Moeda: Clima: Marés:

Ginecologista reforça cuidados de saúde para pessoas trans

Prevenção de doenças uterinas envolvem exames e consultas médicas regulares

No Brasil, as demandas das pessoas LGBTQIA+ têm sido reconhecidas e estudadas, mesmo que a passos curtos. No campo da saúde, em especial quantos aos cuidados médicos e de saúde sexual, os debates têm ficado mais à tona. Pessoas transmasculinas e homens trans, dentre outras, também precisam de assistência em saúde relativa ao útero e a vagina. E, por isso, a importância de entender realidades diferentes das mulheres cisgênero.

A Profa. Ma. Ana Thereza Uhcôa, do curso de Medicina do Unipê, diz que as demandas mais específicas de pessoas que têm útero são a relação sexual segura e a realização dos exames preventivos. O atendimento entre mulheres cis e pessoas transmasculinas ou homens trans deve ser o mesmo. Contudo, a professora considera a dificuldade que as pessoas trans têm em entender a necessidade da prevenção de doenças uterinas.

“O colo uterino, por sua íntima relação anatômica com a vagina, é a parte do útero que merece maior atenção quando se fala em saúde sexual. O ato sexual pode transmitir agentes patógenos responsáveis por doenças infecciosas que acometem o útero. Como consequência, as pessoas com útero estão susceptíveis às cervicites, doença inflamatória pélvica e câncer de colo uterino”, cita Ana, que é médica ginecologista e obstreta.

A disseminação de informações preventivas sobre doenças uterinas, por exemplo, o câncer de colo de útero, já é feita em larga escala. No entanto, Ana defende ser preciso ressaltar a importância disso para as pessoas trans, pois agregaria maior adesão aos exames ginecológicos necessários, como o Papanicolau.

“Observa-se até mesmo nas pessoas cis uma certa resistência em realizar o exame Papanicolau regularmente. Isto é importante porque o câncer de colo uterino, quando diagnosticado na fase subclínica, isto é, sem sintomas, é passível de cura. Mas, os sinais e sintomas que pessoas com útero devem observar são: corrimento vulvovaginal, prurido (coceira), condilomas (verrugas), sangramento vaginal, dor pélvica”, elenca Dra. Ana.

Junto ao exame regular de Papanicolau, manter relações sexuais seguras, adotando preservativos, é um dos principais cuidados quanto a saúde sexual de qualquer pessoa com útero. Ainda, tratar eventuais infecções vaginais, como os corrimentos vulvovaginais, faz parte da manutenção da saúde.

“As pessoas com útero devem ter consciência de que, estejam ou não com sintomas, o exame Papanicolau deve ser realizado a fim de prevenir o câncer de colo uterino”, reforça a médica, lembrando ser preciso evitar exposição a fatores de risco para doenças infecciosas transmitidas pela relação sexual. Por exemplo, o vírus HPV, transmitido sexualmente, é um fator de risco para o câncer de colo uterino.

Tratamento hormonal: cuidados específicos

As pessoas transgênero que se submetem à terapia hormonal masculinizante experimentam uma ampla gama de efeitos à medida que iniciam e mantêm a terapia com testosterona, segundo a ginecologista Ana. E no que se refere à saúde sexual, esses efeitos são benéficos do ponto de vista de desejo sexual, pois corrige sua hipoatividade.

“Os cuidados a serem tomados estão relacionados à disfunção hepática e ao risco cardiovascular. Assim, sugiro a prevenção dessas condições por meio de exames laboratoriais rastreando a função hepática e avaliação cardiológica completa, de forma rotineira”, pontua a médica.

Quer ser um (a) ginecologista?

Faça Medicina! O curso do Unipê forma profissionais pautado em princípios éticos, qualificados com base no rigor científico e capazes de intervir em situações de saúde-doença que fazem parte do perfil epidemiológico nacional. Saiba mais sobre a graduação aqui!  

publicidade
© Copyright 2026. Portal Correio. Todos os direitos reservados.