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Como diminuir uso do aquecedor e ar-condicionado?

Arquiteta e urbanista explica que o uso do conceito conforto térmico ajuda a usar a ventilação natural

Quem vive em regiões quentes do país ou que sazonalmente fica quente sabe que usar o ar-condicionado é uma saída ao mal-estar causado pelo calor. O inverso também ocorre: lugares muito frios, aquecedor na hora. O que muita gente não sabe é que é possível adotar algumas medidas para diminuir a dependência desses equipamentos. E elas vêm com a arquitetura e urbanismo ao pensar no conforto térmico.

Na arquitetura são estudadas estratégias aplicadas às construções para diminuir o uso de aquecedores ou ares-condicionados. A ideia é promover climatização natural, especialmente com técnicas de ventilação natural, segundo a Profa. Ma. Kelly Christine Silva de Lima, de Arquitetura e Urbanismo do Unipê.

“Tais estratégias podem ser bastante simples como a mudança de cor numa fachada, até mesmo mais complexas como a instalação de uma proteção solar. Mais especificamente, é necessário um estudo dos fatores ambientais como fluxo da ventilação natural e direção da insolação, para definir as melhores condições de conforto térmico nas edificações”, expõe a arquiteta e urbanista.

Se esse estudo começar já no ato projetual, haverá menos custos e mais eficiência durante a execução da obra. O arquiteto e urbanista é o profissional que escolherá a melhor solução em conforto ambiental, térmico, acústico e até luminoso, diz Kelly. “Mas caso se trate de ambientes internos, um designer de interiores também pode ser consultado”, adiciona.

Na Paraíba, o clima costuma ser bastante quente em grande parte das cidades. Na capital e no interior do estado, então, é necessário primeiro garantir boas condições de ventilação natural com um sistema de aberturas inteligente que promova a ventilação cruzada.

“Aquela que cruza o ambiente e deixa que o ar interno possa ser constantemente trocado pelo ar externo. Em segundo, deve-se promover sombreamento e proteção solar, através do uso de beirais e outras estruturas que promovam sombra ou também por meio de elementos de proteção solar, como brises e cobogós”, cita.

Mas o problema do conforto térmico é recente ou não se pensava nisso? Antigamente os projetistas não dispunham da tecnologia atual, da eletricidade e dos produtos industriais, entre outros. Então os espaços construídos tinham de ser o suficientemente bem elaborados, já que as condições climáticas indesejadas poderiam prejudicar as pessoas. As proteções contra o frio e o calor ocorriam por meios mais naturais do que artificiais.

“Então, o cuidado com as edificações e com a cidade começava desde a escolha de materiais, forma e aberturas, na tentativa de extrair o melhor de cada solução para evitar excessos, nem frio intenso nem calor exagerado. Também vale ressaltar que cada lugar tinha seu conjunto de soluções construtivas melhor adaptadas às condições climáticas, isto é, a regionalidade era um fator de sobrevivência, em oposição ao mundo globalizado que temos hoje”, conclui a arquiteta e urbanista.

Conforto térmico na cidade

E na verdade, o conceito abrange a cidade: é preciso ser confortável e oferecer condições de caminhabilidade, mobilidade e simplesmente ser acolhedora o suficiente para as interações humanas de lazer ou não. “Logo, o espaço urbano, a cidade deve ser planejada considerando-se a diminuição dos desconfortos causados pelos excessos que o clima pode trazer”, explica Kelly.

Para isso, arquitetos e urbanistas elaboram soluções construtivas que melhor se adaptam às condições climáticas de cada lugar e que promovam um ambiente urbano mais saudável. “O conjunto das edificações de uma cidade é peça chave para o sucesso e para o conforto térmico”, diz.  “É importante cuidar do espaço externo, do espaço urbano que influencia muito no conforto dentro dos ambientes. Isto é, a cidade e sua forma contribuem para o aumento de calor; fator que para o nosso clima é amenizado especialmente com o uso de vegetação e um bom paisagismo”, pontua.

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