‘Magia do personagem é revigorante’, diz ‘Papai Noel’

Ator Carlos Bertrand Antunes da Silva, de 55 anos, conta que cansaço físico é vencido por troca de boas energias com crianças

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Todos os anos, em dezembro, espaços públicos são tomados por luzes e enfeites especiais. Em meio à decoração cheia de cor e alegria, um protagonista: o Papai Noel, personagem que há décadas encanta crianças e adultos. A figura do bom velhinho, aquele responsável por distribuir presentes, está espalhada por toda parte. Como o original mora no Pólo Norte e não teria condição de atender a todos os pedidos, ajudantes surgem espalhados nas cidades com o objetivo de manter vivo o clima de magia tão característico do período natalino.

Duas semanas antes do Natal, acompanhamos a rotina de um desses ‘papais noéis adjuntos’. Carioca, o ator Carlos Bertrand Antunes da Silva, de 55 anos, já vive o bom velhinho há pelo menos uma década. Neste ano ele foi escalado para atuar em um shopping no bairro de Tambiá, em João Pessoa. Diariamente, são horas de dedicação ao personagem.

Carlos mora no bairro do Cuiá, na Zona Sul, e seu primeiro destino é uma casa de aluguel de fantasias em Manaíra, na Zona Leste. O percurso é feito por uma linha circular de ônibus. Demora na espera pelo transporte, coletivo lotado e longa viagem normalmente são coisas enfrentadas pelo ator até a transformação em Papai Noel. Depois de pronto ele segue de carro para o shopping em Tambiá, onde é recebido sempre por volta das 15h. O atendimento às crianças acontece até as 20h, em ritmo frenético. Ao Portal Correio, ele admite que dar vida ao bom velhinho é bastante cansativo, porém gratificante na mesma medida.

“Sinto as energias restauradas nessa época do ano. Digo com sinceridade, ser Papai Noel é cansativo fisicamente, mas espiritualmente não tem preço porque eu lido com alegria e sonho das crianças. É uma coisa quase mística. Existe uma troca de boas energias. Eu recebo energia e passo energia, como pessoa e como personagem”, conta.

Em 10 anos na ‘profissão Papai Noel’, Carlos Bertrand mantém na memória vários momentos com crianças. Muitos deles divertidos; outros, emocionantes ou até mesmo lastimosos. “No ano passado, um menininho chegou para mim e relatou uma briga dos pais, um caso de violência doméstica. Na hora, tive que contornar a situação e mudar de assunto, mas aquilo me tocou profundamente e ainda hoje mexe comigo. Confesso que desabei ao sair do personagem porque eu percebi que aquela criança, naquele momento, talvez estivesse pedindo minha ajuda, ajuda a um personagem que para ele é encantado. Isso ficou muito forte em mim”, recorda.

Se tivesse o poder de presentear todas as crianças, Carlos Bertrand diz que escolheria distribuir os sentimentos de alegria, esperança, amor e generosidade. “Acredito que precisamos muito disso no mundo”.

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