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Futuro do trabalho: qualificação frente às novas exigências

Upskilling e Reskilling são competências fundamentais para se destacar no ambiente corporativo

Com o mercado de trabalho volátil, conquistar uma vaga vem sendo cada vez mais desafiador frente às novas exigências e competências. Os avanços tecnológicos e da sociedade como um todo estão mudando o perfil de qualificação para as vagas na hora do recrutamento, e o que antes era necessário apenas de formação e algumas habilidades de informática, hoje a lista desejada pelas empresas é ainda maior.

De acordo com a pesquisa do Fórum Econômico Mundial de 2020 (FEM), cerca de 30% das competências que eram e são utilizadas atualmente, de nada servirão para os “10 anos” seguintes.

“Analisando os dados do FEM, se passaram quase dois anos dessa publicação e já percebemos essas mudanças. Atualmente, habilidades voltadas para o cargo passaram a ser substituídas (ressignificadas) por competências focadas nas novas demandas do mundo do trabalho, que é cada vez mais digital, conectado por intermédio do uso das tecnologias da informação e da comunicação”, destaca Anderson Barros da Silva, professor de CST em Gestão de Recursos Humanos do EAD Unipê.

Esse cenário reflete um pouco as relações interpessoais antes e pós pandemia. “Em 2019, por exemplo, as atividades eram focadas na presencialidade. Contudo, hoje, além das habilidades requisitadas nas relações presenciais, tivemos que desenvolver novas competências com o uso das tecnologias, sem perder a qualidade, o compromisso e a ética”.

Para caminhar no mercado atual, é preciso ressignificar as habilidades e, além de ter competência frente ao cargo desejado, o indivíduo deverá ter diferenciais na era digital. E os dados do FEM apontam que 35% dos trabalhadores no Brasil e 39% no mundo dizem estar preocupados em não receber do empregador treinamento suficiente em competências digitais e tecnológicas.

Em paralelo, as pessoas almejam se desenvolver no contexto digital: um termo que vem sendo evidenciado neste processo é o Upskilling.

“O Upskilling está relacionado à atualização dos profissionais para as demandas do mundo do trabalho atual, que está em constante transformação e, agora, mais acelerada por conta das tecnologias. Nesse sentido, essa preocupação dos trabalhadores brasileiros e mundiais é bastante pertinente e mostra uma percepção adequada destes sobre o mercado atual, demonstrando, não somente a importância, mas a necessidade e, até mesmo, a urgência das empresas investirem na qualificação profissional dos seus trabalhadores, desenvolvendo competências digitais e tecnológicas”, salienta o professor de RH.

Anderson destaca que se a empresa não investir na qualificação e desenvolvimento dos seus profissionais, perderá os seus talentos e, mesmo que consiga absorver novos talentos do mercado, ela não conseguirá atrair todos os que necessitará em tempo hábil, precisando, assim, desenvolver, enquanto empresa, profissionais com skills ou upskilling, entendidos como competências técnicas, comportamentais e socioemocionais. Os dados do FEM evidenciam que 35% dos trabalhadores brasileiros e 39% dos trabalhadores mundiais já perceberam que, para os próximos anos, precisarão de investimentos em conhecimento, qualificação e requalificação.

Analisando o cenário do futuro de trabalho, o professor reforça que é possível perceber que os profissionais atualmente consideram as oportunidades de estudos ofertadas pelas empresas tão importantes quanto o salário. “O conceito de aprendizado ao longo da vida, em inglês lifelong learning, é uma realidade. Deixamos de buscar apenas a educação continuada e passamos, de forma acelerada, a buscar a aprendizagem contínua.”

E para se preparar cada vez mais para esse futuro do mercado de trabalho, Anderson orienta que os profissionais e as empresas devem investir desde já em upskilling, ou seja, potencializar as habilidades e competências atreladas às necessidades contemporâneas do mundo de trabalho.

“Invista em conhecimento, planeje a sua carreira e busque gerir as angústias geradas pelas aceleradas mudanças, potencializando as suas competências e minimizando o sofrimento. Reserve um tempo para si e foque no desenvolvimento de competências socioemocionais e não apenas nas técnicas e comportamentos. Lembre-se de que somos sujeitos biopsicossociais, portanto, atente-se aos fatores biológicos, psicológicos e sociais, isso é, desenvolva o autoconhecimento e alinhe o seu planejamento às necessidades do mercado”. 

O professor de RH ressalta também a importância do Reskilling no processo de gestão da carreira profissional do trabalhador e na gestão de pessoas das organizações. “Atualização, qualificação e requalificação profissional são processos que devem fazer parte da agenda da gestão de pessoas e da gestão da carreira dos profissionais. Em alguns casos não é necessária uma atualização profissional (Upskilling), partindo de habilidades já existentes, para a construção de novas competências alinhadas às demandas do mundo do trabalho atual, como é o caso do contexto digital e tecnológico. Já em outros, deve-se buscar realizar uma requalificação de um profissional, de um cargo que será extinto, por exemplo, para novas posições dentro da organização (Reskilling)”, finaliza.

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