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Mais de 70% avaliam Saúde na Paraíba como ruim ou péssima

Todo mundo conhece ou já vivenciou uma história que escancara a incapacidade do poder público de prestar um serviço de saúde de qualidade e eficiente. E essa insatisfação popular foi refletida em enquete promovida pelo Portal Correio, entre os dias 17 e 23 de fevereiro. Mais de 72% (72,59%) dos participantes avaliou a Saúde na Paraíba como péssima (51,09%) ou ruim (21,5%). Apenas 15,37% avaliou o serviço regular. A opção boa foi escolhida por 7,97%, enquanto só 4,04% votaram em ótima.

Leia também: Enquete: 73% avaliam segurança na PB como ruim ou péssima

“Nas principais cidades do Estado, os hospitais regionais praticamente não existem”, reclamou o leitor Silvio Macedo. “A Saúde é péssima, um exemplo é o Cedmex de João Pessoa, onde tem remédio faltando há mais de mês, sendo que o paciente precisa tomar sem interrupção”, acrescentou um leitor que se identificou como Saul Davi. “Faltam médicos, faltam remédios, condições do ambiente deploráveis e péssimo atendimento são características dos hospitais do estado”, acrescentou o leitor Anderson Vieira.

A promotora da Saúde Graça Azevedo, do Ministério Público da Paraíba (MPPB), classificou o resultado da enquete do Portal Correio como “alarmante” e lamentou a alta porcentagem de pessoas insatisfeitas com o serviço, mas reconheceu que há grande déficit na prestação de atendimentos.

“É muito triste que uma parcela tão grande da população esteja insatisfeita. Mas não há como negar que o Sistema Único de Saúde (SUS) sempre foi subfinanciado. O SUS tem enfrentado problemas de arcar com as necessidades dos usuários, desde o fornecimento de medicamentos até a realização de cirurgias”, avaliou.

Recentemente, o Portal Correio noticiou uma denúncia contra o Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. Segundo a família de um paciente, a cirurgia planejada para ele teria sido cancelada devido à falta de luvas, máscaras e medicamentos.

Na região metropolitana, a Promotoria da Saúde em Bayeux instaurou inquérito civil para apurar a morte de três pacientes, no período de apenas um mês, por ausência de leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs) no estado. Os pacientes encontravam-se internados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Bayeux e necessitavam ser internados em UTI, mas não foram encontradas vagas nos hospitais da Capital. Em dois dos casos, a promotoria havia ingressado com ação civil pública e conseguido liminar judicial que determinava ao Estado a internação dos pacientes.

As administrações do Estado, de João Pessoa e de Bayeux têm 30 dias para apresentar informações sobre leitos em UTIs, conforme determinação da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Bayeux.

Desinteresse político e judicialização de casos

Para Graça Azevedo, os pilares do problema na Saúde pública não só da Paraíba, como de todo o país, são as más administrações e o desinteresse de governos. “Os problemas começam na Atenção Básica e se agravam em unidades de média e alta complexidade. Isso faz com que usuários busquem compensar essa deficiência levando casos ao judiciário”, acrescentou a promotora.

Foi exatamente isso que aconteceu no ano passado com o jovem Ronaldo Rodrigues, de 25 anos, da cidade de Cajazeiras. Diagnosticado com diabetes em 2012, ele acabou recorrendo à 15ª Vara Federal para garantir recursos para seu tratamento à base de insulina. A ida ao Judiciário aconteceu após recorrentes casos de atraso no fornecimento do hormônio.

“Sempre atrasava e muitas vezes eu tive que comprar com meu próprio dinheiro. Já aconteceu também de eu ter que fazer a retirada em postos da Capital. Não dava mais para continuar assim, então entrei na justiça. Em junho, consegui que recursos fossem depositados na minha conta bancária. O dinheiro é suficiente para um ano de tratamento e eu presto contas à Justiça Federal”, conta Ronaldo.

Atualmente, ele preside o Grupo de Amigos Diabéticos em Ação (Gada), que dá apoio a 15 municípios sertanejos, resultando em mais de 1.000 pessoas assistidas. De acordo com Ronaldo Rodrigues, o diálogo com autoridades tem melhorado nos últimos anos, mas vários problemas no serviço ainda são verificados.

“O diabético não precisa só de insulina, mas de acompanhamento de profissionais de saúde. É comum enfrentarmos dificuldade também na marcação de consultas, não somente para conseguir medicamentos”, explica.

Mudança só em longo prazo

Para a promotora da Saúde Graça Azevedo a situação é tão delicada que ela não vê perspectiva de melhora em curto prazo. “É necessário um planejamento a médio e longo prazo. Nós na Promotoria fazemos o que é possível para ajudar a população, mas é preciso dizer que essa é uma questão de interesse político. Estamos em ano de eleições gerais, então é o momento de a população avaliar bem as opções de voto. Que a gente possa enxergar esperança e escolher bem”, concluiu a promotora.

Sem respostas

O Portal Correio tentou respostas da Secretaria da Saúde do Estado sobre as falhas no serviço prestado à população. A secretária, Claudia Veras, não atendeu às ligações feitas pela redação. A assessora, Flaviana Maribondo, disse que iria colocar o Portal Correio em contato com a gestora, mas não cumpriu o acordo até o prazo estabelecido para fechamento desta matéria.

Esta foi a segunda enquete sobre serviço público promovida pelo Portal Correio. O primeiro tema abordado foi Segurança. Na ocasião, 73% dos participantes fizeram uma avaliação negativa do setor. As autoridades também não se pronunciaram sobre as reivindicações da população.

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