannia. Guilherme Dutra, aluno de doutorado do Museu de Zoologia de São Paulo (MZUSP), encontrou uma terceira. As três vêm sendo descritas por nós, mais o Naércio Menezes, professor aposentado do MZUSP, desde 2010”, conta o cientista da UFPB.

As três novas espécies foram classificadas como Menos Preocupante (LC). Isso significa que, pelos dados da descrição dos pesquisadores, não se encontram ameaçadas de extinção. As avaliações são baseadas nos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

São considerados para esse tipo análise, por exemplo, dados de distribuição das espécies, se são amplamente distribuídas ou se têm distribuição restrita, número de indivíduos encontrados, ameaça como destruição dos seus habitats, sobrepesca etc.

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As categorias, de acordo com a IUCN, em ordem decrescente de risco de extinção, são Extinto (EX), Extinto na Natureza (EW), Regionalmente Extinto (RE), Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN), Vulnerável (VU), Quase Ameaçado (NT), Menos Preocupante (LC), Dados Insuficientes (DD), Não Aplicável (NA), Não Avaliado (NE).

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também fará sua avaliação, que é a oficial no país, a fim de definir a situação de ameaça das três espécies descobertas. Esse trabalho é realizado por um número bem maior de pesquisadores, com o auxílio de funcionários do órgão. 

“Quando achados como esses acontecem, o pesquisador deve avaliar se realmente se trata de uma espécie nova, através de uma diagnose e uma descrição. Na diagnose, precisa mostrar as diferenças da espécie encontrada em relação às já conhecidas, mostrando suas características. Depois disso, publica a descoberta em uma revista científica, com o intuito de oficializá-la”, ensina Telton Ramos.

Como todo animal, esses peixes descobertos têm sua importância no ecossistema em que vivem. Por serem predadores, atuam no controle de outras espécies de peixes e, assim, ajudam na estabilidade dos nossos rios e no controle de larvas de insetos e de outros invertebrados que podem causar doenças. 

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Telton Ramos argumenta que a bacia do Parnaíba, assim como outras do Nordeste e do restante do Brasil, precisa ser mais bem estudada, pois muitas espécies ainda têm sido descobertas, o que prova que essas bacias necessitam ser mais bem exploradas.

A lista oficial de espécies de peixes ameaçadas no Brasil, definida em portaria de 2014 do Ministério do Meio Ambiente, elenca 3.147 espécies de peixes continentais. Desses, 312 estão em algum grau de ameaça. Em breve, nova lista deverá ser apresentada, provavelmente com um número ainda maior de espécies ameaçadas.

Na concepção de Telton Ramos, a situação na América Latina e no mundo não é boa, porque muitos impactos podem atingir a diversidade de peixes dessa região, inclusive o aumento do aquecimento global, a poluição dos rios e o desmatamento das matas ciliares.

“A América do Sul tem a maior diversidade de peixes de água doce do mundo, com estimativas de mais de nove mil espécies. No entanto, chamamos a atenção de que muitos desses peixes ainda não são conhecidos pela ciência e podem ser extintos sem serem conhecidos”, alerta o cientista da federal paraibana.

As descrições completas das três novas espécies de peixe do gênero Eigenmannia estão disponíveis em artigo científico publicado no periódico Neotropical Ichthyology, revista científica revisada por pares, com foco em todos os aspectos da ictiologia neotropical, editada desde 2003 pela Sociedade Brasileira de Ictiologia.

Palavras Chave

Ciência

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