Patrimônio
Feira Central ocupa mais de 75 mil metros quadrados no Centro de CG (Foto: Divulgação/PBtur)

Risco de incêndio ameaça patrimônio cultural do Brasil em CG

Feira Central de Campina Grande tem problemas na estrutura, comércio 'inflamável' e ligações elétricas irregulares; constatações são da Defesa Civil

270
COMPARTILHE

A Feira Central de Campina Grande apresenta risco de incêndio e pânico. É o que relata o técnico da Defesa Civil do município paraibano, Jonatas Costa. Conforme ele, a área tem problema nas instalações, é grande e quanto maior o tamanho, mais se correm riscos. A Defesa Civil informou ainda que já são realizadas ações para a diminuição desses perigos no local. A feira é patrimônio cultural do Brasil desde junho de 2018.

Leia também: Conheça a feira central de CG, patrimônio cultural do país

Segundo o técnico, entre as preocupações da área estão as edificações, que são antigas, e também o mau dimensionamento do sistema elétrico para a realidade atual, logo, a “sobrecarga de energia propiciaria um desastre”. “A grande quantidade de aparelhos elétricos e formas clandestinas de ligações, os famosos ‘gatos’, é outro problema na feira. A maioria dos comércios são de papelão e de madeira”.

De acordo com ele, é preciso dividir duas possibilidades de ocorrências, o pânico e o incêndio. “O pânico seria um processo inicial em uma ameaça de incêndio, em que uma grande quantidade de pessoas geraria fuga em massa. [Em uma situação como essa] na feira, ocorreria pisoteio de pessoas, mortes por asfixia, alguns teriam problemas com pressão alta e outras coisas”, disse ele, explicando outros motivos que poderiam causar mortes, além de fogo.

Para exemplificar, o técnico ainda fez uma analogia da situação com o caso da Boate Kiss, que ocorreu no ano de 2013, na cidade de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul. Não só o incêndio poderia causar uma tragédia, mas também a correria motivada pelo pânico e pelo pouco espaço para mobilidade no local.

“É uma comparação, já que naquele caso muitas pessoas morreram por asfixia do material em combustão. Isso nos leva a dois vieses, incêndio e pânico, então é uma área que nos preocupa bastante”, esclareceu.

Prevenção

Ainda segundo Jonathas, é preciso ter um olhar bastante técnico e perito para a localidade. Principalmente nos dias de maior fluxo de pessoas, que ocorre nas sextas, quartas e sábados. Para isso, o técnico garante que algumas orientações já são tomadas.

“Há uma ação bem complexa que a gente está fazendo no local com vistorias educativas. Então quando a gente chega em um comércio com ligações em uma única tomada, logo se tem uma abordagem de prevenção, explicamos muitas vezes que o material não tem recomendação do Inmetro. São trabalhos de prevenção”, informou.

Conforme Jonathan, há também outras prevenções para o caso. “Está havendo uma retirada do sistema elétrico por um que o substitui, em uma ação conjunta com a Energisa e outras empresas terceirizadas, desde novembro de 2018″, falou.

Para finalizar, ele também relatou que o perigo não se trata apenas da questão elétrica, mas também da drenagem no local e da zootecnia no solo, que têm apresentado problemas e aos poucos são envolvidos nas ações de combate.

“Também estamos estudando possíveis áreas de evacuação no local e áreas para a colocação de SAMU em alguns pontos. É uma ação que não tem prazo para finalizar”, relatou.

Patrimônio cultural

A feira é um dos principais centros de comércio e expressão cultural do estado e fica localizada bem na áera central de Campina Grande, tomando um espaço total maior que 75 mil metros quadrados. O título de Patrimônio Cultural do Brasil foi entregue em 14 de junho de 2018, em solenidade no Parque do Povo.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your name here
Please enter your comment!

Notícias mais lidas