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Josival Pereira

Inesperadamente, na sexta-feira, a senadora Daniella Ribeiro (PP) disse que o governador João Azevedo era de difícil trato e que não tinha relações com o mesmo.

Por sua vez, o governador, nesta segunda-feira, respondeu lembrando que já havia recebido Daniella em audiências, que não se considerava uma pessoa difícil.

Pelo dito e a forma de dizer, não quis polemizar.

Mas fica a questão: por que Daniella tentou cancelar (para usar uma expressão da moda do mundo das mídias) politicamente o governador?

O governador insinuou um possível descontentamento administrativo. O não atendimento de um pleito envolvendo ações na pandemia.

É pouco. Tem mais coisa aí.

As declarações da senadora vieram após o deputado Manoel Ludgério (PSD) defender uma chapa, para 2022, do governador com o ex-prefeito Romero Rodrigues na vice.

Terá sido então uma reação movida a sentimentos do universo político campinense?

Pode. Mas, se assim for, parece razão muito pouco convincente.

Talvez a principal motivação das declarações da senadora seja mesmo o seu desejo de ser candidata ao Governo do Estado no próximo ano.

Vale lembrar que, mais recentemente, o governador João Azevedo passou a falar abertamente que deseja ser candidato à reeleição.

De outro lado, o ex-prefeito Romero Rodrigues também tem se apresentado como candidato ao Palácio da Redenção.

Assim, Daniella pode estar avaliando que não pode ser tragada por uma possível polarização precoce na disputa estadual. Talvez venha daí a impaciência.

Aí, impõe-se a pergunta: e por que o PP de Daniella e Aguinaldo Ribeiro se aliou com o governador para a disputa das eleições em João Pessoa e noutros municípios?

Era óbvio que o governador João Azevedo poderia ser candidato à reeleição.

Pode ser que se tenha imaginado em algum momento que, por alguma razão, o governador poderia não ser candidato à reeleição.

O problema é que o governador tem avançado nas articulações para montar um amplo esquema partidário para buscar a reeleição e, nacionalmente, também começam se formar os pólos para a disputa presidencial. E todos com certa pressa.

Neste contexto, olhando lá pra frente, Daniella parece disposta a demarcar território. Só pode ser isso.

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