VLT em João Pessoa (Foto: Divulgação)

Após mais de três anos, sistema de VLTs segue precário e incompleto

Estações precárias, falta de segurança e riscos ao longo das linhas são obstáculos que tiveram correções anunciadas desde 2014, mas continuam existindo

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Em novembro de 2014, o primeiro Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) chegou a João Pessoa para desafogar e modernizar a malha ferroviária da região metropolitana. Porém, após mais de três anos, apenas metade dos oito veículos prometidos são utilizados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Os trens modernos e climatizados contrastam com estações precárias e outras composições velhas que ainda estão em operação.

“Dos oito VLTs adquiridos, recebemos cinco, mas apenas quatro estão disponíveis para operação, visto que um está em manutenção. Só operamos simultaneamente com dois veículos e ficamos com dois na reserva. Contamos ainda com quatro locomotivas e três conjuntos de vagões que colocamos em horário de pico porque o VLT é menor. Colocamos o sistema pesado – que é mais velho – para os horários de maior demanda”, explicou o gerente de operações da CBTU, Othomagno Viegas.

O gerente confirmou que um projeto para abertura de mais 20 quilômetros de trilhos está em fase licitatória. “Temos uma remodelação para ser feita e está para ser licitado. Na forma como está hoje, é possível trabalharmos, mas para diminuir o tempo de espera precisamos de desvios a ser feitos. Vamos fazer três novos desvios para operar mais veículos simultaneamente”, finalizou.

Veja abaixo um panorama do sistema de VLT em João Pessoa. O aumento de 6,2% no número de usuários parece não ser suficiente para acelerar as melhorias no serviço.

Implantação

A primeira composição chegou em 1º de novembro de 2014. Usuários temeram um possível aumento na tarifa de R$ 0,50, mas a CBTU negou e manteve o valor que vigora até a hoje.

De lá pra cá, cinco composições foram entregues. Já são mais de três anos e três VLTs ainda não foram entregues. A modernização e ampliação das estações não saíram do papel, assim como a expectativa para ampliação do sistema, que poderia chegar a mais cidades da Paraíba.

Os problemas orçamentários e a crise financeira no Brasil atrapalharam o andamento do que foi prometido. As dificuldades financeiras voltaram a assolar a CBTU neste ano, não só em João Pessoa, mas em outras capitais onde a Companhia mantém operações e o sistema quase foi paralisado. Depois de muita polêmica, o governo federal liberou recursos e os trens continuaram as operações normais.

Os outros três VLTs que restam são esperados para este ano, uma situação totalmente passível de indefinições e que se mantém, em resumo, na precariedade.

Segurança e outros problemas

Vandalismo, violência e o risco de acidentes também são problemas enfrentados pela CBTU na Grande João Pessoa. Um dos acidentes mais recentes ocorreu no fim de 2017. Em 2016, outro deixou cinco mortos e 11 pessoas feridas.

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Um ano depois desse acidente, uma cancela manual foi instalada no local. Após conclusão das investigações, ficou constatado que um trem muito velho foi um dos causadores da colisão.

A onda de assaltos aterroriza usuários do sistema de trens da Grande João Pessoa. Uma estação chegou a ser fechada duas vezes, em 24 horas, por causa dos crimes. Em dezembro de 2017, uma pessoa foi assassinada em uma estação de Santa Rita.

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Ações da CBTU

Além de reuniões com prefeituras para medidas mais locais, a CBTU também divulga ações que são trabalhadas com comunidades que moram próximo das linhas. O objetivo é conter o vandalismo, a violência e os acidentes.

Em abril de 2017, um VLT foi apedrejado e a Companhia anunciou campanha de conscientização. No mesmo mês, a CBTU informou um trabalho contra acidentes e atropelamentos.

Respostas

O Portal Correio perguntou sobre a previsão para a chegada dos três VLTs restantes e a CBTU informou que eles deverão chegar até o fim deste ano. Quanto a questões orçamentárias e reformas das estações, a Companhia não deu detalhes sobre valores e informou apenas que a melhoria nas estações está contemplada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade.

“Os projetos já estão finalizados e prontos, aguardando licitação pela Administração Central da CBTU e, tão logo seja concluso, daremos início às melhorias e adequações necessárias”, informou o gerente de Planejamento da CBTU, Irlen Braga, sem especificar prazos.

Crescimento de usuários

Em fevereiro deste ano, a CBTU João Pessoa registrou um aumento de 6,2% em relação ao mesmo mês em 2017. Com isso, a Companhia chegou a transportar mais 155 mil usuários contra 146 mil do ano passado. Nos dois primeiros meses de 2018, todos os indicadores têm superado os números contabilizados nos mesmos períodos de 2017. A média diária de passageiros chega a 8 mil.

Atualmente, o serviço tem cinco VLTs, quatro locomotivas e 17 carros de passageiros. “Todos com manutenções regulares”, diz a CBTU. O sistema opera nas cidades de João Pessoa, Cabedelo, Bayeux e Santa Rita.

         

De acordo com a Gerência de Operações (Giope), em fevereiro deste ano, os trens cumpriram 100% das viagens programadas, registrando uma pontualidade nas partidas na casa dos 85%. A Giope aponta os serviços de manutenção na via férrea como principal motivo para atrasos nas viagens.

“Sempre há algo para se fazer na linha e isso acaba obrigando o Centro de Controle Operacional (CCO) a reduzir, temporariamente, a velocidade dos trens onde os serviços estão sendo executados”, explica o engenheiro de Operações, Rômulo Gouveia.

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