
Quando se fala em uso de drogas, especialistas lembram do desejo de saber a partir da experimentação. E isso é mais evidente em adolescentes e jovens: nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento de fumantes entre 13 e 17 anos de idade, acendendo o alerta de profissionais de saúde quanto aos malefícios causados ao pulmão por quem fuma desde cedo.
Segundo o médico pneumologista e Prof. Rodolfo Bacelar, do curso de Medicina do Unipê, da mesma forma que há prejuízo para os pulmões adultos haverá nos mais jovens. Aqui a diferença é que os órgãos serão expostos mais precocemente aos riscos, podendo desenvolver doenças mais cedo também.
“As drogas inaladas ou fumadas podem ter ações danosas semelhantes: tão logo a pessoa fuma ou inala, uma inflamação causada pela temperatura elevada começa naqueles que fumam. E isso lesa não só os pulmões, mas toda a via aérea. Associado a isso, as substâncias presentes nas fumaças geram reações inflamatórias agressivas, por sua toxicidade, destruindo a arquitetura funcional dos pulmões”, explica Rodolfo.
O especialista relembra que fumar resulta em diversos prejuízos ao organismo humano, como destruição dos alvéolos, a região final do pulmão onde ocorrem as trocas gasosas; enfisema pulmonar e inflamação crônica dos brônquios (bronquite). Nas drogas inaladas, não há a lesão pela temperatura, mas física pela presença de pós e poeiras.
Daquelas ligadas à inalação de substâncias, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), muito conhecida como bronquite dos fumantes ou enfisema pulmonar, é a principal delas. Além disso, pode agravar doenças pulmonares já existentes, como a asma. Há maior risco de desenvolvimento de outras inflamações pulmonares que podem evoluir para fibrose pulmonar, o que pode resultar inclusive na necessidade de transplante pulmonar. Infarto, AVC e outras patologias estão relacionadas ao consumo de vaporizadores, tabaco e drogas inaladas.
“Cronicamente, a função do pulmão pode ser afetada a ponto de demandar o uso de oxigênio contínuo. Somado a isso, existe uma queda das defesas pulmonares, o que aumenta a chance de infecções e o risco de quadros mais graves. Por fim, o risco do desenvolvimento do câncer em diversos órgãos, incluindo o mais letal dentre todos, o câncer de pulmão”, assinala Rodolfo.
Adolescentes que fumam têm grande chance de se tornarem adultos fumantes, o que aumenta o risco de adoecerem e morrer por doenças ligadas ao tabaco. Essa iniciação precoce ao fumo também amplifica o risco de uso abusivo de outras substâncias, como álcool e drogas ilícitas.
“Como o sistema nervoso central desses indivíduos ainda passa por processo de desenvolvimento e amadurecimento, o mesmo pode ser afetado, crescendo assim o risco de problemas relacionados – um pior desempenho cognitivo, pior rendimento acadêmico, maior chance de desenvolver problemas psiquiátrico e comportamentais. Em proporções diferentes a depender das drogas utilizadas, os riscos seguem os mesmos com uso de outras substâncias aditivas”, pontua Rodolfo.
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