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Comerciantes relatam falta de estrutura em feira incendiada em JP

Revolta ocorre pela falta de estrutura de combate a incêndio e de segurança após o fechamento do local, que ocorria sempre às 22h

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Destruição, prejuízo financeiro, angústia com a incerteza do futuro e revolta. Esse foi o semblante encontrado entre comerciantes da Expofeira de Artesanato Tambaú, que pegou fogo e ficou completamente destruída na madrugada dessa terça-feira (30) em João Pessoa. A revolta ocorre pela falta de estrutura de combate a incêndio e de segurança após o fechamento do local, que ocorria sempre às 22h.

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Dentro da feira, o cenário era de destruição de peças de roupa, produtos artesanais, alimentos, redes e quadros. Dos 42 boxes que o local comportava, apenas três não foram atingidos pelas chamas e os proprietários conseguiram salvar grande parte da mercadoria, coisa que não ocorreu nas lojas que ficavam na área mais interna do local.

Ao Portal Correio, um dos comerciantes, Flauber Barros, relatou como ficou sabendo do incêndio. Para ele, o prejuízo financeira com a tragédia gira em torno de R$ 15 mil. Flauber relatou que ele e outros comerciantes se uniram e vão buscar a reconstrução do local para retorno das atividades

Falta de estrutura e segurança

Entre os comerciantes presentes no local, muitos não quiseram gravar entrevista, mas dois deram declarações que podem trazer à tona a falta de estrutura para combate a incêndio e segurança.

“Cada um de nós comerciantes pagávamos R$ 450 por semana para ter um box aqui na feira, mas nunca tivemos investimento para podermos trabalhar dignamente. Em toda o espaço da feira só existiam dois extintores de incêndio. A estrutura do local era toda inflamável, nossas mercadorias também, então o risco de pegar fogo sempre existiu. Nunca foi contratado um segurança para dormir aqui e proteger nosso patrimônio. Se pelo menos um segurança estivesse presente tudo isso poderia ter sido evitado”, contou um comerciante local, que perde mais de R$ 5 mil em roupas regionais.

Outro comerciante que também relatou problemas estruturais do local contou que perdeu cerca de R$ 10 mil entre objetos regionais de decoração e produtos feitos a mão. O dinheiro perdido com o incêndio era toda a economia da família.

“A gente começou a trabalhar aqui há quase dois meses. Todo o dinheiro que tínhamos usamos para investir no nosso negócio e agora perdemos tudo. Não sei o que vamos fazer. Só nos resta juntar o prejuízo e tentar recomeçar”, disse o comerciante.

O Portal Correio tentou contato com a proprietária do espaço onde a feira funciona para saber dela um posicionamento sobre as acusações levantadas pelos comerciantes, mas ela não foi encontrada.

Hotel também foi atingido

Prédio vizinho a Expofeira, um hotel que fica na orla teve parte da estrutura atingida pelas chamas, que destruíram equipamentos de ar-condicionados e vidros.

Ao Portal Correio, funcionários do hotel informaram que alguns dos hospedes precisaram ser realocados, mas que nenhum deles ficou ferido.

Suspeitos presos

De acordo com o delegado Gustavo Carletto, da Infância e Juventude (DIJ), os dois adolescentes foram encontrados pela Polícia Militar ainda no local do incêndio. Eles são suspeitos de atear fogo no local, para, em seguida, praticar furtos. Na delegacia, eles confessaram que acenderam o fogo, mas disseram que não tinham intenção de causar o incêndio. “Um deles já tem histórico de envolvimento com infrações”, observou o delegado.

Apesar da destruição do prédio, não houve feridos. Ao perceber as chamas, por volta das 2h da madrugada, testemunhas acionaram o Corpo de Bombeiros. Apartamentos de um hotel vizinho também foram atingidos pelas chamas.

A Polícia Civil realizou perícias e solicita imagens de câmeras do local para prosseguir a investigação. “Mesmo com o pedido de internação feito pelo Ministério Público, iremos continuar com as investigações para encaminhar os laudos e resultados ao juiz que irá decretar a sentença definitiva sobre esses dois adolescentes”, detalhou Gustavo Carlleto.

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