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CCJ do Senado aprova projeto que permite clubes de tiro a menos de 1 km de escolas

Senadores derrubaram partes de decreto assinado pelo presidente Lula sobre restrição ao porte de armas
Proposta suspende parte de um decreto editado pelo presidente (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou nesta quarta-feira (14) uma proposta que permite a instalação de clubes de tiro a menos de um quilômetro de escolas públicas ou privadas. A proposta anula partes de um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), flexibilizando as restrições ao acesso às armas. As informações são do R7, parceiro nacional do Portal Correio.

A proposta revoga seis regras atualmente em vigor, que foram estabelecidas pelo decreto de Lula em julho de 2023 para ampliar o controle sobre armamentos no país. Essas regras só serão efetivamente anuladas se a proposta for aprovada sem modificações pelo plenário do Senado.

Após essa etapa, o texto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados, será promulgado diretamente pelo Congresso, sem passar pela sanção presidencial.

Na Câmara, o projeto que modifica o decreto presidencial foi aprovado em regime de urgência, permitindo sua votação direta no plenário sem passar por comissões, o que limitou o debate sobre o tema. A votação foi simbólica, ou seja, não foi necessário que cada deputado registrasse seu voto eletronicamente. Apenas parlamentares do PSOL manifestaram oposição ao texto.

O deputado Ismael Alexandrino (PSD-GO), um dos autores do projeto, afirmou que a proposta respeita a política geral do governo para o setor, mas considerou necessário remover “exigências excessivas” do decreto, como a restrição que impunha distância mínima entre clubes de tiro e estabelecimentos de ensino, que, segundo ele, excluiria mais de 90% dos clubes.

O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) destacou que a derrubada desse trecho do decreto devolve aos municípios a competência para criar regras sobre a localização desses ambientes, permitindo que as cidades decidam se desejam ou não estabelecer distâncias mínimas de instituições de ensino.

O projeto autoriza colecionadores habilitados pelo Exército a reunir armas iguais às utilizadas pelas Forças Armadas. Também permite a coleção de armamentos atualmente proibidos, como armas automáticas de qualquer calibre e longas semiautomáticas de calibre de uso restrito, desde que o primeiro lote de fabricação tenha menos de 70 anos.

Entenda as mudanças propostas:

  • Armas de grosso calibre: O projeto derruba a proibição de colecionar armas de fogo automáticas de qualquer calibre ou longas semiautomáticas de calibre de uso restrito.
  • Armas de uso restrito às Forças Armadas: A proibição não se aplica a armas do mesmo tipo, marca, modelo e calibre usadas pelas Forças Armadas.
  • Armas de pressão por gás comprimido: O projeto invalida a restrição à aquisição de armas de pressão por gás comprimido ou por ação de molas.
  • Renovação de certificados de armas: As exigências para renovação dos certificados das armas e a necessidade de comprovação de efetiva necessidade para aquisição de um armamento são removidas.
  • Distância de escolas: O projeto acaba com a restrição que proibia clubes de tiro a menos de 1 km de estabelecimentos de ensino, públicos ou privados.
  • Propaganda de armas e clubes de tiro: Deixa de haver a imposição de multa por publicidade sobre armas de fogo, tiro esportivo e caça.
  • Armas de colecionador: A competência para definir e classificar armas de coleção passa do Iphan (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional) para o Comando do Exército, o que pode ampliar o número de armamentos legalizados como colecionáveis.

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