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ANE e Cagepa trocam acusações sobre problemas com falta de água em Santa Rita

ANE lista problemas e precariedades, enquanto Cagepa diz que tudo funciona normal, mas reconhece que rede da cidade deveria ser integrada à de João Pessoa
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Foto: Divulgação/ANE

O diretor de operações da Empresa de Águas do Nordeste (ANE), Adriano Pavezi, responsabilizou a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) por todos os problemas que estão causando falta de água em Santa Rita, na Grande João Pessoa. Ele ainda disse que a estatal estaria usando cimento amianto na rede, um material cancerígeno e proibido desde 2017 por meio de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pavezi foi o entrevistado dessa sexta-feira (27) do Correio Debate, da Rede Correio Sat, e apontou problemas em equipamentos com defeitos e estruturas precárias que teriam sido deixados pela Cagepa, além de dificuldades com o processo de transição entre as empresas. Veja a entrevista no fim da matéria.

O presidente da Cagepa, Marcus Vinícius Neves, rebateu todas as acusações. Ele afirmou que a rede com amianto é pequena na cidade e não entra mais em contato com a água usada no abastecimento e diz ainda que entregou o sistema funcionado normalmente, com problemas pontuais. Apesar disso, a estatal reconhece que a rede de Santa Rita precisaria ser integrada à de João Pessoa para operar com plenitude. Ouça o áudio no fim da publicação.

Compromissos da ANE com Santa Rita

O diretor de operações da ANE, Adriano Pavezi, disse na entrevista que o projeto de abastecimento de água e esgoto de Santa Rita custou R$ 5 milhões e, conforme contrato assinado em 2019, a cidade deverá receber investimentos de pelo menos R$ 260 milhões para universalização das redes de água e esgoto até 2033, como determina o Marco Legal do Saneamento.

Santa Rita é a primeira e única cidade da Paraíba a ter o sistema de água e esgotos gerido por uma empresa privada, que foi criada exclusivamente para atuar na cidade. A ANE pertence à Saneamento Urbano e Construções S.A. (Sanurban) e à Bela Fonte Saneamento Ltda.

Sobre a composição da tarifa, Pavezi explicou que ela continua tendo como base a mesma que era executada pela Cagepa na cidade e deverá sofrer reajustes anuais pela inflação oficial, como ocorre com a conta de luz, por exmplo. Usuários com tarifa social não enfrentarão alterações com o benefício.

Santa Rita sem água

A polêmica em torno do abastecimento em Santa Rita ocorre há cerca de duas semanas quando a ANE assumiu a rede de água e esgoto da cidade, por meio de concessão, no lugar da Cagepa.

As negociações para a privatização da água começaram em 2018, foram formalizadas em 2019 por meio de processo licitatório, que teve a ANE como vencedora, mas só foram colocadas em prática neste ano devido à judicialização do caso.

Desde que houve a mudança, a cidade tem problemas no abastecimento e a população enfrenta falta de água. A ANE disponibiliza o telefone 0800 731 2631 e o site para informações, mas a população reclama de dificuldades com o serviço de atendimento.

Cagepa rebate, mas cita problemas

O presidente da Cagepa, Marcus Vinicius Neves, enviou um áudio com pouco mais de cinco minutos para o Portal Correio, no qual responde cada ponto colocado pelo diretor da ANE.

Sobre o processo de transição, ele disse que a estatal disponibilizou servidores nas estações de tratamento por 24 horas, com todas as informações, mas o processo não ocorreu como deveria porque a ANE e a Prefeitura de Santa Rita não quiseram.

Quanto às precariedades apontadas pela ANE nos equipamentos, o presidente da Cagepa disse que tudo funcionava com o que está posto na cidade e que tem relatório fotográfico que comprovaria a capacidade normal de operações.

Ele falou que problemas pontuais existiam em Tibiri e Marcos Moura por ligações que não estavam cadastradas na companhia. “Refutamos veementemente a afirmação de que entregamos equipamentos danificados. A Cagepa operava o sistema regularmente”, disse Marcus Vinícius.

O presidente da companhia disse também que a ANE culpa a estatal porque não sabe operar o sistema de Santa Rita, classificando a empresa privada como “inexperiente”.

Sobre o uso de amianto, Marcus Vinícius afirmou que ele é nocivo à saúde quando inalado durante manuseio. Segundo o presidente da companhia, a presença do produto na rede de abastecimento é pequena e não causaria danos à população porque ela é antiga e ganhou uma crosta que impede o contato da água com a tubulação.

Porém, na troca de farpas, o presidente da Cagepa acaba reconhecendo que Santa Rita tem problemas ao afirmar que a ANE “muda o foco” falando do amianto. Mesmo citando que não há risco, ele disse que a estatal já estaria providenciando a substituição desse material, o que agora passa a ser responsabilidade da ANE. Marcus Vinícius disse ainda que “desde o início” alerta que Santa Rita precisaria ser integrada a João Pessoa, mas não explica por que essa situação não teria sido resolvida pela Cagepa.

“Querem desviar a atenção para o problema que tem em Santa Rita. Desde o começo que nós dizemos que Santa Rita não funcionaria isoladamente, precisaria do sistema de João Pessoa. Está se concretizando. Nem a prefeitura nem a ANE levaram em consideração. Querem tirar o foco daquilo que é importante, que é a qualidade da água fornecida, o correto abastecimento e a ciência e a consciência de como operar Santa Rita, que a ANE não tem experiência”.

Declarações

Assista abaixo à entrevista completa com o diretor da ANE, Adriano Pavezi. Em seguida, ouça o áudio do presidente da Cagepa, Marcus Vinícius Neves, com as respostas.

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