Início Serviços

Projeto de ônibus no modelo BRT para João Pessoa é descartado

Nnunca houve garantias do Governo Federal, desde a criação do projeto em 2014, de que haveria recursos

O tão esperado projeto de Bus Rapid Transit (BRT), Trânsito de Ônibus Rápido, em português, não vai sair do papel e foi descartado para João Pessoa. Em entrevista ao Correio Debate da Rede Correio Sat, no dia 17 de fevereiro, a secretária de Planejamento de João Pessoa, Daniela Bandeira, afirmou que nunca houve garantias do Governo Federal, desde a criação do projeto em 2014, de que haveria recursos suficientes para executar a obra de mobilidade orçada em R$ 188 milhões.

Leia também:

As obras do BRT iriam receber recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado em 2007 no governo Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010). Conforme o Governo Federal, o PAC é responsável pela gestão, execução e acompanhamento de vários empreendimentos no país e cumpriu, até 30 de junho de 2018, 95,4% do total previsto para o período 2015-2018, saindo de R$ 547,5 bilhões, realizados até dezembro de 2017, para R$ 603 bilhões em 2018.

A segunda etapa (PAC 2) incluía apoio a obras de transporte que previam uma rede logística de interligação entre os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário para garantir mobilidade. A ideia envolvendo o BRT em João Pessoa começou em 2014, ano em que Dilma Rousseff (PT) era presidente. A prefeitura faria uma parte do projeto e o Governo Federal cobriria outra, mas a gestão municipal questionava se haveria garantia de recursos para a execução das obras.

No fim de 2019, o Tribunal de Contas da União (TCU) contabilizou 14 mil obras paralisadas do PAC, por problemas técnicos, investigações ou abandono. O programa continua existindo, mas segue reduzido devido aos problemas financeiros enfrentados pelo País.

Daniela Bandeira explicou que a Prefeitura de João Pessoa preferiu não dar início à implementação do BRT para evitar obras inacabadas em grandes vias da Capital. Segundo ela, capitais como Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ) estão com problemas após terem instalado o BRT de forma incompleta devido a falta de recursos. “É um projeto caríssimo”, disse Bandeira.

“Só no primeiro ano do governo Bolsonaro tivemos três secretários de Mobilidade”, falou a secretária, ao Portal Correio, no intervalo da entrevista na 98 FM, explicando que a instabilidade do cargo no Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), em Brasília, atrapalha a execução de projetos no país. De 2019 até agora, estiveram como chefes da Secretaria de Mobilidade e Serviços Urbanos do MDR Jean Carlos Pejo e José Lindoso de Albuquerque. O atual é José Carlos Medaglia Filho.

Governo Federal

O Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) explicou ao Portal Correio que um empreendimento foi selecionado no âmbito do programa ‘PAC Mobilidade Grandes Cidades’ em 2012, que culminou na formalização de contrato com a Prefeitura de João Pessoa para instalação do BRT.

Porém, segundo a Pasta, após mais de três anos da contratação, a obra não foi iniciada pelo Município, ocasionando o cancelamento do contrato. Isso complementa a explicação da Prefeitura de João Pessoa, que preferiu não começar a instalação do sistema porque não teria recebido garantias do Governo Federal sobre a disponibilidade de recursos.

“Em relação aos empreendimentos selecionados em 2013 e 2014, não houve formalização da contratação em virtude do Ente (Município) não ter atendido todas as exigências, o que levou o Governo Federal a tornar a seleção insubsistente”, disse o MDR.

O Governo Federal não é responsável por apresentar e implantar projetos de mobilidade em municípios. “Tais projetos são concebidos e executados pelos entes federativos (Estados e Municípios), podendo ou não ser apoiados financeiramente pelo Governo Federal, por meio de programas”, explicou o MDR.

Projetos de ônibus rápido: BRT virou Linha Troncal

A divulgação da chegada do BRT, orçado em R$ 188 milhões, foi feita em janeiro de 2014. Na época, o então chefe da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana (Semob-JP), Nilton Pereira, classificou 2014 como o ‘ano da mobilidade’ na Capital. A população que acompanhou a promessa viu na ideia a chance de ter transporte de qualidade e mais confortável para se deslocar na cidade.

O projeto apontou cinco corredores de maior movimentação de João Pessoa que seriam contemplados com rotas para os modernos ônibus e os bairros dessas vias ganhariam quatro imponentes terminais de integração: Avenida Cruz das Armas (Cruz das Armas/acesso à Zona Oeste), Avenida 2 de Fevereiro (Rangel/acesso às Zonas Sul e Oeste), Avenida Pedro II (acesso à Zona Sul) e Epitácio Pessoa (acesso à Zona Leste/praias). A obra seria iniciada em março de 2014 pela Avenida Cruz das Armas.

Conforme Nilton Pereira, na época, a obra incluiria ainda um Terminal de Integração Central, que seria uma reforma com ampliação de espaço no atual Terminal de Integração do Varadouro (TIV).

“Nós vamos fazer uma rede integrada de corredores, que vai proporcionar facilidade, rapidez e conforto aos usuários e também criar uma alternativa importante para quem tem um carro, porque o espaço vai ficar restrito para o carro e vai ser mais rápido andar de ônibus do que de carro”, disse Nilton Pereira durante entrevista em 2014.

Em janeiro de 2017 o então superintendente da Semob-JP, Carlos Batinga, anunciou que não havia mais prazo para que as obras do BRT fossem iniciadas, dando continuidade à série de incertezas acerca do projeto. A justificativa utilizada na época foi de contingenciamento de recursos por parte do antigo Ministério das Cidades, atual Ministério do Desenvolvimento Regional, o que foi reforçado agora pela atual secretária de Planejamento, Daniela Bandeira.

Em dezembro de 2018, o projeto do BRT foi repensado e virou Linha Troncal. A Semob explicou no dia 18 de fevereiro deste ano ao Portal Correio que o projeto de Linha Troncal permanece pronto para ser executado. De acordo com a assessoria da Pasta, o número de terminais caiu de quatro para dois, no Varadouro e em Mangabeira, que deverão ser construídos junto com ampliação de faixas exclusivas para ônibus e novas paradas.

Porém, a Prefeitura de João Pessoa tem recursos garantidos apenas para erguer o Terminal Metropolitano no Varadouro. Para o restante da obra, ainda não há garantias, o que também torna o projeto incerto. O Município precisa de apoio do Governo Federal para executar a ideia.

Os dois terminais pensados para a Linha Troncal estão orçados em R$ 58 milhões. A Semob informou que ainda não há o valor total do projeto, que inclui novas paradas e mais faixas exclusivas.

Epitácio seria um dos corredores

A Avenida Epitácio Pessoa, que seria um dos corredores a receber o novo sistema de ônibus, passa por uma intervenção de R$ 11,2 milhões, sem que esteja incluída alguma novidade no que se refere a transporte. A obra é para pedestres, fazendo do corredor, também, um espaço de passeio.

A via vai ganhar 10,5 km de calçadas padronizadas, todas com piso tátil para possibilitar um deslocamento de deficientes visuais. As esquinas serão rebaixadas nos pontos de travessia para acessibilidade. Já as faixas de pedestre, 76 no total, terão iluminação inteligente, ou seja, haverá iluminação própria no momento da travessia. A via vai ganhar ilhas de convivência, que juntas vão comportar 102 bancos.

A Epitácio Pessoa ainda vai contar com 129 lixeiras; 50 novas árvores (passando a contar com 371); 315 metros quadrados (m²) de novas áreas verdes e florais; canteiro central com 7,5 mil m² de pedras portuguesas e acréscimo de 20 abrigos de ônibus.

A secretária de Planejamento Daniela Bandeira explicou que, por enquanto, a Epitácio não tem projeto para receber sistema de transporte além dos ônibus convencionais, mas que se isso vier a acontecer, as obras em andamento atualmente na avenida não precisariam ser refeitas.

Sistema de ônibus de João Pessoa

João Pessoa tem 560 ônibus e 99 linhas convencionais, a maioria no formato ‘bairro – centro’, operadas por seis empresas divididas em dois consórcios. Todos são equipados com câmeras de monitoramento para segurança e biometria facial nas catracas para evitar fraudes na utilização de benefícios. Mais de 90% dos veículos são adaptados para acessibilidade. A cidade tem 2 mil pontos de parada.

Leia também:

A Capital conta com um sistema integrado de transporte coletivo, no qual o usuário pode pagar apenas uma tarifa utilizando mais de um ônibus. A integração pode ser feita em terminais como os instalados no Bessa, Varadouro e Valentina, ou de forma temporal, por meio do cartão de bilhetagem eletrônica ‘Passe Legal’, que permite ao usuário pegar até dois ônibus pagando apenas uma tarifa, sem precisar passar pelos terminais, e dentro de um intervalo de 30 minutos. Cidades da região metropolitana, como Conde, Santa Rita, Cabedelo e Bayeux, por exemplo, também têm acesso à integração temporal, com 50% de desconto na tarifa do segundo ônibus.

Leia também:

O sindicato das empresas reclama que o sistema perde 4,8 milhões de passagens pagas por ano, o que estaria ocorrendo por causa da integração, dos transportes por aplicativos, alternativos ilegais e benefícios que garantem gratuidade ou desconto. Em janeiro deste ano, as empresas definiram a tarifa de R$ 4 para bilhetagem eletrônica (Passe Legal) e R$ 4,15 para pagamento em dinheiro.

A cidade conta ainda com faixas exclusivas para ônibus no Parque da Lagoa Solon de Lucena, Viaduto Miguel Couto, nas avenidas Epitácio Pessoa, Pedro II, Cardoso Vieira, Cândido Pessoa, Sanhauá e Josefa Taveira e nas ruas Padre Azevedo, Padre Meira, Creuza Campos de Vasconcelos até a interseção com a Francisco Porfírio Ribeiro, totalizando 20 quilômetros de extensão.

Alguns outros veículos estão autorizados a utilizar a faixa exclusiva, como o táxi que estiver transportando passageiro, transportes escolares em horário de início e término das aulas, veículos de resgate, combate à incêndio, ambulâncias, viaturas policiais e operações de trânsito, desde que estejam em serviços de urgência. Para isso, precisam utilizar sinalização sonora e iluminação intermitente. Os demais veículos podem utilizar as faixas exclusivas aos domingos e feriados.

A Semob disponibiliza também o aplicativo JampaBUS, que permite acompanhar a previsão de horários das linhas pelo celular.

Comentários

  • José Ricardo disse:

    O Brasil é um país mal administrado e isso remonta há séculos…pra o nosso país andar nos trilhos vai ser difícil…a nossa malha ferroviária está defasada desde a época do presidente Juscelino que priorizou as rodovias… um país continental como o nosso era pra ter mais estradas de ferro que são muito mais econômicas e têm um tempo de vida muito superior do que as rodovias,sem falar no próprio trem que é muitíssimo econômico…é tudo um grande ciclo vicioso de corrupção que se alastra por todos os setores…

  • joel farias de freitas disse:

    TÁ DIFICIL QUANDO O ASSUNTO ESTÁ LIGADO A POLITICA
    FALTA DE RECURSOS A ONDE?
    ISSO E OUTRO ASSUNTO PARECIDO COM O SHOPPING MARQUISE DE CABEDELO O PREFEITO PRESO NA MÃO DO EMPRESÁRIO DONO DO MANGABEIRA E DO MANAIRA E NO CASO DO BRT TEM EMPRESÁRIOS DE ÕNIBUS QUE CONTRA O BRT PENSANDO EXCLUSIVAMENTE NELES.
    AGORA PERGUNTO NÃO DEVERIA EXISTIR UMA PARCERIA ENTRE A PREFEITURA E O ESTADO, MAS O INTERESSE É SÓ POLITICO AI ESQUECE O POVO.

  • Josivandro Avelar disse:

    Vocês esperavam algo diferente? Iria fracassar fosse o gestor que fosse. Não se é surpresa para quem em décadas passadas já pensou em trólebus e até bonde moderno. Fracassaram do mesmo jeito. Não adianta depositar esperanças em quem um dia “mete o malho” nos empresários, mas quando chega numa cadeira de prefeito se torna uma mãe para eles. Olhe só para os corredores onde o projeto foi proposto, a maioria ou todos eles não tem como suportar esse tipo de projeto. O melhor seria cobrar mais ônibus, mais frequência, melhoria em termos de climatização que aqui não tem, o que fosse – mas será que ainda assim vai controlar a evasão de passageiros? -, tem que parar de pensar em “fórmulas mágicas” para o problema do transporte público e fazer alguma coisa que esteja dentro da nossa realidade – seja ela viária ou operacional, mas que justifique o preço pago pela passagem.

  • Alice disse:

    ISSO E UMA VERRGONHAAA…nao tem dinheiro pra fazer melhorias para os trabalhadores que dependem desses ônibus sucateados e superlotados todos os dias,porém pra meter a mão no dinheiro do povo esses ladrões sabem.tem nada não dá justiça de Deus eu quero ver alguém escapar.

  • Raoni disse:

    Lamentável. Pois, para duas eleições seguidas foram feita promessas deste BRT. E infelizmente, nossa MOBILIDADE só piora. João Pessoa há novas centralidades e precisamos urgentemente repensar o trânsito de nossa cidade.

  • Junior Silva disse:

    Transporte de João Pessoa e ridículo, caro, veículos velhos, veículos quebrados e um lixo ambulante de sujeira com direito a insetos e tudo mais. Se compararem a Fortaleza que tem um serviço eficiente, com valor de R$3,60 sem previsão de aumento até mês 11/2020. 90% da frota com ar-condicionado, veículos limpos de verdade, confortáveis. Integração temporal de 02 horas, na qual você pega dentro desse período quantos ônibus precisar e em qualquer direção. 06 terminais de integração de vergonha, limpos e policiados. Além de um aplicativo de vergonha, no qual você recarrega os cartões de passagem através do seu cartão de crédito de forma imediata. Com a informação em tempo real dos ônibus, e não como da forma em que aparece nesse principiante JampaBus como ” veículo planejado” direto. E que quase nunca passa na hora certa.

  • Guilherme disse:

    Prefeito fraco, fez uma gestão de “faz de conta”, mediático e que adora enrolar a população. As obras que ele faz é pintura do meio fio da rua, inaugurar ventilador em creches, reforma disso e daquilo. Mas conisa significativa não teve uma. Salvo a lagoa, que quando ele deixar a prefeitura e perder o poder, será preso pelo processo que investiga desvio dos recursos públicos, sem falar é claro no maior elefante branco da sua gestão, o celeiro criativo no altiplano cabo branco que não recebe visita nenhuma ! Quero vê-lo de pulseirinha na perna igual o reizinho ricardo.

  • Antônio Ribeiro disse:

    Prefeito incompetente…

  • Caio disse:

    É pra rir? A maior promessa de campanha do prefeito Luciano cartaxo desde sua vitória pelo PT (antes de trair todo mundo) ficou para ser desmentida em 2020???? Esse cara é um mico, e mais ainda quem votou nele pra se reeleger. Joao Pessoa mereceu um fiasco de prefeito desse.

  • hMarcio ramos disse:

    traduzindo faltou planejamento gestão vontade politica.sobrou i desejo de não melindrar não desagradar os barões dos ônibus que mandam e demandam nas administrações municipais.em tempo minha crítica e de cidadão que pega ônibus todo dia lotado em péssimas condições operadores despreparados e vários etceteras.ate quando esperar a plebe ajoelhar esperando ajuda de Deus. sou apolítico

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será revelado.

publicidade
© Copyright 2021. Portal Correio. Todos os direitos reservados.