
A Polícia Federal realiza nesta sexta-feira (11) a Operação Lucas 12:2, que tem o objetivo de esclarecer a atuação de um grupo criminoso suspeito de praticar os crimes de peculato e lavagem de dinheiro. O general do Exército Mauro César Lourena Cid, pai do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro Mauro Cid, é um dos alvos da operação. A informação é do R7, parceiro nacional do Portal Correio.
Os investigados são suspeitos de utilizar a estrutura do Estado brasileiro para desviar bens de alto valor patrimonial, entregues por autoridades estrangeiras em missões oficiais a representantes do Estado, por meio da venda desses itens no exterior.
Segundo a PF, os valores obtidos dessas vendas foram convertidos em dinheiro em espécie e ingressaram no patrimônio pessoal dos investigados, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores.
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do inquérito que investiga as ações das chamadas milícias digitais.
O nome da operação é uma alusão ao versículo 2 do capítulo 12 do livro de Lucas, um dos evangélios da Bíblia, livro sagrado dos cristãos. O trecho diz: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”.
Os emails trocados por Mauro Cid em que o ex-ajudante de Bolsonaro tentou vender um relógio da marca Rolex recebido em uma viagem oficial do ex-presidente à Arábia Saudita estão entre os documentos da CPMI do 8 de Janeiro. O R7 teve acesso a esses emails.
A troca de mensagens foi feita em inglês, e, nelas, uma pessoa não identificada agradece pelo interesse em vender a joia. “Obrigado pelo interesse em vender seu Rolex. Tentei falar com você por telefone mas não consegui contato. Pode me dizer se você tem a garantia/certificado desse relógio? Quanto você queria conseguir nele? O mercado pra Rolex usados tem diminuído bastante, especialmente de platina e diamante (já que o valor de varejo é tão alto). Só quero confirmar que nós estamos na mesma página antes de fazermos muita pesquisa. Ansioso para ouvir sua resposta”, diz a pessoa.
Mauro diz que não existe um certificado e que foi um presente. “Não temos o certificado do relógio, já que foi um presente recebido em uma viagem oficial de trabalho. O que nós temos é o selo verde que vem junto com o relógio. E eu também garanto que o relógio nunca foi usado. Eu pretendo conseguir algo no valor de 60 mil dólares”, afirmou.