O silêncio é quase um desconhecido nas grandes cidades. O barulho é um mal da vida moderna e faz mal para a saúde. Tanto é que quem faz barulho excessivo é passível de multa e até prisão. Ruídos constantes acima de 55 decibéis durante o dia e 40 decibéis durante a noite são nocivos segundo critérios da Organização Mundial de Saúde.
No cotidiano, as pessoas enfrentam diversas situações que ultrapaassam esses limites, desde restaurantes cheios a ruas movimentadas. Mas dentro de um hospital, o barulho pode ser ainda mais prejudicial. O barulho pode ser um fator de perda de energia.
Ainda segundo a OMS, os ruídos nos hospitais devem ficar no máximo em 35 decibéis, o que equivale a conversar por meio de sussurros.
A recuperação de pacientes, tanto dentro de hospitais quanto em casa, envolve uma série de aspectos que vão muito além do quadro clínico em si. Até mesmo a presença ou não de ruídos no ambiente em que o paciente se recupera pode afetar o estado de saúde, assim como outros fatores ligados ao ambiente.
Repouso
Depois de terminada a cirurgia, é importante que o paciente evite retomar a sua rotina normal e descanse o máximo possível. É preciso que tudo seja pensado de maneira que o corpo gaste o mínimo possível de energia, para que ela seja direcionada à recuperação. Isso se torna mais importante nos casos de pacientes de UTI.
Ruídos em excesso podem causar estresse e desconforto, acelerando os batimentos cardíacos e elevando a pressão arterial. A situação piora se os barulhos provocarem insônia e ansiedade.
Isso acontece porque a audição humana nunca para de funcionar, nem durante o sono. Quanto mais ruídos a pessoa estiver ouvindo, mais energia o corpo vai gastar para processá-los.
Entre os fatores que podem causar sons indesejáveis no ambiente hospitalar estão conversas entre a equipe médica, poluição sonora do exterior do hospital, telefones, campainhas, carrinhos que deslizam pelos corredores sobre rodas, monitores cardíacos, ventiladores e equipamentos relacionados à logística e funcionamento do hospital, como elevadores, caldeiras, geradores de energia e compressores de ar, além de máquinas médicas, como aparelhos de ressonância magnética e tomografia, entre outros.
Para evitar a propagação de ruídos como esses nos hospitais, é preciso que os especialistas em acústica estejam envolvidos na elaboração do projeto arquitetônico. Os cuidados que devem ser tomados estão desde a escolha dos materiais e da disposição de paredes, salas, quartos e corredores e podem envolver, entre outras soluções, a instalação de cabine acústica para isolamento do barulho de máquinas e equipamentos, uma das principais fontes de ruído em hospitais.
Os sons se espalham não apenas pelo ar, mas também pela alvenaria. Por isso, a seleção dos materiais é importante para limitar o máximo possível as vibrações provocadas pelos equipamentos.
É recomendável que a preocupação com o conforto do paciente inclua também outros aspectos, como iluminação e decoração. Tudo isso propicia com que o paciente se sinta melhor e, assim, tenha uma recuperação mais tranquila. O ideal é que o ambiente tenha iluminação suave e, se possível, natural, e que seja bem decorado. Quanto aos móveis, é preferível que tenham cor, embora suave. Luz demais, ar-condicionado muito forte e falta de privacidade podem prejudicam a recuperação assim como o excesso de sons.
Alimentação
Não é surpreendente que uma boa alimentação seja capaz de influenciar no processo de recuperação. A carne, por exemplo, é um tipo de alimento importante porque a proteína animal é uma fonte de zinco, um mineral que facilita o trabalho das células na reparação de tecidos – o que é fundamental, por exemplo, para aqueles que se recuperam de cirurgia.
Porém, as carnes brancas são mais recomendadas que as vermelhas, pois são mais fáceis de ser digeridas.Carnes de peixes, como atum e salmão, são fontes de ômega 3, um ácido-graxo que fortalece o sistema imunológico e dificulta a ocorrência de inflamações.
Beber água também é importante, pois ela facilita todas as funções do corpo.
Curativos
Em caso de ferimentos ou cirurgias, é preciso limpar o lugar com água corrente ou soro fisiológico antes de se fazer o curativo e secar com gaze ou com um pano limpo. Em casos em que o corte é pequeno, é possível usar um curativo já pronto. Se não, deve-se fazer o curativo com gaze seca e esparadrapo.
O curativo deve ser renovado com frequência. Se o corte produzir muita secreção, a frequência precisa ser ainda maior. Além disso, deve-se evitar molhar o curativo.