Início Pandemia

Um ano de pandemia na PB: em meio a decretos e incertezas, casos e mortes seguem recordes

Paraíba já soma mais de 240 mil casos e mais de 5 mil mortes em decorrência da Covid-19
Coronavírus, Pandemia, Covid, Máscara
(Foto: Divulgação/Enrique Lopez Garre/Pixabay)

Nesta quinta-feira (18), completamos um ano desde que o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus foi registrado na Paraíba, no dia 18 de março de 2020. Na ocasião, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, o paciente era um homem de 60 anos, residente em João Pessoa e com histórico de viagem à Europa.

Dois dias depois, o Governo da Paraíba declarou estado de calamidade pública com a publicação de um decreto no Diário Oficial. No documento, foi ordenado o fechamento de bancos, comércios, shoppings, academias, bares, restaurantes, entre outros estabelecimentos.

De lá para cá, com oscilações entre os números de novos casos e mortes, algumas medidas foram revistas, revogadas ou acrescentadas até o patamar atual. De acordo com o secretário executivo de Gestão da Rede de Unidades de Saúde do Estado, Daniel Beltrammi, a Paraíba e o Brasil nunca saíram da primeira onda de contaminação da Covid-19.

“Para mudar de uma onda para outra tem que ter uma variação negativa de mais de 60% do número de casos confirmados e ter um intervalo que dure mais de oito semanas. Isso chegou a acontecer em algumas cidades brasileiras, mas, no geral, a curva de contaminação não caiu”, diz o secretário executivo.

Essa realidade pode ser vista no gráfico interativo da pandemia exibido abaixo. Apesar de seguir crescente, a representação dos casos confirmados chegou a demonstrar certa estabilidade e menor crescimento ainda 2020. Depois disso, a curva voltou a subir, sem ter criado um ‘vale’ na observação ilustrada.

No dia 18 de setembro, com seis meses de pandemia, o número de casos chegava a 115.359 e o de mortos a 2.670. O crescimento nos números já indicava um ‘platô’ da epidemia no estado. A diminuição dos casos de coronavírus na Paraíba estaria ligada à queda de testagem.

A flexibilização das atividades já dava resultados na economia, que em agosto registrou alta na arrecadação de impostos após quatro meses seguidos de queda.

A rotina nas cidades já estava se adequando ao ‘novo normal’. João Pessoa, por exemplo, tinha 75% da frota de ônibus operando em setembro. Campina Grande ampliou os horários de bares, restaurantes e linhas de ônibus após registrar queda nos números de internações e casos de Covid-19 na cidade.

No entanto, completados oito meses do primeiro caso na Paraíba, os números da Covid-19 voltaram a apresentar tendência de alta, com o índice de transmissibilidade (R efetivo, que representa a capacidade de uma pessoa infectada de transmitir a enfermidade para outras pessoas) passando de 1, indicando que a doença está ativa e que o vírus circula com alguma intensidade.

Mortes

A primeira morte por Covid-19 foi registrada na Paraíba no dia 31 de março de 2020. Foi um homem, de 36 anos, residente em Patos, no Sertão da Paraíba, e que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Clementino Fraga, em João Pessoa. A partir daí, gradativamente os casos foram subindo e acompanhando a evolução da pandemia no país e no mundo.

No mês de janeiro de 2021, a Paraíba ainda apresentava condições de suportar um maior número de internações, ocasião em que foi possível receber, assim como aconteceu em outros estados, pacientes vindos do Amazonas, onde, naquele momento, ocorria colapso do sistema de saúde. Os transferidos foram direcionados para unidades em João Pessoa e Campina Grande.

Atualmente, a Paraíba já soma mais de 240 mil casos e mais de 5 mil mortes em decorrência da Covid-19, já havendo o registro de filas de pacientes para ocupação de leitos hospitalares.

Novo Normal

Em meio à alta de casos e mortes, o Governo do Estado lançou, no dia 15 de junho de 2020, um plano para orientar a retomada gradual das atividades econômicas, o ‘Novo Normal Paraíba’.

O plano estabeleceu bandeiras de acordo com o nível de restrições que deveriam ser aplicadas para conter o avanço da pandemia (verde, amarela, laranja, vermelha). Na 20ª avaliação desse planejamento, com vigência a partir de 8 de março de 2021, 95% das cidades se encontram na bandeira laranja, 4% na vermelha, 1% na amarela e nenhuma na verde.

Sem festas

Com os números de casos altos, as comemorações de fim de ano se tornaram inviáveis. Em João Pessoa, a prefeitura cancelou festas, show pirotécnico e apresentações musicais de Natal e Réveillon.

O Governo do Estado também decretou restrições para o horário de bares e restaurantes no Natal e Ano Novo para evitar aglomerações que poderiam aumentar a propagação do vírus.

No Carnaval, a situação não foi diferente e os festejos tiveram que ser suspensos. Um decreto assinado pelo governador João Azevêdo (Cidadania) disciplinou o horário de funcionamento de bares, restaurantes e similares de 12 a 17 de fevereiro de 2021. Os estabelecimentos só puderam funcionar das 6h às 23h.

Novos decretos

No dia 11 de março de 2021, passou a vigorar um novo decreto do Governo da Paraíba, que estabelece medidas mais rígidas de combate à disseminação do novo coronavírus. As regras atingem setores de serviços e comércio, além do funcionalismo público. As medidas, publicadas no Diário Oficial do Estado, seguem até 26 de março nos municípios com bandeira laranja e vermelha.

Com o decreto, há a manutenção do toque de recolher das 22h às 5h; mudança no funcionamento dos setores de serviços e comércio, com fechamento de shopping centers nos fins de semana; alteração de horário de funcionamento de bares e restaurantes; mudança no expediente do setor da construção civil; e manutenção da suspensão de cerimônias religiosas.

Alinhada com as determinações do Estado, a Prefeitura de João Pessoa publicou, no dia 10 de março, um decreto que amplia as restrições de funcionamento de setores da economia também com o intuito preventivo. As medidas começaram a valer no dia 11 e têm vigência até 26 de março.

Alguns municípios, no entanto, a exemplo de Campina Grande, não demonstraram intenção de seguir o decreto estadual, o que provocou a judicialização da questão. O Governo do Estado disse, no dia 12 de março, que recorreria contra decretos municipais mais flexíveis.

Vacinação

A Campanha de Imunização contra Covid-19 na Paraíba começou em 19 de janeiro de 2021, pelos seguintes grupos: trabalhadores de saúde, povos indígenas aldeados, idosos e pessoas com deficiência que vivem em institutos de longa permanência.

Com o passar das semanas, seguindo orientações do Ministério da Saúde, a Paraíba estendeu a vacinação contra Covid-19 para outros grupos. Os municípios recebem quantitativos diferentes de doses e, por isso, a relação de contemplados muda de acordo com cada localidade.

Na Capital, por exemplo, além dos grupos citados anteriormente, já foram contemplados com a primeira dose da vacina profissionais do sistema funerário que estão em contato direto com cadáveres potencialmente contaminados, cuidadores domiciliares ativos no home care, idosos acima de 70 anos e idosos acamados acima de 80 anos.

Remessas de vacinas já enviadas à Paraíba

  • 18 de janeiro | 114.880 doses da Coronavac (Instituto Butantan e Sinovac)
  • 24 de janeiro | 36.000 doses da Covishield (Oxford/AstraZeneca)
  • 25 de janeiro | 16.600 doses da Coronavac
  • 7 de fevereiro | 56.200 doses da Coronavac
  • 24 de fevereiro | 39.500 doses da Covishield
  • 25 de fevereiro | 23.800 doses da Coronavac
  • 2 de março | 56.400 doses da Coronavac
  • 10 de março | 53.400 doses da Coronavac
  • 17 de março | 91.800 doses da Coronavac

Palavras Chave

PandemiaSaúde
publicidade
© Copyright 2021. Portal Correio. Todos os direitos reservados.