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Perdas por furto de energia são suficientes para abastecer o Brasil por quase um ano

Prejuízo causado por furtos no país, referente ao período entre 2008 e 2023, equivale a 500 TWh, segundo dados da Aneel
Região Norte do Brasil é a mais atingida pelos furtos (Foto: Samy Sousa / MCOM)

Nos últimos 17 anos, o Brasil registrou uma perda de 500 TWh (terawatt-hora) de energia por furtos e fraudes na rede elétrica, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgados pela Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abadee) que consideram o período entre 2008 e 2023.

O prejuízo é suficiente para abastecer o país por quase um ano. Em 2022, por exemplo, o Brasil teve um consumo energético de 509 TWh.

Apenas em 2023, o país registrou a perda de 40 TWh, o que equivale a quase metade da produção da usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), no mesmo ano, quando o sistema gerou 83 TWh. De acordo com o levantamento, o índice das perdas em 2023 representa um crescimento de 19,3% em relação a 2022, quando o país teve prejuízo de 34,15 TWh.

Considerando que o custo médio de aquisição de energia pelas distribuidoras foi de R$ 249 em 2023, o país teve prejuízo de R$ 10,1 bilhões somente com os custos de compra energética, aponta o estudo.

Amazonas, Amapá, Rio de Janeiro, Pará e Rondônia se destacam entre os estados com maiores níveis de perdas por furtos ou fraudes. Na região Norte, por exemplo, 46,2% da energia fornecida para baixa tensão foi furtada em 2023.

Ainda segundo a pesquisa, a quantidade de energia perdida no ano passado, de 40 TWh, seria suficiente para abastecer a população residencial do Amapá, Acre, Roraima, Tocantins, Sergipe, Alagoas, Rondônia, Piauí, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Distrito Federal e o Espirito Santo juntos.

Quem paga a conta

Atualmente, a Aneel limita o repasse das perdas por furtos ou fraudes para a conta de energia, quando observada ineficiência da gestão da concessionária. Assim, é definido uma perda regulatória, ou seja, é um valor máximo do prejuízo que os consumidores vão pagar.

De acordo com o professor de engenharia elétrica da UnB (Universidade de Brasília) Rafael Shayani, o modelo funciona como um incentivo para a fiscalização por parte da concessionária. “Se a distribuidora fiscaliza de forma mais adequada, ela conseguiria ter perdas menores que a perda regulatória anual. Se ela não fiscaliza o suficiente, ela tem mais perdas”.

No ano passado, por exemplo, a taxa regulatória ficou em 10,6%, indicando o máximo do valor que foi reposto pelo consumidor. O restante do prejuízo é pago pela distribuidora. O especialista explica que incentivos financeiros para o investimento em tecnologias de identificação de perdas e politicas públicas sobre a conscientização dos perigos dos “gatos” poderiam ser estratégias do governo para reduzir os prejuízos.

10 horas sem luz

Uma pesquisa feita pela Aneel apontou que em 2023, os consumidores brasileiros ficaram, em média, 10 horas sem energia elétrica. O levantamento aponta que foram mais de cinco quedas de energia, na média do ano.

O índice representa uma queda na comparação com 2022, quando as interrupções foram de 11 horas e 20 minutos. Na época, agência também mostrou que o valor das chamadas “compensações pagas aos consumidores” aumentou. Os descontos, dados automaticamente na conta de luz, são para compensar a má qualidade do fornecimento de energia.

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