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Saiba como é o diagnóstico e o tratamento da Doença Mão-Pé-Boca

Especialista do Unipê comenta ainda que não há dados oficiais sobre a doença no Brasil

Talvez você já tenha ouvido relatos de pais e mães que estão lidando com o aparecimento de aftas ou feridas nas mãos e nos pés de suas crianças. É provável que essa seja a Doença Mão-Pé-Boca (DMPB), uma enfermidade sazonal que aparece nos verões e pode acometer qualquer pessoa, mas em especial crianças e recém-nascidos. No entanto, para pensar em um tratamento, antes é necessário que seja feita a identificação da doença.

Como é feito o diagnóstico e quais são as formas de tratamento?

O diagnóstico é clínico e se baseia nos sintomas, na localização e aparência das lesões. Em alguns casos, os exames de fezes e de sangue podem ajudar a identificar o tipo de vírus causador da infecção. “É muito importante estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças que também provocam estomatites aftosas ou vesículas (bolhas) na pele”, salienta a farmacêutica e Profa. Dra. Narlize Silva Lira Cavalcante, do curso de Farmácia do Unipê.

Essa doença ainda não possui vacina para combatê-la. Mas semelhante a outras infecções virais, em geral, ela regride espontaneamente após alguns dias. “Por isso, na maior parte dos casos, o tratamento é sintomático com antitérmicos e anti-inflamatórios”, diz Narlize.

Os medicamentos antivirais são usados só para os casos mais graves. O tratamento dura cerca de sete dias. “É importante que a criança não vá à escola ou à creche durante este período para não contaminar outras crianças. O ideal é que o paciente permaneça em repouso, tome bastante líquido e se alimente bem, apesar da dor de garganta”, reforça Narlize.

Com isso, a professora lembra que a transmissão normalmente ocorre com tosse, espirros, saliva, contato direto com as bolhas que tenham estourado ou fezes infectadas, principalmente durante os primeiros sete dias da doença. Contudo, mesmo após a recuperação, o vírus ainda pode ser transmitido pelas fezes durante cerca de quatro semanas.

A professora Narlize ainda dá dicas aos responsáveis pelas crianças que ajudam a evitar pegar a doença ou transmiti-la para outras crianças. Confira:

– Não ficar perto de outras crianças doentes;

– Não partilhar talheres ou objetos que tenham entrado em contato com a boca de crianças com suspeita da síndrome;

– Lavar as mãos após tossir, espirrar ou sempre que se precisar tocar no rosto.

– Além disso, o vírus pode ser transmitido por meio de objetos ou alimentos contaminados.

“Por isso, é importante lavar os alimentos antes do consumo, trocar a fralda do bebê com luva e depois lavar as mãos e lavar bem as mãos após usar o banheiro”, ressalta.

A farmacêutica lembra que no Brasil ainda são escassas as informações sobre epidemiologia, casos graves e circulação de genótipos e sub-genótipos. “São necessárias e urgentes ações governamentais aliadas com pesquisa e desenvolvimento para uma melhor compreensão da doença, os agentes etiológicos e mutações, o papel das alterações climáticas e vigilância epidemiológica a fim de evitar e prevenir surtos e mortes precoces, além de fornecer subsídios para novas construções teóricas sobre o assunto”, pontua.

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