Jovem troca Odontologia por Música, faz mestrado e é premiada na Itália

Isabelle é 1º lugar em categoria de competição international e agora ensina na escola onde estudou

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Escolher uma carreira profissional que traga satisfação pessoal e seja suficiente para garantir rentabilidade financeira é um desafio enfrentado pelos jovens estudantes. Eles querem ser felizes fazendo o que mais gostam, mas muitas vezes esbarram nos salários baixos ou nas poucas oportunidades ofertadas no mercado.

Às vezes, os jovens não conseguem encontrar com clareza a atividade em que se realizam e ficam indecisos, recorrendo aos testes vocacionais ou a outros tipos de ajuda. Em alguns casos, seguem o ciclo natural de terminar o ensino médio e escolher rápido uma graduação, entre os 17 e 18 anos, o que pode levar a arrependimentos e problemas emocionais e psicológicos.

Uma publicação mais recente sobre o assunto, feita pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), em São Paulo (SP), em março deste ano, traz dados do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo, apontando que 21% dos alunos de faculdades particulares naquele estado não concluem o curso. Na Universidade de São Paulo (USP), esse índice chega a 40%.

Conforme a publicação, o fator financeiro não figura como a principal causa para esse índice. “Segundo os alunos desistentes entrevistados, a incerteza de que fizeram a escolha certa foi o que mais pesou na hora de desistir da graduação”, diz o texto da USJT.

A 2º edição da pesquisa Juventudes e a Pandemia do Coronavírus, produzida pelo Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), constatou que mais de 70% dos jovens não fizeram a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2020. Os mais novos, entre 18 e 24 anos, são os que mais consideram a prova importante, já que 14% disseram que desistir nunca foi uma opção. Segundo a pesquisa, a pandemia agravou essa dificuldade nas escolhas.

Porcentagem de jovens que pretendem fazer o Enem em 2021:

Pretensão em fazer a prova20202021
Não pretendem fazer o Enem52%45%
Pretendem fazer o Enem31%26%
Ainda não sabem17%29%
Reprodução/Universidade São Judas Tadeu

Essa indecisão sobre o que seguir na carreira profissional permeou a vida de Isabelle Sousa Azevedo. Com 25 anos, a mestranda em Música pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) chegou a ser aprovada em um vestibular para Odontologia, aos 17 anos, mas desistiu porque queria seguir com o que se identificava desde a infância: a música. Ela é o destaque da sexta reportagem da série ‘Quem Estuda Vai Longe!’.

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As dúvidas de Isabelle até a escolha certa

Hoje, além de fazer mestrado, ela é professora de violoncelo na Escola Estadual de Música Anthenor Navarro (EEMAN), no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa, integra o grupo de músicos Camerata Parahyba e conquistou mais recentemente o primeiro lugar em uma das categorias da competição de música clássica International Classic Web 2021, realizada pela Associazione Musicale Dionisio, da Itália, na categoria Música de Câmara.

“Até os meus 16/17 anos eu precisava conciliar a música com os estudos do ensino médio. Ainda tinha muitas dúvidas de qual vestibular prestar, se faria música ou algum curso da área de saúde. Meu primeiro vestibular foi prestado para Odontologia, em que fui aprovada, mas logo desisti e percebi que queria fazer Música. A partir daí, precisei me dedicar e focar 100% na música e na preparação para o vestibular”, disse ela ao Portal Correio.

Por ter uma forma de seleção diferente, o vestibular para Música exigiu de Isabelle uma jornada intensa de estudos. “O vestibular de música é diferente. Nós precisamos fazer o Enem, mas também fazer algumas provas específicas de instrumento e teoria musical. Então meu estudo chegava a uma média de oito horas por dia, todos os dias da semana. Fiz isso durante aproximadamente um ano, para conseguir estar pronta para as provas específicas. Eu fiz meu ensino médio em uma escola particular de João Pessoa, passei em Odontologia na UFPB e após desistir, fiz curso de extensão em Violoncelo na UFPB e depois fui aprovada no bacharelado em Música também na UFPB”.

Isabelle diz que sempre quis fazer Música, mas ficou indecisa na adolescência devido às dificuldades no mercado profissional. “A música sempre esteve presente na minha vida, desde a minha infância. Quando fui chegando perto do ensino médio e do vestibular, comecei a planejar qual rumo eu gostaria de tomar. Minha decisão inicial de não fazer Música veio pelo receio da falta de valorização dessa profissão e o medo de não conseguir área para atuar profissionalmente. Acabei me forçando a ir para outra área, mas meu coração não me deixou seguir sem a música e precisei enfrentar meu medo e receio e realmente fazer o que eu tinha vontade. Era algo muito forte dentro de mim que não me deixava renunciar ao violoncelo, não sei nem explicar muito bem”.

A importância do apoio da família

Isabelle revelou que a família não disfarçou a alegria quando ela desistiu do curso de Odontologia. “Minha família sempre me apoiou muito. Sempre me deixaram escolher qual rumo tomar, mas no fundo eles esperavam que eu decidisse por Música logo de início. Quando prestei vestibular para outro curso eles não falaram nada, mas fizeram uma festa grande quando eu disse que desistiria de Odontologia e seguiria na Música. Eles sempre acharam que minha vida deveria ser com a música e estavam certos”.

Nem tudo são flores…

Apesar de ser o que ela mais sonhava, a faculdade de Música também virou alvo de questionamentos e dúvidas em alguns momentos da vida de Isabelle. “Algumas vezes pensei em desistir do curso, em tentar outra área, desistir do instrumento e focar em outro. Entramos muito novos na universidade e aí a imaturidade acaba se tornando um problema, porque sempre estamos nos questionando, sem saber muito bem que caminho tomar. Hoje, com uma cabeça mais diferente, já consigo distinguir melhor e entender mais as decisões que preciso tomar”, afirmou.

VÍDEO: Isabelle: talentosa e premiada

Isabelle também precisou lidar com os medos e a insegurança de não conseguir espaço no mercado de trabalho. “Já bateu muita insegurança sim. Muito medo de ‘como vai ser depois que eu me formar?’. E quando eu terminar o mestrado? Sempre fiquei muito receosa de tudo, mas graças a Deus as coisas vão acontecendo conforme o tempo vai passando e aí eu vou só seguindo e deixando a vida me levar”.

‘Interesse especial’ de Isabelle

Professor Filipe Aquino (Foto: Arquivo pessoal)
Professor Filipe Aquino (Foto: Arquivo pessoal)

O professor Felipe Avellar de Aquino não poupou elogios à aluna Isabelle. Nascido em Campina Grande, Avellar é violoncelista e professor titular do Departamento de Música da UFPB, onde leciona nos cursos de graduação em Música (Licenciatura e Bacharelado), como também atua como docente-pesquisador no quadro permanente do Programa de Pós-Graduação em Música (Mestrado e Doutorado). Nesse último, desenvolve pesquisas sobre performance, pedagogia e literatura instrumental.

O currículo é extenso com a formação como violoncelista inclui Bacharelado em música pela UFPB, Mestrado em música pela Louisiana State University, e Doutorado em Performance e Literatura do Violoncelo pela Eastman School of Music, em Rochester/Nova York, com apoio da CAPES e CNPq. Na UFPB coordenou o Festival Internacional de Música de Câmara PPGM-UFPB, além de ser o coordenador local do Programa de Intercâmbio Acadêmico UFPB/Örebro University, da Suécia, cujo financiamento se dá através do Programa Linnaeus-Palme da Agência Sueca de Educação Superior. Tem artigos publicados na revista The Strad (Inglaterra), Per Musi e Revista Opus, além de livros e capítulos de livros publicados pelas editoras Saraiva, EdUFPB e Editora Urbana. Em fevereiro de 2020 atuou como professor visitante de violoncelo e música de câmara na Örebro University.

“Iniciamos os trabalhos com Isabelle ainda no curso preparatório oferecido pela UFPB e, desde cedo, ela demonstrou um interesse muito especial pelo violoncelo, o que se refletiu em sua dedicação e perseverança nos estudos e consequente desenvolvimento artístico”, explicou.

“Posteriormente, ela se tornou minha aluna no curso de Bacharelado em Música com habilitação em Violoncelo, concluído em 2018”, disse ele ao Portal Correio, descrevendo como começou a jornada com a jovem estudante. “Há quase dois anos, Isabelle é minha orientanda no Mestrado em Música da UFPB, onde desenvolve pesquisa sobre o compositor José Vieira Brandão – que foi uma figura muito próxima de Heitor Villa-Lobos, cuja obra precisa ser resgatada, estudada e, sobretudo, mais tocada”, explicou.

Segundo o professor, como particularidade dos cursos de pós-graduação na área de Artes/Música, o trabalho se divide em duas vertentes, ainda que integradas: orientação artística e de pesquisa. “Desta forma, foi no contexto da produção artística que se deu a participação de Isabelle na International Classic Web Competition 2021, concurso internacional de música clássica, realizado de maneira remota, promovido pela Associazione Musicale Dionisio, na Itália. Assim, esta premiação é motivo de muita alegria e muito orgulho para todos aqueles que participam de sua formação artístico-musical”.

O professor não tem nenhuma dúvida sobre o brilho conquistado por Isabelle. “Certamente, Isabelle tem se destacado em suas atividades, o que fica mais uma vez demonstrado agora com esta premiação [da Itália]. Um reconhecimento aos seus méritos e crescimento artístico e musical, que agora se deu com a participação em duo de violoncelo e piano ao lado do excelente pianista Glauco Fernandes, também egresso da UFPB”, revelou.

Hora para tudo, até para fazer nada

Para lidar com as distrações comuns dos dias atuais, Isabelle estabelece metas que a ajudam a manter a rotina de estudos sem exaustão.

“Sempre estabeleço metas diárias. Isso me ajuda a ter foco durante os estudos. Mas sim, existem dias que bate aquela preguiça, aquele cansaço mental, principalmente durante a pandemia, porque minha casa virou meu ambiente de descanso, estudo e trabalho e às vezes é difícil fazer essa divisão. Quando eu percebo que a situação do cansaço é bem forte, eu me permito tirar um dia para descansar, ver série, ficar no celular, deitar. Mas nos dias seguintes eu tento manter esse foco, visualizar o que eu quero para o meu futuro, como um emprego que eu tenha em mente e imagino que preciso estar pronta para quando a oportunidade aparecer. O que eu quero construir no meu futuro e o que eu preciso fazer agora para que ele aconteça”.

Isabelle revela que já teve uma rotina extremamente pesada, achando que só daria certo se estudasse todos os dias por mais de oito horas. Por conta dessa pressão, ela conta que enfrentou consequências de saúde física e mental e precisou readaptar tudo.

“Nos dias que estou me sentindo melhor, mais disposta, consigo estudar de cinco a seis horas por dia. Em dias que estou mais cansada, eu adapto a minha rotina e estudo de duas a três horas. E em dias que eu percebo que realmente não vou conseguir render, eu descanso. Precisei entender que está tudo bem em não estudar ao máximo todos os dias. Essa forma de me permitir descansar também acaba somando nos meus estudos”.

Os fracassos doem, mas ensinam

Nem tudo na vida de Isabelle se resume a conquistas. Ela revela que também teve momentos em que enfrentou derrotas antes de alcançar o que mais desejava.

“Quando comecei a estudar violoncelo e fazer amizade com o pessoal da música, boa parte dos meus amigos integravam a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba, que é uma orquestra extremamente importante, principalmente para estudantes de música adquirirem experiências profissionais do funcionamento de uma orquestra e o papel que se precisa desempenhar como instrumentista. Os testes eram feitos todo início de ano e a partir dali se definia quais músicos fariam parte da temporada da orquestra. Eu fiz quatro testes antes de conseguir passar. Sempre ficava próximo das vagas, mas não conseguia ser classificada”, relatou.

Apesar da dificuldade, a jovem aprendeu cedo a importância de ser resiliente. “Então a sensação de fracasso era grande, a sensação de que todos os meus amigos estavam ali e eu não. Depois de quatro anos tentando e insistindo, consegui ser aprovada e permaneci na orquestra por três anos, até ir para a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Mas esse processo de ter sido reprovada durante quatro anos foi muito importante para mim, para que eu entendesse que cada coisa tem sua hora, que naquele momento eu não tinha experiência suficiente para participar de uma orquestra e que eu precisava ainda de muita maturidade”.

Educação deve ser mais acessível

Isabelle defende que a educação não deveria se limitar apenas às disciplinas escolares tradicionais, mas a outros campos do conhecimento, como a música. Segundo ela, a música clássica, por exemplo, é vista como algo inacessível e para a elite e a estudante entende que os poucos projetos voltados para essa área deveriam ser mais popularizados.

“As pessoas têm a música clássica como algo muito distante, acredito que principalmente por conta do preço dos instrumentos que não são muito acessíveis. Existem já alguns projetos de incentivo ao estudo de violinos, violoncelo. O ideal seria que esses projetos fossem multiplicados por toda a cidade, ou até por todo o estado mesmo, atingindo aquelas comunidades mais vulneráveis, mais distantes e levando até elas não só o ensino dos instrumentos, mas também concertos, grupos de música, para que aquelas pessoas também tenham a oportunidade de conhecer e ter contato com esse segmento da música e até, quem sabe, a partir daí, fazer da música um meio de vida”.

O professor Felipe Avellar pontua projetos que permitem possibilidade de crescimento artístico e cultural na Paraíba.

“Vale destacar que Isabelle está inserida em um contexto musical bastante rico, desenvolvido ao longo de muitos anos em nosso estado. Através dos centros e estabelecimentos culturais, das instituições de ensino que fomentam o movimento artístico em nossa comunidade, do patrimônio orquestral da Paraíba, dos eventos artísticos, dos pontos de excelência de ensino da música, dos projetos sociais, das instituições que estabelecem a política cultural de João Pessoa e da Paraíba, como a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope) e Secretaria Estadual de Cultura, dentre outros”.

“Precisei entender que está tudo bem em não estudar ao máximo todos os dias”

Isabelle Azevedo

Ele atribui as conquistas de Isabelle e de outros jovens talentosos do ramo ao que chama de “solidez do ambiente no qual estão inseridos”.

“Nada acontece por acaso, é resultado de todo um processo, implementação de políticas e da incessante busca de apoios. Ainda assim, temos plena consciência da enorme crise que vivenciamos, causada pela necessidade de isolamento social e que tanto afetou as artes no mundo inteiro. Da mesma forma que temos conhecimento de que a área necessitará de muitos apoios, recursos e incentivos para que possa se reerguer plenamente no período pós-pandemia. Seja através de programas de assistência estudantil, apoio aos artistas, fomento e apoio aos eventos, bolsas, financiamento de pesquisa, para que outras conquistas como esta possam se repetir, a partir da formação e capacitação artístico-acadêmica”, defendeu.

Como educador, o professor pontua sobre a carência de oportunidades e a desigualdade social que ainda são empecilhos para a democratização da educação, principalmente àquela que e envolve arte, cultura e música.

“Trabalhamos no sentido de oferecer oportunidades de crescimento a esses jovens, sabendo que só com a igualdade de oportunidades é que poderemos sonhar com uma sociedade mais justa. Ao mesmo tempo, temos consciência do papel que as artes e a música podem exercer na construção de uma sociedade melhor. Desta forma, é neste sentido que buscamos oferecer novas oportunidades de crescimento para estes jovens, o que tem sido uma tarefa diária, diante das inúmeras dificuldades. Ao longo dos anos temos trabalhado para abrir portas, viabilizando a inserção no mercado de trabalho na área de música ou através do encaminhamento destes alunos para continuidade de seus estudos na Alemanha, Portugal, Suécia e Estados Unidos, seja para cursos de especialização, mestrado ou doutorado, incluindo, nesse bojo, alunos que iniciaram seus estudos nos projetos sociais da Paraíba, de Pernambuco e Alagoas, por exemplo, e que em algum momento buscaram a UFPB para realizar graduação ou pós-graduação”.  

Sonhos realizados

Os estudos na área de música trouxeram muitas realizações para Isabelle, que agora é professora na escola onde estudou. “É muito especial voltar como professora. Eu terminei meu bacharelado e alguns meses depois já estava sendo aceita no mestrado, o que foi outra realização de um sonho, de ter a oportunidade de dar continuidade nos meus estudos”.

Fazer parte da Camerata Parahyba foi outra conquista importante na vida da jovem estudante. “Recentemente fui convidada para integrar a Camerata Parahyba, uma orquestra composta por excelentes músicos do estado e fazer parte dessa equipe é um prazer grande”.

A imponência da jovem que venceu desafios para realizar sonhos através dos estudos (Foto: Arquivo pessoal)
A imponência da jovem que venceu desafios para realizar sonhos através dos estudos (Foto: Arquivo pessoal)

Isabelle também é destaque internacional, por conquistar o primeiro lugar em uma das categorias da competição de música clássica International Classic Web 2021, realizada pela Associazione Musicale Dionisio, da Itália, na categoria Música de Câmara.

“Ter conseguido ganhar esse concurso foi também a realização de um sonho, por ter esse prestígio de um júri extremamente competente e de estar podendo falar dessa conquista para as pessoas, levando a música clássica comigo”.

Apesar de muitas realizações, ainda é cedo para dizer que todo os sonhos já foram realizados. “Eu ainda tenho um sonho de conseguir entrar em alguma das grandes orquestras do Brasil ou conseguir ser aprovada em um concurso público federal. Mas já sou muito grata a Deus por essas realizações que são muito especiais e significativas para mim”.

Conselhos

A escolha da carreira é algo importante e que não pode ser feito à pressas ou de forma aleatória. Para Isabelle, precisa ser feita com muita sabedoria e organização em torno do que se gosta.

“Acho que sempre tem que se dar prioridade àquilo que faz bem a gente, com o que a gente se sente melhor, àquilo que você se vê fazendo para o resto da vida. Pode ser também que você ache que agora é a área ‘x’, e mais para frente você perceba que se confundiu e queria a área ‘z’, e está tudo bem! Nós sempre temos tempo para recomeçar. É se perceber, entender o que te faz feliz e seguir. Também é importante destacar que mesmo escolhendo aquela profissão que consideramos ideal para nossa vida, vão ter momentos difíceis, momentos de tensão, de preocupação, momentos tristes e felizes. Mas esses momentos servem para nos amadurecer e deixar prontos para os próximos desafios”, alertou.

O professor Avellar pede que os jovens estudantes não desistam dos sonhos. “O conselho seria muita dedicação. E, sobretudo, acreditem e lutem muito pelos seus sonhos. Afinal, a arte pode, sim, salvar a humanidade. Como diz o filósofo Thiago Avellar, “a arte é capaz de resgatar a humanidade do ser humano; e o ser humano, por sua vez, salvará a humanidade”. 

Felipe Avellar lista ainda ações desenvolvidas na Paraíba que são inclusivas, de alcance internacional, e podem abraçar jovens talentosos como Isabelle.

“As ações de inclusão passam também pelo forte processo de internacionalização que foi implantado na UFPB há cerca de oito anos e que hoje colhemos alguns frutos. Neste ínterim, foi implantada a Agência UFPB de Cooperação Internacional, que estabeleceu parâmetros e suporte para a política de internacionalização da instituição. Além disso, a área de música da UFPB implantou um Festival Internacional de Música de Câmara em 2017 (links das duas últimas edições: https://festivalufpb2019.homesteadcloud.com e https://festivalufpb2020.homesteadcloud.com) e estabeleceu parcerias com universidades dos EUA e Europa”.

Segundo Avellar, foi firmado um importante acordo de cooperação acadêmica com a Örebro University, da Suécia, que promove o intercâmbio de docentes e discentes entre as duas instituições, em um movimento que enriquece a vida acadêmica e artística das duas universidades, além de estreitar os vínculos culturais entre os dois países (https://www.ufpb.br/ufpb/contents/noticias/ufpb-renova-parceria-com-universidade-sueca-para-intercambio-na-area-de-musica ) – ação que será retomada em 2022.

“Além desse relevante convênio, destaco também as parcerias e acordos com a University of Georgia, Louisiana State University, Nicholls State University (Estados Unidos), University of Alberta (Canadá), Münster University (Alemanha), como também com instituições de ponta em nosso país. A partir dessa política de internacionalização, o PPGM passou a receber alunos de países africanos e latino-americanos, como também dos EUA”, disse

O professor finaliza explicando que viabiliza no departamento a participação de discentes em masterclasses internacionais, a participação em eventos científicos promovidos por universidades parceiras e também incentiva as publicações em revistas e periódicos internacionais, a exemplo deste artigo sobre H. Villa-Lobos e o violoncelo que publicou no início do mês em Londres, na Inglaterra (https://www.ufpb.br/ufpb/contents/noticias/artigo-de-pesquisador-da-ufpb-sobre-villa-lobos-e-publicado-na-revista-inglesa-the-strad).

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